domingo, 19 de fevereiro de 2017

THE AMERICANS

 

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Ótima série de espionagem que não se furta de mostrar a ambiguidade e a paranoia  de ser um espião nos tempos da guerra fria.

Sinopse: Phillip (Matthew Rhys) e Elizabeth Jennings (Keri Russell) são um típico casal norte-americano que vive em um subúrbio de Washington, durante a década de 1980, com os dois filhos, Paige (Holly Taylor) e Henry (Keidrich Sellati). Tudo seria absolutamente comum, não fosse um detalhe: Eles são, na verdade, dois agentes da KGB, inteligência russa, vivendo nos Estados Unidos sob identidades falsas, em um casamento arranjado, a fim de obterem informações para a Pátria Mãe. Enquanto colocam em risco suas vidas em favor da Guerra Fria, eles precisam proteger suas próprias crenças, criar os filhos e manter as verdadeiras identidades a salvo, ao mesmo tempo em que questionam o que é ou não real no casamento.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

FRAMES VÍCIO FRENÉTICO

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O meu filme preferido de Abel Ferrara é uma descida ao inferno, sem concessões, brutal e perfeita. Orgias, violência, estrupo, sordidez e a beleza de uma alma condenada.

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A sensação  de pesadelo sangrento, tão cara ao gênero, escorre de cada frame desse trailer. Taí, gostei!

THE EXPANSE

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Não há muito a dizer a respeito de The Expanse. A não ser que… É uma puta série. Uma mistura sci-fi de noir, intrigas políticas, batalhas espaciais, espionagem e guerra. Sabe aquele tipo de série viciante? Pois é.

Sinopse: 200 anos no futuro, com todo o Sistema solar colonizado, o detetive de polícia Josephus Miller (Thomas Jane), nascido em  Ceres no cinturão de asteroides, tem a tarefa de procurar uma jovem mulher desaparecida, Juliette "Julie" Andrômeda Mao (Florence Faivre). Enquanto isso, James Holden (Steven Strait), o Oficial Executivo do transportador de gelo Canterbury, é envolvido em um trágico acidente que ameaça a precária paz entre Terra, Marte e Cinturão. Na Terra, Chrisjen Avasarala (Shohreh Aghdashloo), Executiva das Nações Unidas, trabalha para prevenir a guerra entre Terra e Marte usando qualquer meio necessário. Logo, os três descobrem que a mulher desaparecida e o carregador de gelo são parte de uma vasta conspiração que ameaça toda a humanidade.

The Expanse é baseada em uma série de livros escritos por dois autores que assinam a obra com o nome de James S. A. Corey.

Em tempo: A segunda temporada recém começou e a série está melhor a cada episódio.

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seriestorrent.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“The basic tool for the manipulation of reality is the manipulation of words. If you can control the meaning of words, you can control the people who must use the words. George Orwell made this clear in his novel 1984. But another way to control the minds of people is to control their perceptions. If you can get them to see the world as you do, they will think as you do. Comprehension follows perception. How do you get them to see the reality you see? After all, it is only one reality out of many. Images are a basic constituent: pictures. This is why the power of TV to influence young minds is so staggeringly vast. Words and pictures are synchronized. The possibility of total control of the viewer exists, especially the young viewer. TV viewing is a kind of sleep-learning. Na EEG of a person watching TV shows that after about half na hour the brain decides that nothing is happening, and it goes into a hypnoidal twilight state, emitting alpha waves. This is because there is such little eye motion. In addition, much of the information is graphic and therefore passes into the right hemisphere of the brain, rather than being processed by the left, where the conscious personality is located. Recent experiments indicate that much of what we see on the TV screen is received on a subliminal basis. We only imagine that we consciously see what is there. The bulk of the messages elude our attention; literally, after a few hours of TV watching, we do not know what we have seen. Our memories are spurious, like our memories of dreams; the blank are filled in retrospectively. And falsified. We have participated unknowingly in the creation of a spurious reality, and then we have obligingly fed it to ourselves. We have colluded in our own doom.”

-P.K.Dick

TRECHO NATIMORTO

Lourenço Mutarelli

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Quando eu era criança a casa da minha avó tinha um poço velho desativado (…) o poço ficava coberto. Eu e os meus primos, a gente ia todo domingo à casa da minha avó, a gente adorava brincar naquele quintal. Um dos meus tios pra manter as crianças afastadas do poço dizia que lá no fundo tinha um monstro. A gente acreditava, coisa de moleque. Até que um dia meu primo acabou caindo no poço. Levou um certo tempo pra tirar ele do poço, por sorte ou por azar ainda tinha um pouco de água no fundo do poço, a água amorteceu a queda dele mas com a luz que entrava no poço refletia na água ele acabou vendo a própria imagem. Quando ele conseguiu sair de lá eu perguntei pra ele ‘então como é o monstro?’ ele me disse 'ele é como todos nós, todos somos monstros’.

FRAMES COSMOPOLIS

Cosmopolis, dir. David Cronenberg, 2012

Don DeLillo  + David Cronenberg. O resultado é no mínimo interessante.

“REAL ESTATE IS THE PHYSICAL MANIFESTATION OF THE CURRENTS OF POWER IN A CITY, AND IN THE NOVEL, PYNCHON PAYS ATTENTION TO THE WAY THOSE CURRENTS HAVE SHIFTED AROUND THE YEAR OF HIS STORY. “LONG, SAD HISTORY OF L.A. LAND USE,” DOC THINKS. “MEXICAN FAMILIES BOUNCED OUT OF CHAVEZ RAVINE TO BUILD DODGER STADIUM, AMERICAN INDIANS SWEPT OUT OF BUNKER HILL FOR THE MUSIC CENTER, TARIQ’S NEIGHBORHOOD BULLDOZED ASIDE FOR CHANNEL VIEW ESTATES.” TARIQ IS TARIQ KHALIL, THE ONLY BLACK CHARACTER IN BOTH VERSIONS OF VICE. IN THE NOVEL, THE SHADOW OF THE RIOTS HANGS HEAVIER THAN IT DOES OVER THE FILM, AND KHALIL APPEARS INTERMITTENTLY AS PART OF A SUBPLOT INVOLVING A POST-PRISON SETTLING OF SCORES. ANDERSON, FOR HIS PART, GIVES THE GUY ONE LONGER SCENE. KHALIL HAS JUST GOTTEN OUT OF THE CALIFORNIA STATE PRISON AT CHINO AND HE DULY APPEARS AT DOC’S OFFICE, WHICH IS SHARED WITH AN ACTUAL DOCTOR WHO GIVES AMPHETAMINE SHOTS FOR CASH. IN PRISON, KHALIL EXPLAINS, HE WAS A MEMBER OF THE BLACK GUERRILLA FAMILY AND CONDUCTED BUSINESS WITH THE ARYAN BROTHERHOOD (ONE OF WHICH BROTHERS IS NOW WOLFMANN’S BODYGUARD). “RACIAL HARMONY, I CAN DIG IT,” SAYS DOC. NOW, KHALIL WANTS TO RECONNECT WITH HIS FORMER GANG. THE PROBLEM IS THAT ALL OF THEIR HOUSES ARE GONE. “WHAT DO YOU MEAN, GONE?” SAYS DOC. “NOT THERE,” KHALIL SAYS. AS IN, WOLFMANN LEVELED TO DEVELOP THE TERRITORY. DOC WRITES IN HIS NOTEBOOK, “NOT HALLUCINATING.” Q1 IT’S A LUCID NOTE. IN VICE‘S WORLD—OURS, TOO—AUTHORITY PERPETUATES ITSELF BY CASTING DOUBT ON THE PERCEPTIONS OF THE WEAK. SOMEONE SAYS, “YOU’RE RUINING MY NEIGHBORHOOD” AND YOU TURN TO YOUR PARTNER AND GO, “THIS MAN IS HALLUCINATING.”

Jesse on Inherent Vice.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

FRAMES O HOMEM DUPLICADO

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The Leftovers, por Adrian Tomine

Leftovers

Uma imagem belíssima para um livro instigante.

vitralizado.

I LEARNED ONE LITTLE THING WHICH HOLDS GOOD EVEN FOR HOLDING THE ATTENTION OF ADULTS. IT’S THIS: YOU CAN’T FEED IT TO THEM ALL AT ONCE. EVEN A LION HAS TO TAKE IT PIECEMEAL. A WRITER OUGHT TO KNOW THIS FROM THE START, BUT WRITERS ARE FUNNY ANIMALS: THEY HAVE TO LEARN THINGS BACKWARDS SOMETIMES.

- Henry Miller

ALL REAL LOVE IS A FORM OF OBSESSION. IF YOU LOVE SOMEONE MORE THAN ANYTHING ELSE, THAT DEGREE OF EXCLUSIVITY REQUIRES AN ABNORMAL AMOUT OF PASSION AND CARE. AND THAT CAN BE POSITIVE, IT’S JUST THAT KEEPING IT SHORT OF UNHEALTHY, SHORT OF VIOLENCE, REALLY REQUIRES A BIT OF MODERATION. YOU CAN’T LET SOMETHING LIKE THAT TAKE OVER ALL OF YOUR THOUGHT PROCESSES

- Shirley Manson 

 

THE FUTURE IS DARK, WHICH IS ON THE WHOLE, THE BEST THING THE FUTURE CAN BE, I THINK.

-

Virginia Woolf, a diary entry from January 18, 1915.

FRAMES SUPERMAN

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LIVROS E TRECHOS

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domingo, 22 de janeiro de 2017

A VERDADEIRA por mutarelli

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MEU NOME É ALAN MOORE

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FRAMES HALLOWEEN

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O horror surge na criança vestida de palhaço e continua, anos depois, a rondar a vizinhança mais bucólica, a cidade mais tranquila, a noite festiva das bruxas. Um filme a se ver e rever. O melhor filme de John Carpenter? Não sei, mas um filmaço, sem dúvida.

RAMBO PROGRAMADO PARA MATAR (FIRST BLOOD)

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Coronel Samuel Trautman: Acabou Johnny. Acabou.

Rambo: Nada acabou senhor, nada. Não se consegue parar. A guerra não era minha. Você me chamou, eu não pedi pra ir. Fiz o que tinha que fazer , mas não deixaram a gente ganhar.

Eu volto para o mundo é vejo aqueles idiotas no aeroporto, protestando e me chamando de assassino de bebes e todo tipo de besteira. Quem são eles para protestarem contra mim? Quem são eles? Se tivessem na minha pele, pelo menos saberiam porque estavam gritando.

Coronel Samuel Trautman: Foi uma época ruim, Rambo. Pertence ao passado agora.

Rambo: Para você. Para mim a vida civil não é nada. No campo temos um código de honra. Você cuida de mim, eu cuido de você. Aqui não tem nada.

Coronel Samuel Trautman: Você é o último de um grupo de elite. Não acabe com tudo assim.

Rambo: Na guerra eu pilotava avião, dirigia tanques e usava equipamentos de milhões. Aqui eu não arrumo emprego nem como manobrista.

O que é isso? Jesus! Meu Deus! Onde está todo mundo. Os caras. Eles eram meus amigos. Eu gostava deles. Eu tinha amigos. Aqui eu não tenho nada.

Lembra da nossa equipe no Vietnã? Eu peguei uma daquelas coisas mágicas é disse: “Joey,achei”. E eu a envie para Las Vegas. Falávamos sempre de Las Vegas e de um carro. Um Chevy 58, vermelho, ele sempre falava do carro. Ele dizia que íamos rodar até os pneus furarem.

Havia um celeiro e um garoto se aproximou. Ele estava com uma caixa de engraxate e perguntou: “Vai graxa aí? Por favor”. Eu disse: não. Ele perguntou de novo , e o Joey disse “sim”. Então eu fui buscar uma cerveja. Era uma armadilha, a caixa explodiu e espalhou o corpo dele por todo o lugar.

Ele ficou lá gritando feito um louco, e os pedaços dele estavam em cima de min. Eu tive que empurrá-lo. Meu amigo estava espalhado em cima de min, tinha sangue por todo lado e eu tentava mantê-lo vivo. Tentava juntar as partes dele, mas as tripas estavam saindo e ninguém podia ajudar.

Ele dizia: “Eu quero ir pra casa”. Ele ficava repetindo isso. “Eu quero ir para casa”. “Eu quero dirigir o meu Chevy”. Ninguém conseguiu encontrar as pernas dele. Eu não encontrei as pernas dele. Isso não sai da minha cabeça. Foi há mais de sete anos. E todos os dias eu penso nisso. Eu não converso com ninguém. Nenhum dia, nenhuma semana. Eu não tiro isso da minha cabeça.

trecho Brás, Bexiga e Barra Funda

ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO

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Gaetaninho
— Xi, Gaetaninho, como é bom!
Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro disse um palavrão
e ele não ouviu o palavrão.
— Eh! Gaetaninho! Vem pra dentro.
Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.
— Súbito!
Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou.
Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas deu meia volta instantânea e varou pela
esquerda porta adentro.
Eta salame de mestre!
Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de
casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.
O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde atravessara de carro a cidade. Mas como? Atrás da tia Peronetta que se
mudava para o Araça. Assim também não era vantagem.
Mas se era o único meio? Paciência.

KING OF GONZO: PORTRAITS OF HUNTER S. THOMPSON BY RALPH STEADMAN

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domingo, 15 de janeiro de 2017

FRAMES Stoker

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“My ears hear what others cannot hear; small faraway things people cannot normally see are visible to me. These senses are the fruits of a lifetime of longing, longing to be rescued, to be completed. Just as the skirt needs the wind to billow, I’m not formed by things that are of myself alone. I wear my father’s belt tied around my mother’s blouse, and shoes which are from my uncle. This is me. Just as a flower does not choose its color, we are not responsible for what we have come to be. Only once you realize this do you become free, and to become adult is to become free.” — India Stoker.       

TRECHOS LARANJA MECÂNICA

Anthony Burgess

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“Irmãos, esse negócio de ficar roendo as unhas dos pés sobre qual é a causa da maldade é que me torna um rapaz risonho. Eles não procuram saber qual é a causa da bondade, então por que ir à outra loja? Se os plebeus são bons é porque eles gostam, e eu jamais iria interferir em seus prazeres, e o mesmo vale para a outra loja. E eu frequento a outra loja. E mais: a maldade vem de dentro, do eu, de mim ou de você totalmente sozinhos, e esse eu é criado pelo velho Deus, e é seu grande orgulho. Mas o “não-eu” não pode ter o mau, quer dizer, eles lá do governo e os juízes e as escolas não conseguem permitir o mau porque não conseguem permitir o eu. E não é a nossa história moderna, meus irmãos, a história de alguns bravos eus combatendo essas grandes máquinas? Estou falando sério sobre isso com vocês, irmãos. Mas eu faço o que faço porque gosto.”

“O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e aos meus amigos e a todo o resto dos jovens, e os burgueses velhos espreitavam dentro de suas casas, bebendo das transmissões mundiais idiotas, mas o dia era dos velhos e sempre parecia ter mais policiais durante o dia também.”

“A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

“Você está passando agora para uma região que está além do alcance do poder da oração. Uma coisa terrível, terrível de se pensar. E mesmo assim, sob um certo ponto de vista, ao ser privado de fazer uma escolha ética, você, de certa forma, escolheu o bem. Eu gostaria de crer nisso.”

“É gozado como as cores do mundo real só parecem reais de verdade quando você as vê na tela.”

“ –Isso foi há dois anos. Já fui castigado desde então. Aprendi minha lição.

– Castigo? Gente da sua laia devia ser exterminada, assim como muitas pragas incômodas.”

“Você pecou, suponho, mas o seu castigo foi além de qualquer proporção. Eles transformaram você em alguma coisa que não é um ser humano. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. Música, sexo, literatura e arte, tudo agora dever ser fonte não de prazer, mas de dor.”

“Alguns de nós têm que lutar. Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. Onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Os partidos políticos não significam nada. A tradição da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar. Elas venderão a liberdade por uma vida mais tranquila.”

CAPA ECLIPSE MONTHLY

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PÁGINA DOOM PATROL

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A atual fase de Gerard Way evoca as páginas da Patrulha do Destino de Grant Morrison com louvor.

TRECHO O CORAÇÃO DAS TREVAS

JOSEPH CONRAD

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Havia momentos em que o passado nos voltava à mente, como acontece algumas vezes quando não se tem um tempo reservado só para si próprio; mas chegou na forma de um sonho agitado e turbulento, relembrando com assombro em meio à esmagadora realidade desse estranho mundo de plantas, água e silêncio. Mas toda essa quietude em nada lembrava paz. Era a quietude de uma força implacável pairando sobre inescrutáveis desígnios, olhando para você com um ar vingativo.

TRECHO ALMOÇO NU

William Burroughs

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“Possessão esquizofrênica: eu estava fora do corpo, olhando para mim mesmo e usando meus dedos de fantasma para tentar impedir os enforcamentos… Sou um fantasma e desejo o mesmo que todo fantasma — um corpo — depois de passar um longo tempo transitando pelos becos inodoros do espaço onde não existe vida, mas somente o não cheiro incolor da morte, ninguém é capaz de respirar o farejar a morte por baixo das róseas espirais de cartilagem entremeadas com cristais de ranho, esterco corporal e filtros sangrenegros de carne humana.”

FILMANDO O BEBÊ DE ROSEMARY

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Absolutamente assustador.

FRAMES O PROFISSIONAL

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“Everyone!!!” Cena muito foda de um filme foda pra caralho.

PÁGINA FATALE

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Um puta gibi noir-terror-ancestral-lovecraftiano de Ed Brubaker. Muito muito muito bom.

PÁGINA A ESPADA SELVAGEM DE CONAN

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O meu conto preferido de Conan é A Torre do Elefante, aqui magistralmente adaptado em quadrinhos.

CAPA OS FILHOS DE ANANSI

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“Deus está morto. Conheça as crianças.” Perfeito.

Por quem os sinos dobram?

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos seus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano;

E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por Ti.”

- John Donne

Marvel Infinty War


Jogo à moda antiga, feito por fãs, com cerca de 74 personagens jogáveis.  Para saber mais detalhes e, claro, baixar, clique AQUI.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TRECHO LIONEL ASBO

Martin Amis

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Lá estava Lionel, uma forma grande e branca, encostado na porta aberta, com o punho erguido e apertado contra a testa, a respiração ofegante e rouca e exalando um débil vapor cinzento em sua camiseta regata roxa (o elevador andava se comportando mal e o apartamento ficava no terceiro andar — mas na verdade Lionel podia exalar vapores até quando cochilava na cama numa tarde sossegada). Debaixo do outro braço trazia um carregamento de cerveja lager. Duas dúzias, envoltas em polietileno. Marca: Cobra. “Voltou mais cedo, tio Li.” Ele ergueu a mão calejada. Os dois ficaram esperando. Em seu aspecto exterior, Lionel era o típico brutamontes — o corpo semelhante a uma laje, a cara feito um bloco inteiriço, a coroa da cabeça com o cabelo raspado bem curto e restolhos de uns pelinhos castanhos. Soltos pelas cidades do mundo, havia centenas de milhares de jovens muito parecidos com Lionel Asbo.

Sob certas luzes e em certos cenários, algumas pessoas diziam, ele parecia o atacante Wayne Rooney, o prodígio da Inglaterra e do Manchester United: não extraordinariamente alto nem gordo, mas excepcionalmente largo e excepcionalmente pro‑ fundo (Des via o tio todos os dias, e Lionel sempre parecia ter um tamanho um número maior do que ele esperava). Tinha até o sorriso de Rooney, com aquela falha nos dentes. Bem, os incisivos superiores eram amplamente espaçados, embora Lionel raramente sorrisse. Só se viam os dentes quando ele fazia cara de escárnio. “O que você está fazendo aí com essa caneta? O que está escrevendo? Desembucha.” Des tratou de pensar rápido. “Eh, é uma coisa de poesia, tio Li.” “Poesia?”, exclamou Lionel, sobressaltado, dando um passo para trás. “Pois é. Um poema chamado A rainha das fadas.” “O quê?… Às vezes você me deixa maluco, Des. Por que não vai para a rua quebrar umas vidraças? Isso não é saudável. Ah, sim, escute só. Sabe aquele babaca que cobri de porrada no pub na outra sexta‑feira? O sr. Ross Knowles, lembra? Pois ele vai me pro‑ cessar. Me dedurou para a polícia. Nem dá para acreditar.” Desmond sabia como Lionel podia se sentir sobre esse tipo de coisa. Certa noite no ano anterior, Lionel chegou em casa e encontrou Des no sofá de couro sintético preto, inocentemente jogado na frente da televisão, vendo o programa Crimewatch, sobre crimes não desvendados. O resultado foi uma das mais longas e ruidosas séries de bofetadas que ele já recebeu das mãos do tio. Eles estão pedindo às pessoas, disse Lionel, de pé diante da tela colossal, com as mãos na cintura, para dedurar os próprios vizinhos. Crimewatch é que nem um… um programa para pedófilos, pode crer. Me dá nojo. Então Des perguntou: “Ele procurou a justiça? Ah, isso… isso é… a coisa mais baixa de todas as coisas mais baixas, sinceramente. O que é que você vai fazer, tio Li?” “Bom, andei perguntando por aí e descobri que ele é um cara que vive sozinho. Mora num conjugado. Quer dizer que não tem ninguém que eu possa pegar para aterrorizar. A não ser ele mesmo.” “Mas ele continua no hospital.” “E daí? Vou levar para ele um cacho de uvas. Você cuida da comida dos cachorros para mim?” “Pode deixar. Só que estamos sem pimenta Tabasco.” Os cachorros, Joe e Jeff, eram os pit bulls psicopatas de Lionel. O domínio deles era a estreita varandinha da cozinha, onde, o dia inteiro, os dois ficavam rosnando, andando para lá e para cá, e rodopiando — e levavam adiante sua guerra de latidos contra o bando de rottweilers que morava na varanda do prédio vizinho. “Não minta para mim, Desmond”, disse Lionel bem tranquilo. “Nunca minta para mim.” “Não estou mentindo!” “Você me disse que dava comida para os cachorros. E nunca me contou que dava molho de pimenta para eles!” “Tio Li, eu não tinha dinheiro! Só estavam vendendo os frascos grandes e eles custam cinco libras e noventa e cinco!” “Isso não é desculpa. Você devia ter roubado um vidro. Gastou trinta pratas, trinta pratas, na merda de um dicionário e não pode poupar uns trocadinhos para os cachorros?” “Eu nunca na vida gastei trinta pratas!… Vovó me deu. Ela ganhou nas palavras cruzadas. Nas palavras cruzadas premiadas.” “Joe e Jeff… eles não são bichinhos de estimação, Desmond Pepperdine. São ferramentas de trabalho para mim.” O trabalho de Lionel continuava a ser um mistério para Des.