segunda-feira, 22 de março de 2021

Entrevista Anthony Burgess

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- O senhor está de alguma forma aborrecido com as acusações de que é prolífico demais ou de que seus romances são muito alusivos?

Tornou-se pecado ser prolífico somente desde que o grupo de Bloomsbury - principalmente Forster - transformou em uma questão de boas maneiras produzir, por assim dizer, sovinamente. Tenho ficado menos aborrecido pelo fato de zombarem de minha alegada superprodução do que pela insinuação de que escrever muito significa escrever mal. Sempre escrevi com grande cuidado, e até com certa lentidão. Simplesmente dedico mais horas por dia a essa tarefa do que alguns escritores parecem ser capazes de dedicar. Quanto às alusões - significando, suponho, alusões literárias -, isso está, com certeza, dentro da tradição. Todo livro tem por trás de si todos os outros livros que já foram escritos. O autor está a par deles; o leitor devia estar a par, também.

- O senhor escreve primeiro as grandes cenas, como fazia Joyce Cary?

Começo no início, continuo até o fim, então paro.

- Faz o projeto completo de cada livro antes de começar?

A princípio planejo um pouco - lista de nomes, sinopse rudimentar dos capítulos etc. Mas não ouso planejar demais; tantas coisas são produzidas pelo simples ato de escrever.

- Depois que os médicos diagnosticaram um tumor cerebral após o colapso que sofreu em sala de aula, em Brunei, por que o senhor escolheu escrever durante aquele "ano terminal", em vez de, digamos, viajar? Ficou reduzido à condição de semi-invalidez?

Eu não era semi-inválido. Estava ativo e em boas condições físicas (o que me fazia duvidar da veracidade do diagnóstico). Mas para viajar pelo mundo é preciso dinheiro, e isso eu não tinha. Somente na ficção as pessoas no "último ano de vida" têm alguma coisa escondida. O fato é que minha mulher e eu precisávamos comer etc., e o único trabalho que eu podia fazer (quem me daria um emprego?) era escrever. Escrevia muito porque me pagavam pouco. Não tinha um grande desejo de deixar um nome na literatura.

- Seu estilo de algum modo mudou durante aquele ano, por se sentir condenado?

Acho que não. Já tinha idade bastante para ter estabelecido algum tipo de estilo narrativo; mas o problema de trabalhar o estilo surgiu mais tarde, é claro. Os romances escritos no chamado ano quase-terminal - ano pseudoterminal - não foram escritos, sabe, com pressa excessiva; era apenas uma questão de trabalhar com afinco todo dia - e o dia todo - inclusive à noite. Fui bastante cuidadoso com as obras, e o que as pessoas procuram no que parece uma quantidade excessiva de produção é alguma evidência de falta de cuidado. Pode ser que haja um pouco disso; mas não é devido à rapidez ou aparente rapidez, mas sim por minhas imperfeições. Não creio que seja possível dizer que um determinado trabalho foi obviamente escrito durante o ano terminal. Não creio que haja alguma diferença qualitativa entre os diversos romances; e, certamente, eu não estava consciente de nenhuma influência no estilo, na forma de escrever, causada por essa revelação.

- Usa algumas vezes formas musicais ao planejar seus romances?

Ah, sim, aprende-se bastante com formas musicais. Estou planejando um romance no estilo de uma sinfonia clássica - minueto e tudo. As motivações serão puramente formais, de modo que uma parte de desenvolvimento em que são representadas fantasias sexuais poderá seguir-se a uma exposição realista, sem explicação nem estratagema intermediário, voltando a ela (agora como recapitulação) com a mesma ausência de justificativa psicológica ou artifício formal.

- Os compositores lidam bastante com transições. Não é esse exato exemplo de composição literária por analogia musical um modelo de "artifício formal", entendido melhor pelo leitor que seja ao menos músico amador?

Creio que a música ensina a profissionais de outras artes estratagemas formais úteis; mas o leitor não precisa conhecer sua procedência. Eis um exemplo: um compositor modula de uma clave a outra com o uso do acorde "ambíguo", o sexto aumentado (ambíguo porque é também o sétimo dominante). Em um romance, pode-se mudar de uma cena para outra usando uma frase ou uma afirmação comum a ambas - isso é muito freqüente. Se a frase ou afirmação significa coisas diferentes nos diferentes contextos, fica mais musical ainda.

- Que me diz da técnica cinematográfica como influência em seus escritos?

Tenho sido muito mais influenciado pelo teatro do que pelo cinema. Escrevo cenas longas demais para serem representadas sem interrupção no cinema. Mas gosto de imaginar uma cena antes de escrevê-la, vendo tudo acontecer, ouvindo um pouco do diálogo. Já escrevi tanto para a televisão como para o cinema, mas não com muito sucesso. Era literário demais ou algo assim. Os produtores de filmes históricos me chamam para revisar os diálogos, mas eles acabam saindo na forma original.

- O senhor espera escrever outro romance sobre o futuro, como A clockwork orange ou The wanting seed?

Não tenho planos para um romance sobre o futuro, exceto uma história louca em que a Inglaterra se transforma em um simples parque de diversões administrado pelos Estados Unidos.

- O senhor mencionou que A clockwork orange tem um capítulo final na edição britânica que não consta das edições americanas. Isso o incomoda?

Sim, detesto ter duas versões diferentes do mesmo livro. A edição norte-americana tem um capítulo a menos e, por isso, o plano aritmológico fica atrapalhado. Além disso, a opinião implícita de que a violência juvenil é uma fase para se atravessar e depois superar está ausente da edição norte-americana; e isso reduz o livro a uma simples parábola, quando a intenção era que fosse um romance.

- Em A clockwork orange e em Enderby, principalmente, há um persistente tom de chacota para com a cultura da juventude e sua música. Existe alguma coisa de bom nela?

Desprezo tudo que é obviamente efêmero, e no entanto é tratado como se possuísse alguma espécie de valor supremo. Os Beatles, por exemplo. A maior parte da cultura da juventude, principalmente a música, é baseada no pouco conhecimento da tradição e, com frequência, eleva a ignorância à condição de virtude. Pense nos musicalmente ignorantes que se estabelecem como "arranjadores". E a juventude é tão conformista, tão pouco preocupada com valores dissidentes, tão orgulhosa de ser em vez de fazer, tão segura de que ela e somente ela sabe.

- As obras de arte seriam produzidas por forte libido?

Sim, acho que arte é libido sublimada. Não se pode ser um padre eunuco e não se pode ser um artista eunuco. Fiquei interessado em sífilis quando trabalhei algum tempo num hospital para doentes mentais repleto de casos de paralisia geral. Descobri que havia uma correlação entre o espiroqueta e o talento dos loucos. O tubérculo também produz uma tendência lírica. Keats tinha ambos.

- O estruturalismo representa um grande papel em MF. Como romancista de idéias, qual a importância que lhe dá?

O estruturalismo é a confirmação científica de uma certa convicção teológica - que a vida é binária, que isto é um dueto, e assim por diante. O que quero dizer é que a noção de oposição essencial - não Deus/Demônio, mas simplesmente x/y - é fundamental, e isso é uma espécie de visão puramente estruturalista. Acabamos achando a forma mais importante do que o conteúdo, que a linguagem e a arte são processos fáticos, que os grandes elementos imponderáveis são mera bazófia. Marshall McLuhan vem claudicando por esse caminho, independentemente de Lévi-Strauss. Como é maravilhoso que a bifurcação essencial que é o homem esteja expressa em calças que levam o nome de Lévi-Strauss.

- As versões cinematográficas ajudam ou atrapalham os romances?

Os filmes ajudam os romances em que se baseiam, pelo que fico ao mesmo tempo grato e ressentido. A edição de bolso de Clockwork orange vendeu mais de, um milhão de cópias nos Estados Unidos, graças ao caro Stanley. Mas não gosto de ser visto apenas como um mero criador de filmes. Desejo ser bem-sucedido por meio da literatura pura. Impossível, é claro.

Tiro de letra.


o cordão umbilical de henry miller

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- Durrell refere-se à necessidade que o escritor tem de uma ruptura em seus escritos, a fim de ouvir o som de sua própria voz. Na realidade, não é essa a sua própria expressão?

Henry Miller: Sim, creio que sim.  Seja lá como for, isso me aconteceu com Trópico de câncer.  Até aquela altura eu era, poder-se-se-ia dizer, um escritor inteiramente derivativo, influenciado por todos, adotando todos os tons e sombras de todos os outros escritores que eu amara.  Eu era, poder-se-ia dizer, um literato. E tornei-me um homem não literato: cortei o cordão umbilical.  Disse comigo mesmo: farei somente o que posso fazer, exprimirei o que sou ... Eis aí por que empreguei a primeira pessoa do singular, por que escrevi somente a respeito de mim mesmo. Resolvi escrever partindo de minha própria experiência, daquilo que eu sabia e sentia.  E isso foi a minha salvação.

tiro de letra.


A FERA samuel fuller

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O FEITICEIRO

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Aquele filme do Comboio do medo de William Friedkin. Cinema puro.


Puella Magi Madoka★Magica

Puella Magi Madoka★Magica




quinta-feira, 11 de março de 2021

E O MAGO SE FOI

E Frank Thorne, o melhor desenhista da Red Sonja, se foi. 


 

MASOQUISMO E SADISMO E YAKUZA

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Listen, when you’re giving pain to someone, don’t think about the pain that person is feeling. Just concentrate on how good it feels to be causing someone pain. That’s the best thing you can do for a true masochist!
— Kakihara - Ichi, the killer

AS CHAMAS

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O Amigo Americano.

聖獣学園 Seijū gakuen

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SCHOOL OF THE HOLY BEAST.


LILI MARLENE

Lili-Marlene



Absolutamente assustador.

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 FILMANDO O BEBÊ DE ROSEMARY.


a surrealidade nua

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por Moebius.



SANTA E PECADORA

 

    Sónia Valentim



    Quanto mais achamos que sabemos, mais a vida nos prega peça. Minha mãe já dizia: nem tudo que reluz é ouro. Pude constatar isso.

       Apesar de não ter muito tempo de estar em redes sociais, sempre que posso dou uma olhadinha, afinal ficarmos afastados nos isola do mundo, mas whatzap é o meu preferido, une mais as pessoas, embora traga algumas desavenças. Fiz muitos amigos por lá, alguns se fizeram reais, outros continuam no anonimato dos perfis sem rosto.      Entre os que migraram para fora das telas de celular está Maria Helena. Não sou de invadir território privado sem autorização (reservado do whatsapp), mas devido nossa história de vida ela se identificou comigo, pois eu havia superado uma separação, ela ainda não havia se separado, mas vivia uma relação abusiva, não de espancamento, mas verbais, segundo ela o principal motivo que levava essas ofensas do companheiro, era a falta de interesse sexual de sua parte pelo marido, mas ele seria o culpado, pois por ser cristão se recusava a realizar as fantasias da esposa. Fantasias que em  seu ponto de vista nem era tão bizarra. Com muito respeito sempre estava pronto a lhe ouvir. Algumas vezes até mesmo por chamada de áudio. Por muito tempo não vi seu rosto, ela tinha medo de se expor, mãe de três filhos. Os teve muito cedo, agora com 38 anos todos eram grandes, dois menores ainda. A mais velha já casada. Maria Helena já era avó. Mesmo depois de mais de três meses de bate papo ela não falava na íntegra quais suas fantasias. Minha curiosidade de macho me consumia, mas eu não podia avançar sinais, só me restava quase me consumir nos meus pensamentos imorais 🤔.

    Sua imagem pra mim era de uma mulher santa😇,apenas sofrida, o que não deixava de ser.

    Ela só não deveria ter levantado a curiosidade de um louco

😜por sexo e um amante de fazer mulheres felizes e realizadas no casamento. Fiquei mais pirado quando ela disse que nunca tinha tido um orgasmo. Minha vontade era dizer - eu faço você gozar meu desejo. Mas achei melhor não dizer, parecer fácil pode tirar o tesão das mulheres. Nunca pedi fotos sua, preferi criar sua imagem na minha cabeça.       Um certo dia ela me deu bom dia em um áudio; estava chorando. perguntei o que tinha acontecido. 

            - Mais uma vez me senti usada. Me vejo como um objeto há            mais de 26 anos.

  Naquele dia resolvi ousar um pouco - Maria Helena faz quatro meses que conversamos e nada posso fazer por você, a não ser que eu te faça subir nas paredes, fechei os olhos 🙈por medo da reação dela, sempre foi muito coerente, ela só gostava de ser ouvida. Eu gostava de conversar com ela, falávamos sobre tudo, mas no fundo a minha safadeza só estava esperando uma brecha, homem deveria ser diferente, mas é nossa natureza, não que eu seja mal caráter; longe de mim ser. Fui abrindo os olhos devagarinho, pelo canto do olho li a mensagem:-eu quero subir, vamos ver se me faz subir mesmo , mas quero exigir uma coisa, posso?

Prontamente eu respondi- sou todo ouvido e tô aqui para lhe servir. 

-  Deixa eu fazer como eu quiser contigo. 

  Confesso que me assustei um pouco, me entregar a uma desconhecida, sabia muito pouco sobre sua vida, visualizava seus status, as vezes via seus filhos, seu esposo, mas nunca ela. A razão dizia pra eu não ir, mas o pênis rígido desobedecia. - pode me usar a vontade, respondi.      Era um domingo , o marido tinha ido caçar com uns amigos, os dois filhos a um lazer com a irmã mais velha, Maria Helena preferiu ficar em casa e chorar. Combinamos de eu a pegar em uma rua discreta, meu carro de vidro fumê esconderia sua identidade, assim fizemos. 

     Nunca tive uma surpresa melhor. Uma mulher de 38 anos, já avó ,mas um corpo perfeito, a natureza foi boa com ela. Seios médios, bumbum médio também, mas bem duro, gostava de academia, morena, lábios grossos, olhos pretos, 1: 66, uma bela mulher, segundo ela nunca tinha conhecido outro homem, seu esposo foi o único, casou grávida. Eu me senti premiado. 

    Maria Helena estava nervosa, mas a acalmei com uma conversa despretensiosa, quase perto do motel ela já agia como se nos conhecêssemos há anos, e para minha adorável surpresa, subitamente aquelas mãos delicada invadiu minha calça, não estava rígido, mas ao senti-la, logo despertou. Aquela mulher sedenta de desejos, abriu meu zip, abocanhou meu pênis, não é muito grande, apenas 19 centímetros, mas bem grosso, preenchia bem as vaginas visitadas. Surtei de prazer, ainda bem que já estávamos próximos ao motel, caso contrário acho que teríamos batido nos carros, fiquei zonzo com aquela boca quente. 

    Ao entrarmos  nas dependências daquele lugar, Maria Helena não me deixou descer me sugava como uma esfomeada, pôs meus testículos pra fora pelo zip, doeu um pouco, mas aquela dor me causou prazer a tal ponto de não suportar e ejacular nos seus lábios carnudos, soltei quase um grito de prazer, nunca havia gozado com uma mulher colocando meu saco dentro da boca. Tinha depilado ele um dia antes, estava lisinho, parecia estar adivinhando que passaria na boca daquela deusa. Quando sentiu meu orgasmo descendo nos seus lábios, Maria Helena me olhou de baixo pra cima e disse: - safado eu te dei permissão pra gozar na minha cara? 

    -  Desculpa, Não deu pra segurar, você foi muito safada. 

    -  Xiii, macho não pede desculpa, lá dentro tu me paga. 

 Me senti ameaçado, mas uma ameaça boa.

   Ao entrarmos no quarto do motel fomos direto para o banheiro, Maria Helena não perdeu tempo ela mesma começou a me dá um banho descendo até o desfalecido, desfalecimento demorou pouco, ao descer a mão sentir sua vagina encharcada de desejo, logo o morto ressuscitou, foi bom porque depois daquela gozada no carro, eu demoraria a gozar, satisfaria aquela fêmea sedenta. Fui humilhado no carro, agora é minha revanche.  Bruscamente joguei ela na parede, ela tentou revidar, mas ordenei :- quieta vadia, se não te deixo sem gozar. Dei várias estocadas sem dó, quanto mais eu a comia com força, mais ela correspondia mexendo no meu pau com sua vagina gulosa. 

  A virei de frente para a porta do banheiro, enfiei o pau no cu da vadia dominante, ela reclamou. 

-  Cala boca cadela, vou te levar pro quarto com o pau no teu cu, vai andando. 

  Chegando na cama por uns minutos fiz anal, mas fui bonzinho, sei que a estava maltratando . Quando a soltei ela aproveitou me jogou em cima da cama e passou pra cima, como louca pulava no meu pau, ainda me dava uns tapas na cara , algo novo pra mim, nunca havia batido em uma mulher, muito menos apanhado.  Mas revidei, sem culpa sugava  seus seios e a socava sem misericórdia, Maria Helena soltou um uivo no seu primeiro orgasmo.  Logo após seu orgasmo caiu pro lado cansada, não dei trégua - quero gozar novamente cachorra, chupa meu pau. Prontamente me obedeceu, chupava com maestria, gostando de me ver aos delírios na sua boca.

    Após uns minutos, percebi que já havia se recomposto, a peguei sem falar nada, comecei a chupar sua vagina deliciosa cheirando a orgasmo, fui delicado lambendo como um cão faminto, logo começou a se contorcer na minha língua. Quase uma hora de sexo, deu vontade de gozar, virei ela de costas fiz anal com ela gritando de dor e prazer gozando no meu pau. 

   Aos 49 anos nunca tinha vívido uma experiência como aquela. Caímos pro lado, o velho estava cansado. Fiquei com um fiquei com um olhar de zumbi🥺,um cansaço pra lá de bom. Depois daquele dia nossas aventuras continuam, ela continua com o marido, as brigas terminaram, o corno pensa que ele realiza a mulher. Viramos amigos e nos damos prazer.  O marido deveria me agradecer .


 

segunda-feira, 8 de março de 2021

Foto Werner Bischof - Japão, Tóquio, 1951 - Clube de Striptease

Werner Bischof - Japan, Tokyo, 1951 - Striptease club

Solitude

ELLA WHEELER WILCOX

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Laugh, and the world laughs with you;

Weep, and you weep alone;

For the sad old earth must borrow its mirth,

But has trouble enough of its own.

Sing, and the hills will answer;

Sigh, it is lost on the air;

The echoes bound to a joyful sound,

But shrink from voicing care.

Rejoice, and men will seek you;

Grieve, and they turn and go;

They want full measure of all your pleasure,

But they do not need your woe.

Be glad, and your friends are many;

Be sad, and you lose them all,—

There are none to decline your nectared wine,

But alone you must drink life’s gall.

Feast, and your halls are crowded;

Fast, and the world goes by.

Succeed and give, and it helps you live,

But no man can help you die.

There is room in the halls of pleasure

For a large and lordly train,

But one by one we must all file on

Through the narrow aisles of pain.


BUMBUNS

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Isto é água

David Foster Wallace

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Aqui vai mais uma historinha didática. Tem dois caras sentados num bar nas profundezas remotas do Alasca. Um dos caras é religioso, o outro é ateu, e eles estão discutindo a existência de Deus com aquela intensidade característica que surge lá pela quarta cerveja. Aí o ateu diz: “Olha, não é que me faltem motivos concretos para não acreditar em Deus. Não é como se eu nunca tivesse experimentado essas coisa toda de Deus e orações. Agora mesmo no mês passado eu estava longe do acampamento quando fui pego de surpresa por aquela nevasca terrível, não conseguia ver nada, fiquei totalmente perdido, estava 45 graus abaixo de zero, e aí decidi fazer exatamente isso: caí de joelhos na neve e gritei ‘Oh Deus, se é que existe Deus, estou perdido nessa nevasca e vou morrer se você não me ajudar!”. Aí o sujeito religioso encara o ateu, todo intrigado: “Bem, depois disso você deve ter começado a acreditar”, ele diz, “afinal de contas você está aqui, vivo”. O ateu revira os olhos, como se o religioso fosse um tremendo paspalho: “Não, cara, só aconteceu que uns esquimós apareceram do nada e me mostraram para que lado ficava o acampamento”.

É fácil submeter essa história a uma análise meio que padrão das ciências humanas: a mesmíssima experiência pode significar duas coisas completamente diferentes para duas pessoas diferentes, dado que essas pessoas têm dois padrões de crença diferentes e duas maneiras diferentes de construir sentido a partir da experiência. Como valorizamos a tolerância e a diversidade de crenças, preferimos que nossa análise das ciências humanas passe longe de afirmar que a interpretação de apenas um dos caras é verdadeira enquanto a do outro é falsa ou inferior. Nada de errado nisso, tirando o fato de que nunca chegamos a discutir de onde nascem esses padrões e crenças individuais, quer dizer, onde eles nascem dentro dos dois caras. É como se a orientação mais básica de uma pessoa diante do mundo e do significado de suas experiências pudesse estar predefinida de alguma forma como a altura ou o número do sapato, ou ser absorvida da cultura, como a linguagem. (…)

(…) o fato é que o problema dos dogmáticos religiosos é exatamente o mesmo do ateu dessa história – a arrogância, a certeza cega, uma tacanhice que representa uma prisão tão completa que o prisioneiro nem se dá conta de que está trancafiado. Estou querendo dizer que o verdadeiro significado do mantra do “ensinar a pensar” nas ciências humanas tem a ver com isso: ser um pouco menos arrogante, ter um pouco mais de “consciência crítica” a respeito de mim mesmo e minhas certezas… pois no fim das contas uma porcentagem enorme das coisas a respeito das quais estou inclinado a automaticamente ter certeza acaba se revelando ilusória ou completamente equivocada. Aprendi isso do jeito mais difícil, e suponho que com vocês, formandos, não será diferente.

todoprosa


sexta-feira, 5 de março de 2021

SORRISO BELO

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Fuck Me, Ray Bradbury



CLASSIFICADOS

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Quarentão romântico. Situação financeira boa, artista de inteligência aguçada, magro, cabelos e barba ruivos (rala) pretendendo morar em Hollywood para dirigir filmes daqui a cinco ou seis anos. Apaixonado, bem-dotado, procura uma companheira inteligente, careta, trabalhadora, sedutora, sem preconceitos, adulta intelectualmente e com vivência do mundo contemporâneo. Não importa que tenha filhos, pois serão meus também. Tenho de vez em quando uma cruz (+) na glicofita e saúde quase perfeita. Ansioso para nessa idade encontrar uma companheira para vivermos juntos e felizes. 
Espero resposta pela Caixa Postal m. 743. 

Raul Seixas, O Baú do Raul – Revirado.



quinta-feira, 4 de março de 2021

おやすみプンプン Oyasumi Punpun

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NADA MAIS QUE UM ASSASSINATO

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a resposta de bukowski à censura de um livro seu

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O PORTEIRO DA NOITE

O Porteiro da Noite

Eu sou suicida

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“Eu tinha dez anos. Eu peguei uma das lâminas de barbear do meu pai, e fiquei de joelhos. Eu coloquei o metal no meu pulso. A lâmina fria cortando. O sangue em minha mão. E eu olhei para cima, para minha mãe e meu pai. Eu lhes perdi perdão. Eu sentia muito. Eu estava de joelhos em Gotham. E eu estava rezando, juntando minhas mãos naquele instante, com o sangue e a lâmina aquecida entre elas. Eu rezei. Ninguém – ninguém me respondeu. Ninguém me respondeu. Ninguém me respondeu. Eu estava sozinho. Como todo mundo, como todo mundo em Gotham. Nós estamos de joelhos, nossas mãos juntas, o sangue e a lâmina quente entre elas. Nós rezamos. E ninguém responde.”

“Eu deixei a lâmina cair, e entendi o que estava feito, o que eu fiz, eu me entreguei. Minha vida não era mais minha vida. E eu sussurrei: ‘Eu juro pelos espíritos dos meus pais que irei vingar a morte deles dedicando o resto da minha vida à guerra contra os criminosos’.”

“Então é isso que é. As orelhas. O cinto. A gárgula. Não é engraçado. É a escolha de um garoto. A escolha de morrer. Eu sou o Batman. Eu sou suicida.”

Bruce Wayne, o Batman.

(Em Batman #12, por Tom king.)


A INTRUSA

Jorge Luis Borges

 

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Dizem (o que é improvável) que a história foi referida por Eduardo, o mais novo dos Nilsen, no velório de Cristián, o mais velho, que faleceu de morte natural, lá pelos mil oitocentos e noventa e tantos, na comarca de Morón. O certo é que alguém a ouviu de alguém, no decorrer dessa longa noite perdida, entre um e outro mate, e a repetiu a Santiago Dabove, por quem a soube. Anos depois, voltaram a contá-la para mim em Turdera, onde havia acontecido. A segunda versão, um pouco mais prolixa, confirmava em suma a de Santiago, com as pequenas variações e divergências próprias ao caso. Escrevo-a agora porque nela cifra, se não me engano, um breve e trágico reflexo da índole do subúrbio antigo. Vou fazê-lo com probidade, mas já consigo prever que cederei à tentação literária de acentuar ou acrescentar algum pormenor.

Em Turdera eram conhecidos como os Nilsen. O pároco me disse que seu predecessor se lembrava, não sem surpresa, de ter visto na casa dessa gente uma Bíblia já gasta de capa preta, com caracteres góticos; nas últimas páginas entreviu nomes e datas manuscritas. Era o único libro que havia na casa. A malograda crônica dos Nilsen, perdida como tudo se perderá. O casarão, que já não existe, era de tijolo sem reboco; do saguão avistava-se um pátio de lajotas vermelhas e outro de terra. Quanto ao que resta, poucos entraram ali; os Nilsen defendiam sua solidão. Nos quartos desmantelados dormiam em catres; seus luxos eram o cavalo, o apero, a adaga de lâmina curta, a parafernália dos sábados e o álcool pendenciador. Sei que eram altos, de cabeleira avermelhada. Dinamarca ou Irlanda, de que nunca ouviram falar, corriam pelo sangue desses dois crioulos. O bairro temia os Vermelhos; não é improvável que devessem alguma morte. Ombro a ombro brigaram uma vez com a polícia. Diz-se que o mais novo teve uma altercação com Juan Iberra, em que não levou a pior, o que, segundo os entendidos, já é muito. Foram tropeiros, carneadores, ladrões de gado e alguma vez trapaceiros nos jogos de baralho. Tinham fama de avarentos, salvo quando a bebida e o jogo tornavam-nos generosos. De seus parentes nada se sabe e nem de onde vieram. Eram donos de una carroça e uma junta de bois.

Fisicamente diferiam do compadrio que deu seu apelido foragido à Costa Brava. Isto, com o que ignoramos, ajuda a compreender como foram unidos. Indispor-se com um era contar com dois inimigos.

Os Nilsen eram libertinos, mas seus episódios amorosos foram até então de saguão ou de prostíbulo. Não faltaram, pois, comentários quando Cristián levou Juliana Burgos para viver com ele. É verdade que ganhava assim uma criada, mas não é menos certo que a encheu de horríveis bugigangas e que a exibia nas festas. Nas pobres festas de bordel, onde o corte e a quebrada do tango estavam proibidos e onde se dançava, contudo, com muita luz. Juliana tinha a pele morena e os olhos rasgados; bastava que alguém a olhasse, para que ela sorrisse. Num bairro modesto, onde o trabalho e o descuido desgastam as mulheres, não era malparecida.

Eduardo os acompanhava no começo. Depois empreendeu uma viagem a Arrecifes por não sei que negócio; ao voltar, levou para casa uma moça, que havia conseguido pelo caminho, e aos poucos dias a mandou embora. Tornou-se mais rude; embriagava-se só no armazém e não se dava com ninguém. Estava apaixonado pela mulher de Cristián. O bairro, que talvez o soubesse antes que ele, previu com aleivosa alegria a rivalidade latente entre os irmãos.

Uma noite, ao voltar tarde da esquina, Eduardo viu o cavalo do Cristián amarrado à estaca. No pátio, o mais velho o esperava com sua melhor pilcha. A mulher ia e vinha com o mate na mão. Cristián disse a Eduardo:

— Vou a uma farra lá no Farías. Você tem aí a Juliana; se quiser usá-la.

O tom era entre mandão e cordial. Eduardo ficou um tempo olhando para ele; não sabia o que fazer. Cristián levantou-se, despediu-se de Eduardo, mas não de Juliana, que era uma coisa, montou no cavalo e foi a trote, sem pressa.

A partir daquela noite a compartilharam. Ninguém saberá os pormenores dessa sórdida união, que ultrajava as decências do subúrbio. O arranjo correu bem por umas semanas, mas já não podia durar. Entre eles, os irmãos não pronunciavam o nome de Juliana, nem sequer para chamá-la, mas buscavam, e encontravam razões para não estar de acordo. Discutiam a venda de uns couros, mas o que discutiam era outra coisa. Cristián costumava erguer a voz e Eduardo se calava. Sem saber, vigiavam-se. No duro subúrbio, um homem não dizia, nem a si mesmo, que uma mulher pudesse lhe importar mais além do desejo e da posse, mas os dois estavam apaixonados. Isso, de algum modo, os humilhava.

Uma tarde, na praça de Lomas, Eduardo cruzou com Juan Iberra, que lhe deu os parabéns por esse primor que se havia agenciado. Foi então, creio eu, que Eduardo o injuriou. Ninguém, em sua frente, zombaria de Cristián.

A mulher atendia os dois com submissão bestial; mas não podia ocultar certa preferência pelo mais novo, que não havia rejeitado a participação, mas que não a havia colocado à disposição.

Um dia, mandaram Juliana levar duas cadeiras para o primeiro pátio e que não aparecesse por lá, porque eles tinham que conversar. Ela esperava um diálogo longo e se deitou para dormir a sesta, mas logo se lembraram dela. Fizeram-na encher uma sacola com tudo o que tinha, sem esquecer o rosário de vidro e a pequena cruz que a mãe lhe deixara. Sem lhe explicar nada, subiram-na à carroça e empreenderam uma silenciosa e tediosa viagem. Tinha chovido; as estradas estavam muito pesadas e deviam ser as onze da noite quando chegaram a Morón. Ali, venderam-na à patroa do prostíbulo. O trato já estava feito; Cristián recebeu a quantia e a dividiu depois com o outro.

Em Turdera, os Nilsen, perdidos até então na manhã (que também era uma rotina) daquele monstruoso amor, quiseram reatar sua antiga vida de homens entre homens. Voltaram às falcatruas, às rinhas, às farras casuais. Talvez, alguma vez, tenham acreditado que estavam salvos, mas costumavam incorrer, cada qual por seu lado, em injustificadas ou fartamente justificadas ausências. Pouco antes do fim de ano o mais novo disse que tinha o que fazer na Capital. Cristián foi para Morón; na estaca da casa que já sabemos reconheceu o cavalo de Eduardo. Entrou; o outro estava lá, esperando a vez. Parece que Cristián lhe disse:

— Se continuarmos assim, vamos cansar os pingos. Melhor que a tenhamos a mão.

Falou com a patroa, tirou umas moedas da atiradeira e a levaram com eles. Juliana ia com Cristián; Eduardo esporeou o cavalo para não vê-los.

Voltaram ao que já foi dito. A infame solução fracassara; os dois haviam cedido à tentação de trapacear. Caim andava por lá, mas o carinho entre os Nilsen era muito grande — quem sabe os rigores e os perigos que haviam compartilhado! — e preferiram desabafar sua exasperação com alheios. Com um desconhecido, com os cachorros, com Juliana, que trouxera a discórdia.

O mês de março estava prestes a acabar e o calor não cedia. Num domingo (aos domingos as pessoas costumam deitar-se cedo) Eduardo, que voltava do armazém, viu que Cristián atrelava os bois. Cristián lhe disse:

— Venha, temos que deixar uns couros lá no Pardo; já os carreguei; vamos aproveitar a fresca.

O comércio do Pardo ficava, creio eu, mais ao Sul; tomaram pelo Caminho das Tropas; depois, por um desvio. O campo ia crescendo com a noite.

Margearam um capinzal; Cristián jogou fora o cigarro que tinha acesso e disse sem pressa:

— Vamos trabalhar, irmão. Os carcarás nos ajudarão depois. Hoje a matei. Que fique aqui com suas pilchas, já não fará mais estragos.

Abraçaram-se quase chorando. Agora outro círculo os unia: a mulher tristemente sacrificada e a obrigação de esquecê-la.

 

Tradução: Diana Margarita

Daqui: tradutoradeespanhol



quarta-feira, 3 de março de 2021

'Le salaire de la peur'

 
Dirigido por Henri-Georges Clouzot, Le Salaire de la peur é um filme franco-italiano de 1953 dirigido por Henri-Georges Clouzot, baseado na obra de mesmo nome de Georges Arnaud. Sinopse de O Salário do Medo: Em uma aldeia da América do Sul, quatro homens são contratados para transportar uma remessa urgente de nitroglicerina, mas sem o equipamento de segurança. Um filme duro e impressionante. Cruel, tenso, fascinante. O desespero, o horror, a estrada longa e a vida à um fio.

Esse filme se encontra no Henri-Georges Clouzot [Digipak com 2 DVD’s], que você pode comprar, clicando na imagem abaixo:

GIVE LOVE

 


terça-feira, 2 de março de 2021

What’s So Funny ’Bout

Adoro os clipes de Legião, essa sim uma série fora da caixa, louca, fascinante, imprevisível, muito, muito boa. Louca é a palavra.

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

TOQUE-ME

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Foi o que ela fez. Ela apenas tocou a amiga. Ela apenas beijou-a. A amiga entendeu errado. A amiga apaixonou-se. Claro que não poderia acabar bem.


마의 계단(1964) 복원본


The Devil's Stairway (Ma-ui Gyue-dan). Crime em um hospital. Clássico coreano. Para ver direto no Youtube.