Grace Kelly.
Um dia ideal para os peixes-banana e livros e cinema e gibis e nus e ataxia espinocerebelar e 𓋹
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O QUE MAISIE SABIA
Henry James
Um trecho:
Era da natureza das coisas nunca poderem ser explicadas a uma criancinha, mesmo quando desde o início fora infundido na criancinha em questão o temor infundado de que ela estivesse sabendo até demais. No momento, as coisas eram tão fiéis à sua natureza que quase todas as perguntas eram impróprias.
O NOME DA ROSA
Umberto Eco
Um trecho:
Prólogo
No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto a Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto a Deus e dever do monge fiel seria repetir cada dia com salmodiante humildade o único evento imodificável do qual se pode confirmar a incontrovertível verdade. Mas videmus nunc per speculum et in aenigmate e a verdade, ao invés de cara a cara, manifesta-se deixando às vezes rastros (ai, quão ilegíveis) no erro do mundo, tanto que precisamos calculá-lo, soletrando os verdadeiros sinais, mesmo lá onde nos parecem obscuros e quase entremeados por uma vontade totalmente voltada para o mal.
Chegando ao fim desta minha vida de pecador, enquanto, encanecido, envelheço como o mundo, à espera de perder-me no abismo sem fundo da divindade silenciosa e deserta, participando da luz inconversível das inteligências angélicas, já entrevado com meu corpo pesado e doente nesta cela do caro mosteiro de Melk, apresto-me a deixar sobre este pergaminho o testemunho dos eventos miríficos e formidáveis a que na juventude me foi dado assistir, repetindo verbatim quanto vi e ouvi, sem me aventurar a tirar disso um desenho, como a deixar aos que virão (se o Anticristo não os preceder) signos de signos, para que sobre eles se exercite a prece da decifração.
Conceda-me o Senhor a graça de ser testemunha transparente dos acontecimentos que tiveram lugar na abadia da qual é bem e piedoso se cale também afinal o nome, ao findar do ano do Senhor de 1327 em que o imperador Ludovico entrou na Itália para reconstituir a dignidade do sagrado império romano, segundo os desígnios do Altíssimo e a confusão do infame usurpador simoníaco e heresiarca que em Avignon lançou vergonha ao santo nome do apóstolo (falo da alma pecadora de Jacques de Cahors, que os ímpios honraram como João XXII).
Quem sabe, para compreender melhor os acontecimentos em que me achei envolvido, é bom que eu recorde o que andava acontecendo naquele pedaço de século, do modo como o compreendi então, vivendo-o, e do modo como o rememoro agora, enriquecido de outras narrativas que ouvi depois - se é que a minha memória estará em condições de reatar os fios de tantos e tão confusos eventos.
Desde os primeiros anos daquele século o papa Clemente V transferira a sede apostólica para Avignon deixando Roma às voltas com as ambições de senhores locais: e gradualmente a cidade santa da cristandade transformara-se num circo, ou num lupanar, dilacerada pelas lutas entre os seus maiores; dizia-se república, e não era, batida por bandos armados, submetida a violências e saques. Eclesiásticos que haviam se subtraído à jurisdição secular comandavam grupos de facínoras e rapinavam de espada em punho, prevaricavam e organizavam torpes tráficos. Como impedir que o Caput Mundi voltasse a ser, e justamente, a meta de quem quisesse vestir a coroa do sagrado império romano e restaurar a dignidade daquele domínio temporal que já fora dos césares?
Eis pois que no ano de 1314 cinco príncipes germânicos elegeram, em Frankfurt, Ludovico da Baviera regente supremo do império. Mas no mesmo dia, na outra margem do Meno, o conde palatino do Reno e o arcebispo de Colônia tinham eleito à mesma dignidade Frederico da Áustria. Dois imperadores para uma única sede e um único papa para duas: situação que se tornou, na verdade, incentivo para grande desordem...
Dois anos depois era eleito em Avignon o novo papa, Jacques de Cahors, velho de setenta e dois anos, justamente com o nome de João XXII, e queira o céu que nunca mais um pontífice assuma um nome assim, já tão malquisto pelos bons. Francês e devotado ao rei de França (os homens dessa terra corrompida estão sempre inclinados a favorecer os interesses dos seus, e são incapazes de olhar para o mundo inteiro como sua pátria espiritual), ele havia sustentado Filipe, o Belo, contra os cavaleiros templários, que o rei acusara (creio que injustamente) de vergonhosos crimes para apoderar-se de seus bens, cúmplice aquele eclesiástico renegado. Nesse ínterim, inserira-se na trama toda Roberto de Nápoles, que para manter o controle da península italiana convencera o papa a não reconhecer nenhum dos dois imperadores germânicos, e assim permanecera capitão-mor do estado da igreja.
Em 1322 Ludovico, o Bávaro, batia seu rival Frederico. Ainda mais temeroso de um único imperador, do que o fora de dois, João excomungou o vencedor, e este, em contrapartida, denunciou o papa como herético. É preciso dizer que, justamente naquele ano, tivera lugar em Perúgia o capítulo dos frades franciscanos, e o geral deles, Michele de Cesena, acolhendo as instâncias dos "espirituais" (sobre os quais terei ainda ocasião de falar) proclamara como verdade de fé a pobreza de Cristo, que, se tinha possuído alguma coisa com seus apóstolos, Ele a tivera apenas como usus facti. Digna resolução, que visava salvaguardar a virtude e a pureza da ordem; mas que desagradou sobremaneira ao papa, por talvez entrever nisso um princípio que teria posto em risco as mesmas pretensões que ele, como chefe da igreja, tinha de contestar ao império o direito de eleger bispos, encampando para o sacro sólio o de investir o imperador. Fossem essas ou outras as razões que o moviam, em 1323 João condenou as proposições dos franciscanos com a decretal Cum inter nonnullos.
Foi nesse ponto, imagino, que Ludovico viu nos franciscanos, já então inimigos do papa, poderosos aliados. Afirmando a pobreza de Cristo eles, de certo modo, revigoravam as idéias dos teólogos imperais, ou seja, de Marsilio de Pádua e Giovanni de Gianduno. E por fim, não muitos meses antes dos eventos que estou narrando, Ludovico, que havia chegado a um acordo com o vencido Frederico, descia na Itália, era coroado em Milão, entrava em conflito com os Visconti, que todavia o tinham acolhido com favor, sitiava Pisa, nomeava vigário-imperial Castruccio, duque de Lucca e Pistóia (e creio que fizesse mal porque não conheci jamais homem mais cruel, exceto talvez Uguccione de Faggiola), e já se aprestava a entrar em Roma, chamado por Sciarra Colonna, senhor do lugar.
Eis como era a situação quando eu - então noviço beneditino no mosteiro de Melk - fui tirado da tranqüilidade do claustro por meu pai, que se batia no séquito de Ludovico, não o último dentre seus barões, e que achou de bom alvitre levar-me consigo para que conhecesse as maravilhas da Itália e estivesse presente quando o imperador fosse coroado em Roma. Mas o sítio a Pisa absorveu-o nas lides militares. Eu tirei vantagem disso vagando, um pouco por ócio e um pouco por desejo de aprender, pelas cidades da Toscana, mas essa vida livre e sem regra não convinha, pensaram meus genitores, a um adolescente voltado à vida contemplativa. E a conselho de Marsílio, que começara a ter afeição por mim, decidiram pôr-me junto de um sábio franciscano, frei Guilherme de Baskerville, que estava para iniciar uma missão que o levaria a cidades famosas e abadias antiqüíssimas. Tornei-me assim seu escrivão e discípulo ao mesmo tempo, nem tive do que me arrepender, porque fui com ele testemunha de acontecimentos dignos de serem consignados, como estou fazendo agora, para memória daqueles que virão.
Eu não sabia então o que frei Guilherme estava procurando, e para dizer a verdade não o sei ainda hoje, e presumo que nem ele mesmo soubesse, movido que estava pelo desejo único da verdade, e pela suspeita - que sempre o vi alimentar - de que a verdade não fosse a que lhe aparecia no momento presente. E talvez naqueles anos ele estivesse distraído de seus estudos prediletos por incumbências do século. A missão de que Guilherme estava encarregado continuou desconhecida para mim durante toda a viagem, ou melhor, ele não me falou dela. Foi antes ouvindo trechos de conversas, que ele teve com os abades dos mosteiros em que nos detínhamos cada vez, que formei alguma idéia da natureza de sua tarefa. Mas não a compreendi de todo enquanto não atingimos nossa meta, como contarei mais tarde. Dirigíamo-nos para setentrião, mas nossa viagem não procedeu em linha reta e nos detivemos em várias abadias. Acontece que dobramos para ocidente enquanto nossa meta última ficava a oriente, quase seguindo a linha dos montes que de Pisa leva em direção aos caminhos de San Giacomo, parando numa terra em que os terríveis acontecimentos que lá ocorreram depois me desaconselham a identificar melhor, mas cujos senhores eram fiéis ao império e onde os abades de nossa ordem opunham-se de comum acordo ao papa herege e corrupto. A viagem durou duas semanas, entrecortadas por vários acontecimentos, e nesse tempo tive oportunidade de conhecer (nunca o suficiente, como sempre me convenço) meu novo mestre.
Nas páginas que seguem não vou me deter em descrições de pessoas - a não ser quando a expressão de um rosto, ou um gesto, apareçam como sinais de muda mas eloqüente linguagem - porque, como diz Boecio, nada é mais fugaz que a forma exterior, que perde o viço e muda como as flores do campo com o aparecimento do outono, e que sentido teria hoje dizer do abade Abbone, que tinha o olhar severo e as faces pálidas, quando agora ele e os que o rodeavam já são pó e do pó seu corpo tem o cinzento da morte (só a alma, queira Deus, resplandecendo de uma luz que não se apagará nunca mais)? Mas de Guilherme queria falar, e de uma vez por todas, porque dele também me tocaram as feições singulares, e é próprio dos jovens ligarem-se a um homem mais velho e mais sábio, não só pelo fascínio da palavra e agudez da mente, mas também pela forma superficial do corpo, que se torna querida, como acontece com a figura de um pai, de quem se estudam os gestos, os arrufos, e se espia o sorriso - sem que sombra alguma de luxúria contamine este modo (talvez o único puríssimo) de amor corporal.
Os homens de outrora eram grandes e belos (agora são crianças e anões), mas esse fato é apenas um dos muitos que testemunham a desventura de um mundo que vai envelhecendo. A juventude não quer aprender mais nada, a ciência está em decadência, o mundo inteiro caminha de cabeça para baixo, cegos conduzem outros cegos e os fazem precipitar-se nos abismos, os pássaros se lançam antes de alçar vôo, o asno toca lira, os bois dançam. Maria não ama mais a vida contemplativa e Marta não ama mais a vida ativa, Léa é estéril, Raquel tem olhos lúbricos, Catão freqüenta os lupanares, Lucrécio vira mulher. Tudo está desviado do próprio caminho. Sejam dadas graças a Deus por eu naqueles tempos ter adquirido de meu mestre a vontade de aprender e o sentido do caminho reto, que se conserva mesmo quando o atalho é tortuoso.
Era pois a aparência física de frei Guilherme de tal porte que atraía a atenção do observador mais distraído. Sua estatura superava a de um homem normal e era tão magro que parecia mais alto. Tinha olhos agudos e penetrantes; o nariz afilado e um tanto adunco conferia ao rosto a expressão de alguém que vigia, salvo nos momentos de torpor, dos quais falarei. Também o queixo denunciava nele uma vontade firme, mesmo se o rosto alongado e coberto de efélides - como vi freqüentemente nos nascidos entre Hibérnia e Nortúmbria - pudesse às vezes exprimir incerteza e perplexidade. Percebi com o tempo que o que parecia insegurança era ao contrário apenas curiosidade, mas de início eu pouco sabia dessa virtude, que acreditava antes uma paixão da alma concupiscente, achando que a alma racional não devia dela se nutrir, alimentando-se tão-somente da verdade, coisa que (pensava eu) já se sabe desde o início.
Criança que era, o que logo me tocara nele eram certos tufos de pêlos amarelados que lhe escapavam das orelhas, e as sobrancelhas espessas e loiras. Podia ele ter cinqüenta primaveras e já era portanto muito velho, mas movia o corpo incansável com uma agilidade que eu muitas vezes não tinha. Sua energia parecia inexaurível, quando o colhia um excesso de atividade. Mas de vez em quando, como se seu espírito vital participasse da natureza do camarão, recedia a momentos de inércia e o vi permanecer horas sobre o catre em sua cela, pronunciando a custo algum monossílabo, sem contrair um só músculo do rosto. Nessas ocasiões aparecia-lhe nos olhos uma expressão vazia e ausente, e teria suspeitado que estava sob o império de alguma substância vegetal capaz de provocar visões, se a patente temperança que lhe regulava a vida não me tivesse induzido a rejeitar tal pensamento. Não escondo todavia que, no curso da viagem, detivera-se às vezes na beira de um prado, nas bordas de uma floresta, para apanhar alguma erva (creio que sempre a mesma): e punha-se a mascá-la com rosto absorto. Trazia uma pequena provisão consigo, que comia nos momentos de maior tensão (e quão freqüentes eles foram na abadia!). Uma vez que lhe perguntei de que se tratava, disse sorrindo que um bom cristão pode de vez em quando aprender com os infiéis; e quando lhe pedi para prová-la, respondeu-me que, assim como ocorre com os discursos, também entre humildes existem os paidikoi, ephebikoi e gynaikeioi e assim por diante, de modo que as ervas que são boas para um velho franciscano não são boas para um jovem beneditino.
O tempo que estivemos juntos não tivemos oportunidade de levar vida muito regular: mesmo na abadia velamos à noite e caímos cansados de dia, nem participamos regularmente dos ofícios sagrados. Contudo, em viagem, raramente ficava acordado após as completas e tinha hábitos parcos. Algumas vezes, como aconteceu na abadia, passava o dia inteiro movendo-se no horto, examinando as plantas como se fossem crisóprasos ou esmeraldas, e o vi andando pela cripta do tesouro admirando um escrínio cravejado de esmeraldas e crisóprasos como se fosse uma touceira de estramônio. Outras vezes permanecia o dia todo na sala grande da biblioteca folheando manuscritos como a procurar neles nada além que o próprio prazer (enquanto ao nosso redor se multiplicavam os cadáveres dos monges horrivelmente assassinados). Um dia encontrei-o passeando no jardim sem objetivo aparente, como se não precisasse prestar contas a Deus de seus atos. Na Ordem haviam-me ensinado um modo bem diverso de dividir o meu tempo, e eu lhe disse isso. E ele respondeu que a beleza do cosmos é dada não só pela unidade na variedade, mas também pela variedade na unidade.
Pareceu-me uma resposta ditada por deseducada empiria, mas aprendi em seguida que os homens de sua terra freqüentemente definem as coisas de modo a parecer que a força iluminadora da razão tenha pouquíssima serventia.
Durante o período que permanecemos na abadia vi-lhe sempre as mãos cobertas pela poeira dos livros, pelo ouro das miniaturas ainda frescas, pelas substâncias amareladas que tocara no hospital de Severino. Dava a impressão de não poder pensar a não ser com as mãos, coisa que então me parecia mais digna de um mecânico (e haviam-me ensinado que o mecânico é moechus, e comete adultério nos confrontos da vida intelectual a quem deveria estar unido em castíssimo esponsal): porém mesmo quando suas mãos tocavam coisas muito frágeis, como certos códices de miniaturas ainda frescas, ou páginas corroídas pelo tempo e friáveis como pão ázimo, ele possuía, parece-me, uma extraordinária delicadeza de tato, a mesma que usava para tocar suas máquinas. Direi, com efeito, que este homem curioso trazia consigo, em seu saco de viagem, instrumentos que não tinha visto até então, e que ele definia como suas maravilhosas máquinas. As máquinas, afirmava, são efeito da arte, que é macaco da natureza, e dela reproduzem não as formas mas a própria operação. Assim me explicou ele as maravilhas do relógio, do astrolábio e do ímã. Mas no início pensei tratar-se de bruxaria, e fingi dormir algumas noites serenas em que ele se punha (com um estranho triângulo na mão) a observar as estrelas.
Os franciscanos que conhecera na Itália e na minha terra eram homens simples, quase sempre iletrados, e me espantei com ele por sua sabedoria. Mas ele me disse sorrindo que os franciscanos de suas ilhas eram de outra cepa: "Roger Bacon, que eu venero como mestre, nos ensinou que o plano divino passará um dia para a ciência das máquinas, que é magia natural e santa. E um dia, por força da natureza, poderão ser feitos instrumentos de navegação graças aos quais as naves irão unico homine regente, e bem mais rápidas que as impelidas a vela ou a remos; e haverá carros 'ut sine animali moveantur cum impetu inaestimabili, et instrumenta volandi et homo sedens im medio instrumentis revolvens aliquod ingenium per quod alae artificialiter composita aerem verberent, ad modum avis volantis'. E instrumentos minúsculos que erguerão pesos infinitos e veículos que permitirão viajar no fundo do mar."
Quando lhe perguntei onde estavam essas máquinas, disse-me que já tinham sido feitas na antigüidade, e algumas até em nossos tempos: "Exceto o instrumento para voar, que não vi nem conheci quem o tivesse visto, mas conheço um sábio que o imaginou. E é possível fazer pontes que atravessem os rios sem colunas ou qualquer outro sustentamento e outras máquinas inauditas. Mas não precisas ficar preocupado se não existem ainda, porque não quer dizer que não existirão. E eu te digo que Deus quer que existam, e certamente já estão em sua mente, ainda que meu amigo de Ockham negue que as idéias existam desse modo, e não porque podemos decidir pela natureza divina, mas justamente porque não podemos impor-lhe limite algum." Nem foi esta a única proposição contraditória que o ouvi enunciar: e mesmo agora que sou velho e mais sábio que naquele tempo, não compreendo definitivamente como ele pudesse ter tanta confiança em seu amigo de Ockham e ao mesmo tempo jurar sobre as palavras de Bacon, como costumava fazer. É verdade, no entanto, que aqueles eram tempos obscuros em que um homem sábio precisava pensar coisas contraditórias entre si.
Bem, disse de frei Guilherme coisas insensatas talvez, como a recolher desde o início as impressões desconexas que eu tive então. Quem foi ele, e o que fez, meu bom leitor, poderás talvez deduzir melhor pelas ações que praticou nos dias que passamos na abadia. Não te prometi um desenho completo, porém um elenco de fatos (estes sim) miríficos e terríveis.
Conhecendo assim dia a dia o meu mestre, passando as longas horas de marcha em longas conversas sobre as quais, conforme o caso, contarei pouco a pouco, atingimos as faldas do monte sobre o qual se erguia a abadia. E é hora que, como fizemos então, dela se aproxime minha narrativa, e possa minha mão não tremer quando começar a contar o que aconteceu em seguida.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
A MORTE DO FAZEDOR DE FILMES
__ Muito cedo eu percebi que o lugar mais emocionante do cinema é atrás da câmera.
Dino de Laurentis (1919 – 2010)
OLD MAN AT THE BRIDGE
Ernest Hemingway
Um velhinho com óculos de aro de metal, roupas carregadas de pó, estava sentado ao lado da estrada. No rio havia uma ponte de barcas. Camiões, carroças, homens, mulheres e crianças atravessavam-na. As carroças, puxadas a mulas, oscilavam ao trepar a margem íngreme. Soldados, agarrados aos aros das rodas, empurravam para auxiliar. À frente daquela mole, abrindo caminho, iam os camiões, e os camponeses esforçavam-se por se deslocar, enterrados naquela terrice seca que lhes dava pelo tornozelo. Porém, o velhinho que se sentara, nem se mexia. Estava demasiado fatigado para ir mais longe.
A minha missão era a travessar o rio, explorar a testa de ponte que, para além dele, se estabelecera, e descobrir até que ponto o inimigo tinha avançado. Cumprira as instruções recebidas e estava já de regresso. Agora, havia menos carroças e menos gente a pé, mas o velhinho lá estava.
- Você donde vem? . perguntei-lhe.
- De San Carlos . respondeu-me sorrindo.
Era a sua terra natal. Por isso teve prazer em mencioná-la e sorriu.
- Era eu quem cuidava dos animais . explicou.
- Oh! . exclamei eu, não percebendo lá muito bem.
- Sim . insistiu ele . Eu cuidava lá dos animais. Fui a última pessoa a abandonar a cidade de San Carlos.
Ele não tinha ar nem de pastor, nem de guardador de gado. Olhei para as suas roupas impreganadas de poeira negra, para o seu rosto cinzento de poeira, para os seus óculos com aros de metal e perguntei:
- Que animais?
- Vários animais . respondeu, agitando a cabeça. . Tive de os abandonar.
Olhei, então, para a ponte das barcas, para aquela zona do delta do Ebro que parecia mesmo África, perguntando a mim próprio quanto tempo teríamos ainda de esperar até vermos o inimigo, à escuta dos ligeiros ruídos que significassem esse acontecimento misterioso chamado .contacto.. O velhinho continuava sentado.
- Que animais eram? . perguntei,
- Eram só três animais . explicou . Duas cabras, um gato. Havia ainda quatro casais de pombos.
- E teve de os abandonar? . insisti.
- Tive. Por causa da artilharia. O capitão mandou-me seguir, por causa da artilharia.
- E você não tem família? . inquiri, vigiando a outra extremidade da ponte, onde os últimos carros se apressavam a descer para a margem.
- Não . respondeu. . Só os animais que lhe disse. O gato, é claro, com esse não haverá perigo. Os gatos governa-se sozinhos, mas não faço ideia do que vai ser dos outros.
- Quais são as suas ideia políticas? . perguntei.
- Não tenho ideias políticas . respondeu. . Tenho setenta e seis anos. Já caminhei doze quilómetros e agora acho que não posso andar mais.
- Mas isto não é um bom lugar para ficar parado . observei. . Se aguentar, arranjará um camião na encruzilhada para Tortosa.
- Vou esperar aqui um bocado . respondeu ele. . Depois irei. Para onde é que vão esses camiões?
- Para Barcelona . disse-lhe eu.
- Não conheço ninguém para esses lados . comentou. . Mas muito obrigado. Muito, muito obrigado.
Olhava para mim. O seu rosto estava pálido, denunciando fadiga. Depois . vendo-se nitidamente que precisava de compartilhar as suas preocupações com alguém . disse:
- Tenho a certeza que com o gato não haverá perigo. Não preciso de me preocupar com ele. O pior são os outros. Diga-me uma coisa: O que é que pensa a respeito dos outros?
- Acho que se vão desenrascar.
- Acha que sim?
- Porque não? . retorqui-lhe, olhando para a outra margem onde já não havia quaisquer carroças.
- Mas que hão-de eles fazer debaixo do fogo de artilharia, quando a mim me disseram para retirar?
- Você deixou o pombal aberto? . perguntei-lhe.
- Deixei.
- Então os pombos fogem.
- Sim, claro que fogem. Mas os outros? Nem é bom pensar nos outros!
- Se já repousou é melhor andar . apressei-o eu. . Levante-se e experimente andar.
- Obrigado . disse.
Levantou-se, oscilou como um pêndulo, e deixou-se cair para trás, sentado na poeira.
- Eu cuidava dos animais . disse, melancolicamente.
E, agora, já não era para mim que falava.
- Eu só cuidava dos animais...
Não havia nada a fazer-lhe. Estávamos no domingo de Páscoa, e os fascistas avançavam para o Ebro. O dia mostrava-se triste e cinzento. As nuvens rasavam a terra. Por isso, não apareciam os aviões do inimigo. Essa circunstância e o facto de os gatos serem capazes de perfeitamente tomarem conta de si mesmos, eram as únicas coisas que, poderiam constituir para o velhinho um pálido sorriso da fortuna.
Vi em O Observador.
CINEMA E LITERATURA
Rubem Fonseca
Os jovens, da minha geração, queriam ser poetas. Mas alguns sonhavam com a poesia porque o cinema era um sonho que parecia impossível. Hoje os jovens sonham, e se realizam, com o cinema. Eu sempre gostei de cinema, mas tornei-me apenas um cinéfilo. Só fui me envolver com essa atividade depois de ter escrito duas dúzias de livros. Mas o meu envolvimento tem sido como roteirista, não obstante eu deva confessar que gostaria também de ser diretor.
Já escrevi roteiros baseados em romances ou contos meus – A grande arte, O caso Morel, que infelizmente não foi terminado; Bufo&Spallanzani; Relatório de um homem casado e acabo de escrever o roteiro de Diário de um fescenino. Já escrevi roteiros originais (Stelinha, A extorsão) e, finalmente, escrevi roteiros baseados em romances dos outros – O homem do ano, baseado no livro O matador, de Patrícia Melo e dirigido por José Henrique Fonseca.
O que foi mais difícil?
O mais difícil é fazer um roteiro baseado em obra literária já publicada, como no caso de O homem do ano. Até nos casos em que eu mesmo havia escrito a obra literária, como Bufo&Spallanzani, o roteiro foi mais difícil de escrever. Se vocês perguntarem ao Jean-Claude Carrière, que já escreveu dezenas de roteiros, o que foi mais trabalhoso e difícil de fazer, o roteiro de The unbearable lightness of being, baseado no livro de Milan Kundera, ou o roteiro original de Le charme discret de la bourgeoisie, ele responderá que foi o roteiro baseado no romance do Kundera.
Um roteiro é escrito várias vezes. Isso, aliás, é comum na feitura de textos literários em geral, principalmente na poesia. (Um poema nunca termina de ser escrito, ele é abandonado, como disse Valèry, o que vale para os textos literários também). Consta que Platão escreveu a primeira frase de A república cinqüenta vezes. Flaubert ficou trinta anos escrevendo A tentação de santo Antonio. Poderia citar dezenas de exemplos dessa fúria revisória, nos vários gêneros literários, mas toda citação excessiva de nomes, até em textos acadêmicos, é uma chatice.
Com os roteiros cinematográficos ocorre a mesma coisa, a diferença é que além do autor do roteiro, outras pessoas participam dessa revisão, quase sempre o diretor do filme, notadamente aqui no nosso país, e também o produtor. Isso aconteceu comigo, quando trabalhei, entre outros, com os Tambellini (pai e filho, em épocas diferentes), a Suzana Amaral, o Walter Salles, o Miguel Faria, e, mais recentemente, com o José Henrique Fonseca.
O que queremos todos nós envolvidos nesse processo? Os mais pretensiosos (e todo aquele que quer criar alguma coisa deve ser "pretensioso", buscar o seu nível de excelência) querem realizar uma obra de arte. Wagner quando compôs suas óperas almejava alcançar aquilo que ele denominava Gesamtkunstwerk – a obra de arte completa, que englobasse a música, a poesia e o drama, a pintura, a arquitetura, a dança. Estávamos no século XIX e se alguma arte poderia megalomaniacamente dizer isso era a ópera.
Já existia uma coisa chamada "lanterna mágica", que havia surgido no século XVII, um foco de luz que iluminava placas de vidro pintadas à mão. Essas imagens eram projetadas numa parede branca e os temas representados estavam ligados à religião. Chamava a atenção tanto de adultos como de crianças. Certamente não era a Gesamtkunstwerk apregoada por Wagner.
Demorou algum tempo até que os irmãos Lumière – August e Louis – no fim do século XIX, 1895, criassem o cinematógrafo, uma espécie de ancestral da filmadora, movido a manivela, utilizando negativos perfurados para registrar o movimento. O cinematógrafo tornou possível a projeção de imagens para o público. Eram imagens em movimento, não aquela coisa parada da lanterna mágica.
Há mais de cem anos, em 28 de dezembro de 1895, ocorreu a primeira exibição pública das obras dos Lumière, no Grand Café, de Paris – A saída dos operários das usinas Lumière, A chegada do trem na estação, O almoço do bebê, O mar foram alguns dos filmes apresentados, que deixaram os espectadores atônitos. As produções eram rudimentares, e, como vimos, documentários curtos sobre a vida quotidiana, de dois minutos de projeção, filmados. A apresentação pública do cinematógrafo marcou oficialmente o início da história do cinema. Porém faltava uma coisa muito importante – o som. Que somente apareceu três décadas depois, no final dos anos 20.
O invento dos Lumière se desenvolveu. Os cineastas, além dos documentários, partiram para a ficção. Surgiram Max Linder (que teria inspirado Chaplin) e outros comediantes, em vários paises. O americano Edwin S. Porter, em 1903, apresenta um trabalho pioneiro em a Vida de um bombeiro americano e, com O grande roubo do trem, inaugura o western.
Despontam então dois grandes nomes dos primórdios do cinema: George Meliés e David Griffith. Meliés nasceu na França em 1861 e morreu em 1938. Meliés foi um pioneiro na utilização de figurinos, atores, cenários e maquiagem, opondo-se ao estilo documentarista. Realizou os primeiros filmes de ficção, Viagem à lua e A conquista do Pólo, em 1902. O outro precursor é David Griffith, nascido nos Estados Unidos em 1875, onde morreu em 1948. No cinema foi o primeiro a tirar a câmera do tripé e a usar a montagem de uma maneira dinâmica e criativa. Com The birth of a nation (O nascimento de uma nação), de 1915, abriu caminho para a criação da indústria cinematográfica americana. (Dizem que Griffith visualizou o filme inteiro em sua mente e não escreveu um roteiro nem fez quaisquer anotações, mas eu não acredito nisso. Esta sentença "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão" é responsável por muita porcaria.) Com Intolerância, de 1916, Griffith fortaleceu o impulso dado com The birth...
Começaram a chamar o cinema de a Sétima Arte. Havia sido encontrada a almejadaGesamtkunswerk do Wagner? Sim? Não?
Não. O cinema era mudo, não tinha a poesia dos textos falados, nem a música, essas formas de arte da maior importância. Como poderia arrogar-se o direito àGesamtkunstwerk? Era um excesso de (bem-vinda) pretensão.
As primeiras experiências de sonorização, feitas por Thomas Edison, em 1889, são seguidas por Auguste Baron (1896) e por Henri Joly (1900), mas os seus sistemas ainda tinham sérias falhas de sincronização imagem-som. O aparelho do americano Lee de Forest, de gravação magnética em película (1907), que permitia a reprodução simultânea de imagens e sons, foi adquirido em 1926 pela Warner Brothers. A companhia produziu o primeiro filme com música e efeitos sonoros sincronizados – Don Juan, de Alan Crosland, e o primeiro com passagens faladas e cantadas, O cantor de jazz (1927), também de Crosland, com Al Jolson, grande nome da Broadway. E ainda o primeiro inteiramente falado, Luzes de Nova York, de Brian Foy (1928). No ano seguinte, 1929, o cinema falado já representava 51% da produção americana. Outros centros, notadamente França, Alemanha, Suécia e Inglaterra começaram a explorar o som. A partir de 1930, Rússia, Japão, Índia e os países da América Latina recorrem à nova descoberta. A adesão de quase todas as produtoras ao novo sistema abalou convicções, causou o afastamento de atores e diretores. A linguagem cinematográfica teve que ser reformulada. Diretores importantes, como Charlie Chaplin e René Clair, entre outros, resistiram, dizendo que o cinema não precisava da fala dos artistas. Mas os dois acabaram aderindo, como sabemos, não obstante o cinema falado de Chaplin seja muito inferior ao que ele fazia antes. Alguns de seus filmes, como A Countess from Hong Kong (1967) eA King in New York (1957) são extremamente decepcionantes.
Durante a I Guerra Mundial, a produção de filmes concentra-se em Hollywood, na Califórnia, onde surgem os primeiros grandes estúdios. Dos anos 1930 até hoje a maior parte da produção mundial converge para Hollywood, mas muitos centros espalhados por todos os continentes produzem obras que merecem destaque.
Afinal, o que é o cinema, hoje? É chamado de a sétima arte, o que é correto. Mas ainda não podemos chamar o cinema de Gesamtkunstwerk, obra de arte completa. O cinema é, por enquanto, uma arte híbrida. E o problema principal é que o filme depois de algum tempo fica "datado", um bom filme antigo não é fruído com a mesma admiração, como ocorre com as outras boas obras de arte. Pode-se ouvir Mozart, ou reler o Dom Quixote, ou contemplar a capela Sistina com o mesmo prazer da primeira visita. No cinema, um filme antigo, com algumas raras exceções, pode ser visto apenas como curiosidade histórica. (Há casos de sofisticados cinéfilos que gostam e revêem filmes antigos, descobrindo novidades neles). Essa datação que o cinema sofre me parece ser o problema que exige que a sétima arte, ou "the industry", como os americanos a definem, seja um objeto de consumo renovado incessantemente. Pensem nisso, meus leitores do Portal Literal.
Para finalizar este artigo que já se estendeu demasiadamente, quero abordar a adaptação cinematográfica de obras literárias.
Antes de mais nada devo dizer que escrever para o cinema é diferente de qualquer outra forma de expressão escrita. Os elementos visuais são tão importantes quanto as descrições e diálogos. Como o investimento é muito grande, o roteiro tem que ser do agrado do produtor. E, como disse acima, o diretor também sempre interfere e o roteiro sempre passa por diferentes tratamentos, que levam em consideração uma porção de aspectos, um deles, talvez o mais importante, a aprovação do público. O escritor de ficção não tem que se incomodar com isso. Contudo, sem a imaginação dos roteiristas, boas histórias nunca são contadas no cinema. O cineasta e teórico russo Lev Vladimirovich Kulechov, que introduziu a arte da montagem, afirma em seu livro A arte do cinema que cinema é basicamente argumento e montagem, ou seja, as duas figuras mais importantes do filme são o roteirista e o montador. Eu concordo com ele, quanto à importância fundamental do roteirista, mas acredito que a figura do diretor é ainda mais importante. Reconheço que o cinema é, como diz a propaganda, "a maior diversão", que o cinema é a sétima arte. Ainda que não seja a obra de arte total é uma arte que usa as outras artes como suportes, da melhor maneira possível.
Mas, apenas para provocar, faço a seguinte pergunta: O que é mais importante como Arte, a palavra escrita – poesia, ficção, teatro – ou o cinema? Qual das duas pode atingir um nível de excelência mais elevado?
Que tal, apenas como exercício, compararmos as vantagens da literatura e as do cinema? Vamos, brevemente, examinar isso.
Vantagens da literatura:
1 - Polissemia e participação criativa. O David Neves, quando resolveu filmar a minha história Lúcia McCartney, disse-me que tinha a Lúcia "perfeita, exatamente como você a descreve no livro" e marcou um almoço nosso. A Lúcia, "exatamente como eu a descrevia no livro", segundo o David, era a Adriana Prieto, uma mulher jovem de cabelos louros, olhos azuis, lábios finos, um rosto bonito que lembrava as atrizes européias nórdicas. "Não é igualzinha?", perguntou o David. Evitei responder. Na verdade eu não descrevo a Lúcia na minha história, ela pode ser branca, mulata, negra, magra ou gorda. Porque essa é a grande riqueza da literatura, a participação do leitor, que preenche as lacunas deixadas pelo autor, do leitor que usa a sua imaginação recriando a história que leu, reinventando os personagens. O cinema não permite isso. A Lúcia era, axiomaticamente, uma linda e elegante mulher loura de olhos azuis. O espectador não precisava (nem podia) usar a sua imaginação. O leitor compartilha do livro não apenas estética e emocionalmente, ele tem uma participação criativa. Ele sempre "reescreve" o livro, à sua maneira.
2 - Permanência. Vejam que tipo de reação despertam os filmes clássicos, Grifith, e outros. Eles ficam "datados".
3 - O filme necessita da palavra escrita, até o cinema mudo precisava. Lembram-se de Kulechov – argumento e montagem?
4 – Literatura é tão importante que diretores do mainstream, como Scorsese, Spielberg e outros, aconselham os diretores a lerem, por considerarem a leitura importante para o trabalho que realizam. Nenhum escritor aconselha outros escritores a irem ao cinema, por ser importante para o trabalho que fazem. Há uma frase interessante do escritor Gore Vidal que, além de romancista famoso escreveu vários roteiros. Vidal afirma: "Cinema é roteiro. Uma coisa é certa: o roteiro é fundamental para o filme. Assim como para o corpo humano uma boa e simétrica estrutura óssea é que vai permitir ao corpo ser bonito e atraente, no cinema isso é feito pelo roteiro". Cinema é argumento e montagem, estou repetindo Kulechov. Chaplin usava menos de dez por cento do que ele filmava, o resto era cortado na sala de montagem.
Vantagem do cinema:
Tem que haver uma razão para a popularidade do cinema.
Com exceção de alguns poucos ensaístas franceses rabugentos, não me lembro de nenhum escritor, músico, pintor que não goste de cinema, todo mundo gosta de cinema. Talvez porque, mesmo tendo por enquanto falhado em tornar-se aGesamtkunstwerk wagneriana, é a arte que mais se aproxima desse ideal, e talvez, um dia, venha a deixar de ser uma arte apenas híbrida para tornar-se uma arte completa.
Concluo, agora realmente, fazendo uma relação, breve – e arbitrária evidentemente – de filmes melhores e filmes piores do que a obra literária.
Alguns filmes melhores do que o livro:
Gone with the Wind ou E o vento levou. O filme dirigido por Victor Fleming é melhor do que o romance da Margareth Mitchell.
The Godfather. O filme de Francis Ford Coppola é melhor do que o livro do Mario Puzzo, do mesmo nome.
Blade Runner. O filme de Ridley Scott é melhor do que o livro do criativo Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? no qual se baseia. (Não usaram o nome do livro porque, para os produtores, não devia ser muito comercial).
Filmes piores do que o livro:
Eles são tantos, os filmes piores do que os livros, que seria cansativo arrolar todos aqui. Todos os filmes baseados em Homero, Proust, Kafka, Joyce (com uma ressalva), Tolstoy, Tchecov, Remarque, Victor Hugo, Poe, Thomas Mann, Hemingway, Fitzgerald, não importa a categoria literária, pode até ser romance policial como os de Wilkie Collins, Raymond Chandler, Dashiell Hammett são inferiores ao original literário.
Como sempre, existem exceções, filmes que mantêm o mesmo nível do original literário, como Berlin Alexanderplatz (Alfred Döblin/Fassbinder), The Dead(Joyce/Huston – a ressalva que fiz acima), entre outros.
Essas listas de filmes ocupariam um montão de páginas. Meus leitores do Portal Literal que façam as deles.