domingo, 18 de junho de 2017

PÁGINA–O CAVALEIRO DA LUA

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TRECHO–O INFERNO DOS OUTROS

David Grossman

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Ele suspira, coça o cabelo ralo em suas têmporas. Certamente percebe que todo o espetáculo está desandando de novo. Ele está apoiado num galho que de repente ficou mais pesado do que a árvore inteira. O público também nota. As pessoas se entreolham e se agitam, inquietas. Entendem cada vez menos que coisa é essa da qual estão participando contra a vontade. Não tenho dúvida de que já teriam se levantado e ido embora há muito tempo, ou até mesmo enxotado Dovale do palco com assobios e gritos, não fosse essa tentação difícil de resistir: a tentação de espiar o inferno dos outros.

MUNDO DE K.

TIRA–AS METRALHANTES AVENTURAS DE JOHN MILAY

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TIRAS memory.

sábado, 17 de junho de 2017

PÁGINA A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO

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A fantástica fase de Alan Moore, até hoje insuperável.

FRAMES A INFÂNCIA DE IVAN

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A Infância de Ivan consegue ser deslumbrante tanto em seus temas como em suas imagens. Poesia em celuloide, como dizem.

CURTA Rakka–volume 1

Neil Blomkamp faz aqui o que faz de melhor: uma ficção científica suja, violenta, instigante e crítica como é comum à sua assinatura.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

CONTO Síndrome

César Bravo

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Não sei ao certo como cheguei até aqui. Meu estômago está embrulhado, minha boca está seca e pastosa. Meus olhos não enxergam com clareza. Cada pedaço da vida se tornou tortuoso, permeado por perseguições, revolta e fúria. Não confio em ninguém, minhas costas doem, às vezes perco o controle da bexiga. Quando penso no futuro, vejo um poço sem fundo, um caminho sem luz, uma miséria sem volta.

A cidade cheirando à fuligem e lixo não parece capaz de me ajudar. Suas esquinas sequestram desesperados desabrigados; cães, gatos e ratos são o novo alimento das ruas. Os arranha-céus sorriem de minha insignificância, albergando os homens ricos que têm a triste (?) sorte de se manterem ilesos.

Como muitos, desde o início do que pareceu um quadro depressivo, estive em todos os consultórios médicos da cidade. Cardiovasculares, Neurologistas, Psiquiatras, Psicólogos. Frequentei todas as igrejas, templos e terreiros, usei os medicamentos que pude comprar, gastei meu estômago e meus joelhos no chão; exatamente como me orientaram a fazer. Meu desespero aumentou há dois meses, quando percebi que não era o único.

Em meu trabalho, meu melhor amigo perdeu a capacidade de dormir. Esse foi o primeiro passo. Em seguida ele se tornou violento, por fim, em um surto da Síndrome, atacou nosso chefe e o enviou ao ambulatório, com a mandíbula quebrada em dois lugares. Não sendo um homem violento (não naquela época), eu preferi o que era certo: procurei ajuda.

Benzodiazepínicos, Clonazepam, Litium, Valium, Lexapro.

Os medicamentos me levaram a uma espécie de torpor, onde o ontem e o hoje se misturavam, condenando o amanhã. Anestesiado como estava, perdi a confiança de meus amigos, perdi meu emprego — ainda sem imaginar que todos os meus colegas teriam um mesmo diagnóstico em poucos dias.

Ninguém sabe ao certo como a Síndrome começou a afetar a cidade toda — pelas notícias da TV, o mundo todo.

Pessoas se arrastam, as contas do estado estão no vermelho. A violência dá o tom da mudança.

Semana passada, meu vizinho destruiu um carro de propagandas que o acordou antes do relógio. O “homem das pamonhas” tentou reagir, apanhando um bastão escondido sob um dos bancos. Meu vizinho tinha uma arma, não é difícil supor o resto da história.

Longe das ruas, as casas de repouso e presídios estão abarrotados de corpos confusos e instáveis. Quem tem dinheiro ocupa a primeira, o segundo é o hotel dos pobres. Estima-se que 32% da cidade esteja encarcerado, sob o domínio da Síndrome.

Surgiram várias hipóteses sobre o que parece ser um surto global de estresse e violência. Agrotóxicos, um novo vírus, vibriões; eu acredito na hipótese mais aceitável: a dificuldade em se adequar a uma sociedade fatigada pela pressão. Alguém sugeriu, em uma revista de pouca expressão, que pode ser culpa do alinhamento de alguns planetas, da regência de Saturno, e que uma dessas besteiras de algum modo afetou a maneira que as pessoas enxergam o mundo. Eu penso que só agora enxergamos a verdade — e ela existe em nós desde que o primeiro macaco falou.

As empresas e instituições seguem aos tropeços, com um quadro de funcionários cada vez menor; há fome e desemprego em todos os cantos. Exércitos igualmente adoecidos ocupam as ruas há meses, o consumo de drogas ilícitas superou o tabaco e o álcool.

Estamos em 2028. O sol brilha como um inferno suspenso nos ares, transpiramos o tempo todo, nossas casas não têm energia, a água tratada foi dividida por cotas.

Estou sentado em um praça aqui da cidade, respirando profundamente. A igreja destruída ainda rui à minha frente. Observo seis ou sete pessoas (é difícil contar à distância, meus olhos não enxergam muito bem) entrando em uma discussão. O motivo, não sei claramente, mas duvido que exista algum. A verdade é que todos querem um rosto para bater, uma carne para rasgar. Querem, de algum modo, transferirem parte da dor e agonia que sentem para outra pessoa.

Seguido do estado de apatia inicial, surge a histeria. É o que está acontecendo com aqueles caras. O motivo pode ser um olhar atravessado, uma sensação de perseguição, o rosto feliz de quem ainda não foi afetado pela Síndrome.

Todos estão furiosos.

Daqueles seis — seis não, sete (agora consigo enxergar) —, dois estão no chão. Suas cabeças são pisoteadas pelos outros cinco. Um dos agressores é uma menina, não deve ter mais de quinze anos. Mas ela tem saliva pelo queixo e uma corrente ensanguentada nas mãos. Ela bate contra o homem caído ao chão e rasga sua pele, o outro se levanta e foge. Um dos outros agressores, um homem com a farda da polícia, se afasta e sorri, ciente que um corpo em sete é um bom número nos últimos tempos. Mas ele não resiste, e logo se junta aos outros para golpear o homem que não conseguiu se levantar e correr. O infeliz ao chão não tem mais um rosto. Seu terno está rasgado e sujo de sangue, sua virilha, molhada de urina. Tem algo vazando pela parte de trás de sua cabeça.

Sinto um impulso repugnante de sorrir, e eu bem sei o que significa.

Quando você tem a Síndrome, quando sua vida perdeu o cheiro e a graça, tudo o que resta é a dor dos outros. Porque dói menos quando alguém sobre mais. Procuro em meus bolsos alguma medicação que nunca serviu para merda nenhuma. Antes, encontro minha pistola, presente do meu avô, que nunca a usou para nada melhor que encher uma gaveta. Eu resisto, mas então sinto uma dor aguda no canto direito da cabeça. Golpeio o ponto algumas vezes, sentindo que a dor só aumenta. Um silvo agudo toca e supera os gritos e gemidos da praça. Mas quando envolvo a arma com minhas mãos trêmulas, meu cérebro quase sorri, tudo vai embora, o mundo se cala.

Penso no policial, penso na garota com a corrente ensanguentada nas mãos, penso no homem tatuado que está ao lado, arqueado, recuperando o fôlego com as mãos apoiadas nos joelhos. Os outros não são interessantes, eles parecem satisfeitos com o espancamento e começam a se afastar. Mas os olhos dos três restantes ainda têm traços de sangue, hipervascularizados, isso sempre acontece quando a Síndrome te pega de jeito. Escondendo minha arma na cintura, assovio para eles. Meu cérebro sorri, minha apatia me deixa em paz por alguns segundos. Sei do que preciso agora. Uma canção antiga começa a tocar dentro de mim. Pode ser One in A Million, do Guns and Roses. Penso na minha esposa. Minha pequena também tem a Síndrome, ela está trancada no porão da minha casa há duas semanas, fui obrigado a isso quando ela tentou me esfaquear.

“Depressão”, eles disseram.

“Estresse”, eles disseram.

“Ansiedade”, eles disseram.

Mas eu sei o que a Síndrome significa. Apatia, ódio, involução, extinção. Imagino que a humanidade tenha seguido a direção errada, que nossas mentes estejam poupando a terra mãe de nossa influência cancerígena. E nós sabemos o que deve ser corrigido, chamem de empatia se quiserem. Mas a dor é mais forte; o ímpeto, a vontade de prevalecer e ser mais forte.

Eles estão vindo, e é como se a dor e a ansiedade fossem substituídas por serotonina. De repente minha arma torna-se um Deus. E eu, seu anjo vingador. Hora de executar uma decisão, penso. E me preparo para matar ou ser morto, voltando a essência selvagem da qual fomos feitos. A Síndrome vence outra vez. Sem alarde, sem resistência, sem diagnósticos precisos ou curas possíveis. Seus únicos analgésicos são o ódio e o suicídio, e consigo ser grato por não ter vocação à morte.

As armas disparam, a corrente voa pelos ares, alguém perde meia dúzia de dentes.

No fim, não importa o resultado final.

Estamos sorrindo.

 

Vi no Zona Negativa.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

TRAILER Let Me Make You Martyr

Uma cena fascinante. Um fragmento de um filme de ecos aterrorizantes. A promessa de um bom noir.

CONTO MICTÓRIO

José Marcelo

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O rosto no espelho de um mictório público imundo. Um rosto marcado, sujo, velho, feio. Apenas outra noite fodida morrendo no canto do mundo.

E a luz do sol - rascunhos de claridade na janela empoeirada que não trazem nenhum prazer.

E a porta que se abre com uma pancada seca:

__ Que porra, Leroy, olha quem tá aqui! Olha quem tá aqui. Filho da puta filho da puta. Você não imagina o quanto eu queria te encontrar. Tá vendo, Leroy, tá vendo quem tá aqui?

A rizada de Leroy é um cacarejo:

__ Ic ic ic ic ic. É ele, Junior, é ele sim.

Ele não olha. O seu rosto no espelho o hipnotiza e ele – ele quer apenas ir para casa.

__ Que porra, se não é aquele merda que bateu na nossa Suely.

Ele sente o fedor da bebida quando Junior murmura em seu ouvido:

__ Oi, seu merda. Sabe o que acontece agora, não sabe? Seu merda. Seu MERDA.

Ele não olha – continua mijando. Um jato amarelo, fétido, longo.

Quando eles o acertam – quando eles empurram sua cabeça contra o espelho e a carne amassada expele sangue e dor – ele não grita.

Eles o chutam e cospem e esmurram por tempo demais, mas ele não grita.

Suely gritou e chorou e pediu pelo amor de Deus não faz isso não faz pelo amor de Deus não não não faz isso alguém me ajuda – Suely chorando encolhida no chão, nua e cheia de feridas enquanto ele a espancava e comia. Pelo amor de Deus não. E ele apenas sorrindo e dizendo vou comer seu cu e depois de comer seu cu vou te bater mais e mais, apenas ignorando Suely por favor me deixa não faz isso não faz isso.

Agora, Junior ofegante e trêmulo de raiva o chuta de novo e diz:

__ Então, gostou filho da puta? Gostou? O quê? O que você disse?

Ele repete:

__ Diga a Suely.

__ O quê? O QUÊ?

__ Diga a ela que ela foi a melhor foda da minha vida.

 

Mais contos aqui.

domingo, 14 de maio de 2017

XIII FANTASPOA

POSTER MOTHER!

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Não há muitos detalhes sobre o novo filme de Darren Aronofsky, que estreia em outubro, mas esse belíssimo pôster pintado or James Jean é, no mínimo, impressionante.

COLD FISH

Extremo. Instigante. Perturbador. Cold Fish é o filme mais violento de Shion Sono. Um filmaço imperdível.

CARNIVALE

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Série instigante de tempos idos que, infelizmente, ficou sem final. A grande atalha entre o Bem e o Mal em uma América devastada pela Grande Depressão.

O ENTERRO DOS MORTOS

T.S. Eliot

poesia

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aléias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
Frisch weht er Wind
Der Heimat zu
Mein Irisch Kind,
Wo weilest du?
''Um ano faz agora que os primeiros jacintos me deste;
Chamavam-me a menina dos jacintos."
- Mas ao voltarmos, tarde, do Jardim dos Jacintos,
Teus braços cheios de jacintos e teus cabelos úmidos, não pude
Falar, e meus olhos se enevoaram, eu não sabia
Se vivo ou morto estava, e tudo ignorava
Perplexo ante o coração da luz, o silêncio.
Oed' und leer das Meer.
Madame Sosostris, célebre vidente,
Contraiu incurável resfriado; ainda assim,
É conhecida como a mulher mais sábia da Europa,
Com seu trêfego baralho. Esta aqui, disse ela,
É tua carta, a do Marinheiro Fenício Afogado.
(Estas são as pérolas que foram seus olhos. Olha!)
Eis aqui Beladona, a Madona dos Rochedos,
A Senhora das Situações.
Aqui está o homem dos três bastões, e aqui a Roda da Fortuna,
E aqui se vê o mercador zarolho, e esta carta,
Que em branco vês, é algo que ele às costas leva,
Mas que a mim proibiram-me de ver. Não acho
O Enforcado. Receia morte por água.
Vejo multidões que em círculos perambulam.
Obrigada. Se encontrares, querido, a Senhora Equitone,
Diz-lhe que eu mesma lhe entrego o horóscopo:
Todo o cuidado é pouco nestes dias.
Cidade irreal,
Sob a fulva neblina de uma aurora de inverno,
Fluía a multidão pela Ponte de Londres, eram tantos,
Jamais pensei que a morte a tantos destruíra.
Breves e entrecortados, os suspiros exalavam,
E cada homem fincava o olhar adiante de seus pés.
Galgava a colina e percorria a King William Street,
Até onde Saint Mary Woolnoth marcava as horas
Com um dobre surdo ao fim da nona badalada.
Vi alguém que conhecia, e o fiz parar, aos gritos: "Stetson,
Tu que estiveste comigo nas galeras de Mylae!
O cadáver que plantaste ano passado em teu jardim
Já começou a brotar? Dará flores este ano?
Ou foi a imprevista geada que o perturbou em seu leito?
Conserva o Cão à distância, esse amigo do homem,
Ou ele virá com suas unhas outra vez desenterrá-lo!
Tu! Hypocrite lecteur! - mon semblable -, mon frère

Vi no zumbidownload.

A IRA DE KHAN

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Khan: I’ve done far worse than kill you, Admiral. I’ve hurt you. And I wish to go on hurting you. I shall leave you as you left me, as you left her; marooned for all eternity in the center of a dead planet… buried alive! Buried alive…!


Kirk: KHAAAAAAANNNN!

METROPOLIS

FRITZ LANG METROPOLIS

Fritz Lang prepara a sua maior obra.

histórias desse tipo

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Laerte.

THE BIKERIDERS AND BEYOND

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Vi no the selvedge yard.

A BELA NOIR Lauren Bacall.

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Uma das mais fascinantes femme fatale dos filmes noir da história do cinema, ela não era apenas bela, era fascinante.

COWBOY BEBOP

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Porque caçadores de recompensa espaciais e jazz nunca saem de moda.

domingo, 26 de março de 2017

Making off CORAÇÃO SELVAGEM

Um conto de fadas bizarro, violento e amoral. Uma história de amor sexy e surtada. Um road movie de horror. Um noir ambíguo. Um filmaço de David Linch.

sexta-feira, 24 de março de 2017

COLINA GELADA

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Eu a vi no topo da colina gelada, segurando a barriga enorme. Usava um vestido branco e o sangue que escorria entre suas pernas e sobre a neve era vermelho e quase fumegante. Ela acenou e eu temi por sua sanidade. Ela sorriu e eu percebi que as suas pernas enfraqueciam. Ela sentou-se e deitou-se ali mesmo, no branco rubro, e ergueu o vestido. Do meio das pernas dava para ver que saía algo mais que apenas sangue.

O ENTERRO DE POE

José Marcelo
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Poe é enterrado em uma tarde fria e a chuva que cai é intensa e gelada.  Ele acorda no meio da noite sepultada e se pega rindo e praguejando.  Poe amaldiçoa não a morte, mas a vida que teima em não deixa-lo ir.
Poe sente o cheiro dos vermes e o gosto da terra morta na boca.  Porém tudo o que ele consegue pensar é Minha amada, agora não tarda. Virginia. Agora não tarda.
E, no entanto, tardou.

FELIZ

José Marcelo
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Gosto de pensar que ela morreu feliz. Apesar da loucura. Talvez por isso.

ÚTERO

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Ela deitou-se na água e fechou os olhos, não para afogar-se, não para morrer – mas para lembrar-se.

terça-feira, 7 de março de 2017

PÁGINA MENSUR

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“A orelha moída do Jiu-jitsu seria mais ou menos equivalente à cicatriz na cara do século XIX. Existe uma admiração dos seus pares e da sociedade pelas marcas de um ritual de agressividade inerente àquilo.”  Rafael Coutinho.

vitralizado.

MULHER GRANULADA

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Antoine D'Agata.

DR. WHO E O ATAQUE DOS CYBERMEN ORIGINAIS!!!!

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THE HOUSE THAT JACK BUILTS

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SINOPSE: THE HOUSE THAT JACK BUILTS takes place in 1970s USA. We follow the highly intelligent Jack through 5 incidents and are introduced to the murders that define Jack’s development as a serial killer. We experience the story from Jack’s point of view. He views each murder as na artwork in itself, even though his dysfunction gives him problems in the outside world. Despite the fact that the final and inevitable police intervention is drawing ever near (which both provokes and puts pressure on Jack) he is – contrary to all logic – set on taking greater and greater chances. Along the way we experience Jack’s descriptions of his personal condition, problems and thoughts through a recurring conversation with the unknown Verge – a grotesque mixture of sophistry mixed with na almost childlike self-pity and in-depth explanations of, for Jack, dangerous and difficult manoeuvres.

segunda-feira, 6 de março de 2017

SOUNDTRACK Django Unchained

A Bittersweet Life

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Em uma madrugada de outono, o discípulo acordou chorando. Então, o mestre lhe perguntou, “Você teve um pesadelo?”

“Não.”

“Então você teve um sonho triste?” “

Não,” disse o discípulo. “Eu tive um sonho doce.”

“Então porque você está chorando com tanta tristeza?”

O discípulo enxugou suas lágrimas e calmamente respondeu, “Porque o sonho que tive nunca poderá se tornar realidade”.

O que é este filme? Um estudo de personagem, uma história de amor, um puta filme de ação. Dirigido com a típica maestria por Jee-woon Kim, A Bittersweet Life é um filme para se deleitar. Violento. Belo. E que final!

POSTER A QUADRILHA MALDITA

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Que pôster belíssimo! Evoca e promete mais que um simples western, mas um desses filmes cheios de nuances e mitos nas entrelinhas brutais de um duelo à mão armada. Sensual e brutal.

PROMO FARGO 3

ALEX

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“Com certeza é impossível acreditar – a não ser que se quisesse fazer de Laranja Mecânica um filme perverso – que eu era favorável a Alex. Eu apenas tentei apresentá-lo como ele se sente e como se vê. Evidentemente, em um determinado momento, surge certa simpatia por ele. Como Alex estava em conflito com pessoas tão más como ele, mas de outra maneira, era possível pensar, se fizéssemos uma análise rápida do filme, que havia mais simpatia por ele. Mas como é uma história satírica – e a natureza da sátira é apresentar o falso como se fosse verdadeiro -, não vejo como um ser inteligente poderia achar que Alex era um herói.”

Stanley Kubrick

quarta-feira, 1 de março de 2017

TEASER FARGO 3

FRAMES SEDE DE SANGUE

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Um filme sobre fé, vampirismo, morte, vida, horror, desejo, belamente filmado como se fosse uma pintura sensual e violenta.

CONTO Restos de Carnaval

Clarice Lispector

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Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha ao encontro da minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem.

Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.

Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto, essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.

Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

pernambuco.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

THE AMERICANS

 

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Ótima série de espionagem que não se furta de mostrar a ambiguidade e a paranoia  de ser um espião nos tempos da guerra fria.

Sinopse: Phillip (Matthew Rhys) e Elizabeth Jennings (Keri Russell) são um típico casal norte-americano que vive em um subúrbio de Washington, durante a década de 1980, com os dois filhos, Paige (Holly Taylor) e Henry (Keidrich Sellati). Tudo seria absolutamente comum, não fosse um detalhe: Eles são, na verdade, dois agentes da KGB, inteligência russa, vivendo nos Estados Unidos sob identidades falsas, em um casamento arranjado, a fim de obterem informações para a Pátria Mãe. Enquanto colocam em risco suas vidas em favor da Guerra Fria, eles precisam proteger suas próprias crenças, criar os filhos e manter as verdadeiras identidades a salvo, ao mesmo tempo em que questionam o que é ou não real no casamento.

Para ver, clique na imagem.

seriestorrent.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

FRAMES VÍCIO FRENÉTICO

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O meu filme preferido de Abel Ferrara é uma descida ao inferno, sem concessões, brutal e perfeita. Orgias, violência, estrupo, sordidez e a beleza de uma alma condenada.

TRAILER THE VOID

A sensação  de pesadelo sangrento, tão cara ao gênero, escorre de cada frame desse trailer. Taí, gostei!

THE EXPANSE

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Não há muito a dizer a respeito de The Expanse. A não ser que… É uma puta série. Uma mistura sci-fi de noir, intrigas políticas, batalhas espaciais, espionagem e guerra. Sabe aquele tipo de série viciante? Pois é.

Sinopse: 200 anos no futuro, com todo o Sistema solar colonizado, o detetive de polícia Josephus Miller (Thomas Jane), nascido em  Ceres no cinturão de asteroides, tem a tarefa de procurar uma jovem mulher desaparecida, Juliette "Julie" Andrômeda Mao (Florence Faivre). Enquanto isso, James Holden (Steven Strait), o Oficial Executivo do transportador de gelo Canterbury, é envolvido em um trágico acidente que ameaça a precária paz entre Terra, Marte e Cinturão. Na Terra, Chrisjen Avasarala (Shohreh Aghdashloo), Executiva das Nações Unidas, trabalha para prevenir a guerra entre Terra e Marte usando qualquer meio necessário. Logo, os três descobrem que a mulher desaparecida e o carregador de gelo são parte de uma vasta conspiração que ameaça toda a humanidade.

The Expanse é baseada em uma série de livros escritos por dois autores que assinam a obra com o nome de James S. A. Corey.

Em tempo: A segunda temporada recém começou e a série está melhor a cada episódio.

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