domingo, 20 de março de 2016

A ARTE DE Jeffrey Catherine Jones

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Bidonica.


filho da puta e a puta

josé marcelo
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sangue. nu e quente sobre a pele.
- mas que porra!
- cala a boca.
- filho da puta filho da puta.
o filho da puta saiu do carro e ficou olhando a mancha em sua camisa. mancha vermelha mudando para marrom. sangue simples. olhou pelo vidro do carro – no banco de trás, o homem gordo engasgava no próprio sangue. merda, pensou o filho da puta, vai empoçar.
ele abriu a porta de trás do carro e o homem gordo olhou-o aterrorizado.
- o que acha que eu vou fazer, hein?
o filho da puta puxou o homem gordo pelas pernas. não foi fácil. o homem gordo se debatia muito. mas no fim ele desabou na estrada poeirenta. o filho da puta disse:
- você estragou minha camisa.
voltou ao banco da frente e pegou a faca de churrasco.
- não devia ter estragado minha camisa – disse ele, o tom de voz na verdade dizendo que a camisa era o de menos, o que ele gostava mesmo era de cortar.
ele tornou a enfiar a faca várias vezes, tantas que no fim as entranhas do homem gordo escorreram para fora e ficaram espalhadas na poeira. o filho da puta então encostou-se no carro e ficou olhando o homem gordo morrer. demorou bastante, mas tudo bem. o filho da puta não tinha nada para fazer. não até a noite.
à noite a lua estava marrom por causa do vento que ergueu uma nuvem de poeira: o letreiro do puteiro que piscava NOITE QUENTE estava praticamente coberto e não mostrava nada.
filho da puta, de banho tomado e roupa nova, entrou e pediu uma cerveja. era cedo ainda. não havia putas ainda, apenas uma mulher atrás do balcão, uma velha carcomida e de modos sonolentos. ela disse:
- as meninas já estão vindo. estão tomando banho.
- a esther está ai?
- está.
- é ela que eu quero.
- vou ver se ela está pronta.
esther veio maquiada demais e usando roupas curtas demais e andando devagar. sentou-se diante do filho da puta e sorriu. seria bonita não fosse tão vulgar.
- oi.
- oi. tudo certo?
- tudo.
- vamos pro quarto.
o quarto ficava em um corredor estreito e cheio de portas. era um cubículo estreito e abafado onde mal e mau cabia uma cama e um ventilador de mesa. enquanto filho da puta fechava a porta, esther despiu-se e deitou-se na cama.
filho da puta ficou em pé.
- cadê? – perguntou ele.
- você fez?
- claro.
- e como foi?
- quer detalhes?
- não. não, não quero… melhor não.
- então me paga logo.
- não quer fazer amor gostozinho?
- não se faz amor com puta, puta a gente fode. me dá logo a grana.
- daqui a pouco.
ele assentiu como se concordasse. então pulou pra cima dela e colocou as duas mãos no pescoço de esther.
- tá de gozação com a minha cara? me passa minha grana agora, senão… você sabe o que vai acontecer.
- tá bom tá bom.
ele a soltou.
- anda logo.
- então levanta. tá de baixo do colchão.
- você guarda seu dinheiro de baixo do colchão? – ele quase riu.
filho da puta ergueu o colchão e viu um saco de plástico sujo. pegou-o, contou o dinheiro, tirou exatamente o que ela lhe devia, colocou o saco de volta e largou o colchão.
- agora quero que você me chupe – disse ele.
ela ajoelhou-se e tirou o pau dele para fora. estava mole. ela começou a chupar. o pau não endurecia. ela insistiu. não adiantava.
- que porra – disse filho da puta. empurrou-a com força. ela caiu sentada. – se você contar isso para alguém, volto e te mato.
ele saiu do quarto e esther respirou aliviada.
filho da puta entrou no carro e saiu pisando com força no acelerador. depois de dirigir até o amanhecer por estradas poeirentas, parou o carro e tirou o pau para fora. não estava apenas mole. parecia menor. filho da puta abriu o porta-luvas e pegou um canivete. ficou olhando para o pau e o canivete, mas não teve coragem de fazer o que estava pensando. apenas passou a lâmina de leve sobre a pele do pau. escorreu uma linha de sangue. o pau ficou duro na hora. ouviu risadas e ergueu a vista.
duas estudantes vinham subindo pela estrada. provavelmente indo para o ponto esperar a kombi do transporte escolar. eram jovens e bonitas. tinham aquele frescor que excitava-o na juventude. filho da puta colocou o pau para dentro e deu seu melhor sorriso. sabia que era bonito e sabia ser charmoso e irresistível. não foi difícil convencê-las a entrar no carro. depois ele mostrou-lhes o dinheiro e fez uma proposta. ambas aceitaram.
- você tá machucado – disse a mais nova, de cabelo curto.
- um cortinho à toa. nada demais.
a outra, loira e de olhos castanhos que praticamente brilhavam, disse:
- tem um lago aqui perto. vamos tomar banho lá.
não era longe. logo filho da puta e as estudantes estavam nus e tomando banho no lago. a água estava fria e as meninas soltavam gritinhos de excitação, quando filho da puta as tocava de leve. depois deitaram-se na grama e filho da puta transou com as duas.
- anal é mais caro – disse a cabelo curto, quando ele tentou meter atrás nela.
- eu pago. pago as duas.
- eu não – disse a loira. – eu nunca dei a bunda.
- eu pago mais caro.
- não.
- o dobro.
- vai – disse a cabelo curto à amiga. – dói um pouco, depois fica bom.
- tá bom. mas com cuidado.
a loira deitou-se de bruços na grama e empinou a bunda. filho da puta lambeu e cuspiu e depois colocou o pau dentro da bunda dela. ela gritou e chorou, mas não pediu para ele parar. filho da puta não aguentou muito tempo e gozou. então saiu e deitou-se na grama. a loira continuou na mesma posição, o esperma escorrendo de dentro da bunda dela. ainda chorando.
- ah não – reclamou a cabelo curto. – e eu?
- espera um pouco – disse filho da puta.
- eu quero agora.
a loira levantou-se e foi andando devagar para dentro do lago.
a cabelo curto ajoelhou-se ao lado de filho da puta e começou a chupá-lo. ele a empurrou.
- espera um pouco, porra.
- eu tou excitada. eu quero foder.
- calma. com uma coizinha linda como você a gente não fode, faz amor.
ela gostou disso.
- vou ficar molhadinha pra você.
ela enfiou dois dedos na boca e depois na vagina. deitou-se na grama de pernas abertas e masturbou-se.
filho da puta procurou pela loira. ela continuava dentro do lago, de costas para eles. olhou para a cabelo curto e percebeu que o pau endurecera de novo. cabelo curto era apertadinha e estava úmida. gemia muito.
- goza na minha boca – pediu ela. – goza na minha boca.
ele colocou o pau dentro da boca dela e ficou segurando-a pela cabeça. gozou com força. a cabelo curto lambeu tudo freneticamente.
- você gosta disso – disse filho da puta.
- adoro o gosto da porra – ela abriu os braços, deitada na grama. – adoro.
a loira voltara e vestira o uniforme. amuada.
- vamos embora – disse ela.
- já? – reclamou cabelo curto. – não. quero ficar mais. quero foder mais. quero gozar. eu não gozei ainda.
- te espero no carro – disse a loira e foi até o carro, encostado sob as árvores. fechou a porta e ficou lá dentro olhando fixo para a frente.
cabelo curto pediu a filho da puto que a lambesse.
- me lambe, vai. quero gozar.
ele a lambeu até que ela estremeceu e gozou esguinchando no rosto dele.
- sua vadiazinha – disse ele sem rancor.
- nossa, isso foi bom. quando a gente vai se ver de novo?
- não sei. quando der.
ele virou-se para o carro e ficou olhando a loira. ainda amuada.
- quantos anos vocês tem?
cabelo curto riu.
- não se preocupe – disse ela. – não vamos falar. já fizemos isso antes.
- sua amiga…
- tá com a bunda doendo. isso logo passa. quer comer a minha? você não comeu.
- hoje não. vocês acabaram comigo.
ele deixou ambas no exato lugar onde as encontrara, depois pegou a rodovia e foi embora. era noite de novo quando chegou em casa.
esther estava sentada no degrau da frente.
- que porra você está fazendo aqui?
ela mexia na bolsa.
- tenho outra coisa pra você.
- o que é?
ela tirou o revóver da bolsa e atirou. a bala entrou na garganta de filho da puta e ele morreu engasgado. antes de fechar os olhos, ainda viu esther pegar sua carteira e sair andando pela rua.
- você é muito caro – disse ela e foi embora.
ficou tudo escuro e amargo e terrivelmente dolorido.

luta livre com monstros!

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a idéia não é nova, mas continua divertida. me fez lembrar dos tempos dos maravilhosos circos fuleiros cheios de atrações bizarras. bons tempos.


MIRCALA

José Marcelo
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A sensualidade nos gestos mais simples e sensuais de Mircala, aquele jeito meio inocente no modo como ela colocava os cabelos atrás das orelhas e sorria, estava sempre sorrindo, sempre feliz. Ou pelo menos era como ela aparentava, não importando como tudo estivesse ruim. Sempre feliz. Sempre linda. Sempre jovem. Você olhava nos olhos de Mircala e não havia nenhuma sombra ali, nenhum eco. Ela lembraria um anjo, se anjos fossem tão iluminados. Eu me apaixonei imediatamente por ela. Quando lhe contei o quanto a amava, o quanto a desejava, ela disse:
__ Não seja bobo.
__ Não sou bobo. É verdade. Eu te amo.
__ Mas você não pode. Não desse jeito.
__ Por que não?
__ Você é meu irmão. Somos irmãos. Não podemos fazer isso. Não é certo.
__ Não me importo, nem você deveria. Eu já te peguei me olhando. Sei que você sente o mesmo.
__ Não.
Ela não sorria mais. Ela cruzou os braços e me olhou muito séria:
__ Acho melhor você ir embora.
__ Não. Eu não vou embora. Eu não vou embora, até você aceitar isso.
Eu me levantei e me aproximei dela. Ela não recuou. Eu a beijei. A boca dela era um deleite insuspeito. Fiquei de pau duro e guiei a mão dela até tocá-lo. Ela me empurrou:
__ O que está fazendo?
__ Nossos pais só chegam daqui uma hora. Estamos sozinhos. Vamos aproveitar.
Algo na expressão do meu rosto a assustou. Ela virou-se e tentou correr. Mas eu era mais forte. Eu a derrubei no chão e ergui sua saia. Enfiei a mão dentro de sua calcinha. Mircala debateu-se e estava chorando.
__ Quieta, Mircala, você sabe que quer isso. Você quer isso. Você sabe que quer.
Ela balançou a cabeça:
__ Tá bom, mas seja carinhoso. Deixa eu tirar a calcinha.
__ Eu tiro pra você.
Puxei a calcinha e abri gentilmente as pernas de Mircala. Ela tinha uma buceta nua e pequena. Fui beijando suas pernas, até alcançar os lábios entre suas coxas. Comecei a beijar e lamber, enquanto Mircala gemia. O som dos gemidos dela era como uma dádiva. As pernas dela me apertavam e senti suas mãos acariciando meus cabelos. Ela me puxou para cima e me beijou longamente. Tirei meu pau para fora e enfiei de uma vez dentro dela. Mircala era macia, apertada e bastante úmida. Perfeita. Já disse que ela era perfeita?
__ Não goza dentro __ Mircala pediu. Mal ela disse essas palavras e eu gozei dentro dela. Um jato forte que me fez urrar de prazer. Então, saciado, sai de dentro dela e deitei-me ao seu lado.
Ela levantou-se e correu para o banheiro, onde tomou um banho longo e demorado. Depois foi para o quarto de onde não saiu mais até que nossos pais chegaram.
No jantar, ela parecia como sempre: feliz, brincalhona até. Me senti bem. Ela não diria nada. Fui dormir cedo. Ia viajar no dia seguinte e queria acordar bem disposto.
Sonhei com Mircala brincando em um balanço sobre a grama verde. Ela ria e se arremessava cada vez mais alto. O dia era azul e meus pais comiam sobre uma toalha de piquenique. Eu estava deitado de lado e observava minha irmã. Tudo parecia perfeito, até que percebi a mancha escura sob o balanço. Mircala sangrava.
Acordei assustado e meu pai estava ao lado da cama. Ele me olhava muito sério.
__ Oi, pai. Já está na hora? Eu…
Ele não me deixou terminar. Não disse nada. Era um homem grande e suas mãos enormes apertaram meu pescoço com tanta força e tanta raiva que eu eu
Eu me debati e ejaculei e acho que meus intestinos se soltaram enquanto eu tentava acertar meu pai e ele me esmurrou e me esmurrou até que meu rosto se transformou em uma pasta ensanguentada.
Eu olhei para seu rosto e vi um vulto de cabelos desarrumados e salivando muito que tornou a apertar meu pescoço até que eu ouvi o estalo do meu pescoço quebrando-se
SNAP!





COSPLAY: super girl

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DE OLHOS BEM FECHADOS

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O ESTRUPO DA LARANJA

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EIS Takashi Miike


Um dos mais IMPREVISÍVEIS. Um dos mais SURTADOS. Um dos MELHORES. Takashi Miike. Um filme do senhor Miike é uma viagem para os sentidos e principalmente para o cérebro. INCOMUM, BIZARRO, MARAVILHOSO.

A BELA catherine deneuve

Photo studio : plan de face de Catherine DENEUVE tкte baissйe, posant dans une petite robe noire а col blanc, la jeune comйdienne coiffйe dans un style choucroute.

TÉDIO E NAVALHAS

José Marcelo
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Ela deitou-se de pernas abertas e disse:
__ Vem.
Não porque o amasse ou porque o desejasse ou quisesse o seu dinheiro.
Não, apenas para afastar o tédio.
Era o tédio que não suportava. E foder, mesmo que fosse uma rápida trepada sem muito prazer e nenhum orgasmo era melhor que o tédio.
Então, ela o chupou e deixou que ele a comesse de todo jeito que ele queria. Ela ficou de quatro e deu-lhe o rabo e ele gozou dentro dela e ela não sentiu nenhum prazer com aquilo.
Ela esperou ele sair de dentro dela. Ele deu-lhe um tapinha de leve, como se ela fosse uma garotinha, e deitou-se e dormiu quase imediatamente.
Ela levantou-se e atravessou o quarto, nua e ainda melancólica. Entrou no banheiro e fechou a porta. Olhou-se no espelho e achou-se velha e feia. Abriu o armário e pegou a navalha.
Pensou em ir ao quarto e cortar a garganta dele. Mas isso apenas sujaria os lençóis e não lhe traria nenhum prazer. Então, sentou-se no vazo e ficou olhando pela janela as nuvens que passavam lá fora. Brancas e fofas.
Antes que tivesse tempo de desistir, ela abriu as veias, cortes longos que iam dos cotovelos aos pulsos. Não houve dor. Apenas uma demorada e tediosa espera pela morte.
 

AMOR DE PERDIÇÃO

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LOLITA
ou
 Como apaixonar-se e tornar-se um desgraçado por causa da pureza de um anjo.

SPACE GHOST por alex toth

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A BELA Phoebe Cates

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CAPAS estranhos contos de guerra

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Histórias de guerra! E terror! E ficção científica! Tudo junto agora…  Ideia muito legal.
 

Nosferatu, A Symphony of Horror

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Old Hollywood.

O CABO DO MEDO

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doctorinsermini.

KEN RUSSELL (1927 | 2011)

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Louco. Apaixonado. Visionário (de verdade). Um cineasta que sabia fazer filmes personalíssimos e apaixonantes. Assista: Gothic, Crimes de Paixão, The Devils, Viagens Alucinantes, Mulheres apaixonadas…
 

COSPLAY emma frost

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CENTER e NEZUMI

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A SOMBRA DO LOBISOMEM

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Pergunta: como um filme tão horrendamente mal feito (nas atuações canastronas, nos diálogos ridículos, na maquiagem amadora, na – falta de – direção e no roteiro sem sentido algum) consegue ser tão divertido? Talvez por algo sobrenatural, talvez pelos motivos acima citados. Imperdível.
 

CONTO: BIDISHA

JOSÉ MARCELO
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De uma coisa eu sei: o sangue coagulado que escorria do olho direito de Bidisha, o esperma que secara no canto de sua boca, os pêlos pubianos e escuros nas palmas de suas mãos enrijecidas como garras e a umidade entre suas pernas entreabertas – tudo aquilo contribuía para formar uma imagem que era como um quadro expressionista ou surrealista ou algo desse tipo. As molduras eram o altar empoeirado e o Cristo sem cabeça e crucificado.
Estávamos, eu e ela, em uma igreja abandonada em algum lugar de uma cidadezinha fétida em um desses cus de mundo que o resto da humanidade não se importou em esquecer.
Bidisha linda e morta.
Eu estava agachado a  mais ou menos um metro, sem conseguir despregar os olhos dela, tentando esconder o tremor de minhas mãos enfiando-as nos bolsos da minha jaqueta surrada. No bolso esquerdo eu segurava o celular de Bidisha que começara a tocar de-repente uma música de Norah Jones. No bolso direito eu segurava minha arma.
Eu podia ouvir os passos arrastados às minhas costas, porém não conseguira coragem suficiente ainda para olhar.
Não muito tempo antes, Bidisha havia se sentado na cama do hotel, o lençol mal cobrindo sua nudez, e sorrido para mim. O caso não vai levar mais que um fim de semana, ela disse, enquanto se levantava e ia até a porta do banheiro, ainda com o lençol. Ela sempre se tornava pudica depois do sexo. Felizmente era exatamente o contrário enquanto trepávamos.
Ela continuou, é apenas uma velha igreja no fim do mundo que o Vaticano não conseguiu exorcizar, nada demais, algum pequeno demônio que teima em assombrar o lugar.
Demônios?
Um pequeno, nada demais. Eu preciso saber agora. Você vai?
Eu disse, claro, não tenho nada para fazer mesmo.
É bom esclarecer que eu e Bidisha não éramos amantes, apenas amigos que ocasionalmente dormíamos juntos. Não que no começo, quando a conheci, eu não tivesse me apaixonado desesperadamente por ela. Mas isso ficara no passado.
Eu a vi pela primeira vez numa sessão espírita, numa noite quente de outubro, a alguns anos. As velas não davam conta da escuridão, as chamas eram alaranjadas e trêmulas. Havia pelo menos umas dez pessoas ao redor da mesa, não me lembro muito bem delas e isso também não é importante. As pessoas conversavam em voz baixa, como se estivéssemos em um enterro, mas na verdade era quase o oposto. Não estávamos ali para falar com os mortos?
A sessão ainda não iniciara, quando Bidisha se sentou ao meu lado. Lembro-me que me encantei imediatamente por sua beleza indiana, seu sorriso franco, seus olhos suaves e sua boca, que eu descobriria, era suave e saborosa.
Você vai acabar se apaixonando por mim, disse ela, se continuar a me olhar assim. Ela sorria e provavelmente estava de brincadeira, mas suas palavras foram como uma profecia. Na hora, fiquei sem jeito, e não disse nada.
Bidisha, disse ela, estendendo-me a mão.
A mulher gorda (não me lembro seu nome, Madame alguma coisa) que era a dona da casa disse, vamos começar.
Foi a primeira vez que vi um ectoplasma que não fosse em uma filmagem ou uma foto. Ele escorreu da boca de Madame como um lençol fino que , depois de alguns instantes pavorosos, tomou a forma de um garotinho lindo que aproximou a ponta dos dedos e tocou o rosto de Bidisha e não disse nada, não importando quantas perguntas fossem feitas, antes de desaparecer ou se desfazer no ar a nossa frente.
Nossa, que mão fria, disse Bidisha, ainda meio espantada. Demorou um instante para eu entender que ela falava da minha mão. Bidisha virou-se para mim, não foi a coisa mais maravilhosa que você já viu? completou, sorrindo.
Bidisha morta.
O odor de carne era adocicado e o ruído do arrastar dentro da igreja imunda era um arrastar que fazia com que eu estremecesse involuntariamente. A voz também era arrastada, como quer a sua morte?
Eu me levantei com alguma dificuldade. A cabeça doía, pontadas finas e em chamas dentro do meu cérebro.
Como quer a sua morte? continuou a voz. Quer algo depravado e excitante como a dela?
Bidisha certa vez me disse que tinha um trabalho para mim em sua agência. Preciso de um guarda-costas. Não é sempre que um exorcismo de uma garotinha ou a limpeza de uma casa assombrada dá certo. Às vezes as amarras se arrebentam, o lustre cai do teto sobre a mesa de jantar.
Por que eu?
Você não se assusta facilmente com essas coisas.
Não, retruquei. Apenas fico louco.
Não falemos sobre isso, disse Bidisha. Ela não gostava de lembrar do tempo que passei no hospício depois de minha possessão por uma deusa pagã.
Na verdade eu também não.
E então?, perguntou Bidisha. Eu pago muito bem.
Eu disse que topava.
Agora, Bidisha está morta e eu finalmente olho para a criatura que a matou. A menina me olha de volta, uma garotinha loira e nua, deve ter uns nove, talvez dez anos, manchas de sangue cobrem seu sexo e seus olhos são suaves. Ela me estende sua mão e diz, Como deseja morrer? Sua voz não é mais arrastada, é clara e límpida e inocente. Por Deus, é apenas uma criança.
Você não é real, eu falo.
Quando chegamos à porta da igreja, apenas a algumas horas, o padre que nos esperava mal falou conosco, entrou em seu carro e saiu rapidamente de lá. A única coisa que ele disse foi, esse lugar deveria ser queimado.
Caia uma garoa fina. Fazia calor e Bidisha não pode deixar de olhar para a igreja com um certo tomar.
Os fatos sobre a igreja são: Igreja de Santa Clara, abandonada a pelos menos uns cinquenta anos, lugar de ocasionais aparições brancas e brilhantes em suas janelas, nada mais, tudo meio assustador mas inofensivo. Ninguém se aproximava. Até que o Vaticano considerou uma afronta que algo que não eles mesmos usassem a velha construção. Dois padres foram enviados, nenhum voltou – não vivo. Os detalhes de suas mortes incluíam fornicação e castração com os dentes. Ambos sangraram pelas cavidades entre as pernas até a morte, não obstante a expressão de prazer em seus rostos em rigor mortis.
A Igreja de Santa Clara ficava – e ainda fica – em uma colina e, de longe, com o sol se pondo atrás dela, era um lugar belo e cheio de luzes que refletiam rubras em seus vitrais. Ao cair da noite, entretanto, as luzes eram de outro tom e fonte.
Bidisha tinha uma agencia que lidava com casos paranormais e era bastante conceituada em seu ramo. Não demorou para que ela fosse chamada para resolver o problema de Santa Clara.
Eu me lembro do cheiro de vinho barato do padre que entrou em nosso escritório, sem bater. Bidisha estava ajoelhada ao meu lado, fazendo um curativo em meu braço (eu me me machucara ao me debater durante a noite anterior, em uma de minhas crises de terror. Flashback psicológico da possessão ou a deusa tentando voltar ao meu corpo, eu e Bidisha ainda não sabíamos). O padre disse, como vão vocês?
Ele não falou nada imediatamente, apenas sentou-se lá e ficou olhando para o sol da manhã que entrava pela janela revelando uma poeira fina que flutuava em pelo lugar todo.
Esperamos.
Ele contou sua história. Bidisha disse quanto. Ele nem hesitou, apesar de nosso preço ser mais do que ele arrecadaria em mais de um ano de pregação de regras e castigos infernais. O preço sempre variava de acordo com o cliente.
Quando entramos na igreja, eu sabia que qualquer preço, seria barato demais. Nada havia de terrível à mostra, apenas poeira e bancos quebrados e um Cristo sem cabeça e vitrais quebrados e uma mancha enorme mas que tanto poderia ser de sangue como de umidade. Havia buracos enormes no teto e podíamos ver nuvens passando lá no alto, lentamente, ainda despejando uma garoa fina. Algumas flores haviam brotado nos cantos e dava para sentir o perfume que exalava delas.
Tudo era muito calmo e até idílico.
Eu ia dizer isso para Bidisha, quando algo me acertou e fui arremessado para fora da igreja. Senti uma pancada forte e lembro de ter pensado, esta é aminha morte, enfim. Então, não pensei mais nada. Bosta de guarda-costas.
Quando acordei, não havia mais garoa nem claridade. Levantei-me e corri para dentro da igreja. E vi Bidisha.
Houve uma época em que eu passava os meus dias babando e minhas noites estremecendo de olhos arregalados numa sala acolchoada em algum hospício de merda. Bidisha vinha me visitar todos os dias e me contava histórias banais como se eu não fosse louco, apenas excêntrico, talvez um pouco avoado. Mais tarde ela confessaria que se nunca desistira de mim fora por puro egoísmo. Nunca entendi muito bem isso. E agora não importa mais.
A garotinha nua me estende a mão. Eu saco a arma e atiro nela. De novo. De novo. E de novo. E. Clic Clic Clic Clic Clic Clic. Mas não adianta. Ela não cai. Eu solto a arma.
Como quer a sua morte? a garotinha pergunta, sorrindo e  estendendo a mão.
Você não é uma garotinha, eu falo. Você. Não é. Uma. Garotinha.
Não, diz ela, a voz arrastada novamente, não sou, não é?
Ela gesticula e, às minhas costas, Bidisha se ergue como uma boneca, uma marionete. Seus passos são desajeitados e seus braços se movem em ângulos impossíveis ao som de ossos estalando. Ela começa a rasgar seu vestido e o sangue preto é uma gosma dentro de sua boca. Ela cambaleia em minha direção. Ela cai. Ergue-se novamente. Seu pé se rasga em um prego exposto, mas não há sangue, os mortos não sangram. Eu recuo. Trêmulo.
Ela quer uma última trepada com você, diz a garotinha, novamente com a voz inocente. Ela quer foder com você como eu fodi com ela.
Então, eu corro para cima da garotinha e a acerto com toda força. Eu a derrubo no chão e piso em seu pescoço e ela se debate e o sangue começa a espirrar de sua boca e ela se engasga e, então, ela não se debate mais. Eu ouço Bidisha desabar. E o estalar de madeira. Um ruído alto como o de um trovão. O Cristo sem cabeça desceu do altar e está andando lentamente na direção da garotinha – na minha direção. Cada passo é dado como se ele quisesse alcançar a maior distância em menos tempo. Ele enfia a mão dentro dos panos que cobrem sua nudez e dá para perceber que está muito excitado. Ele pisa sobre uma coxa de Bidisha e a perna dela quase se separa do resto do corpo. Ele continua vindo.  Ele me ignora e ergue a garotinha e começa a carrega-la para fora da igreja como uma boneca. Eles saem para fora.
Eu vou atrás e observo quando eles atravessam a estrada e sobem pelo pasto. Eu corro para o carro, abro o porta-malas e pego o galão de gasolina. Então derramo sobre o Cristo decapitado. Ele continua me ignorando, apenas andando em frente. Eu acendo o isqueiro. O fogo lambe a madeira do crucificado e a carne da  menina.
Eles continuam andando e depois de muito tempo eu ainda posso vê-los à distância, em chamas, enquanto lá no alto as nuvens tornam a despejar água.
Eu entro na igreja. Nada me resta a fazer a não ser ficar ao lado de Bidisha.
 

ozawa

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lembre-se das regras

01regra
1 - Você não fala sobre o Clube da Luta.
2 - Você não fala sobre o Clube da Luta.
regra3
3 - Quando alguém disser "pare" ou perder os sentidos a luta acaba.
4 - Só duas pessoas em cada luta.
regra4
5 - Uma luta de cada vez.
6 - Sem camisa, sem sapatos.
regra08
7 - As lutas duram o tempo que for necessário.
8 - Se é a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem que lutar.

esse negócio de morte

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frases de filmes

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"Me dá um whisky com soda. E não seja miserável, querido. "
Anna Christie
 

Chris Ware’s

chris ware
Jimmy Corrigan – O menino mais esperto do mundo. Gibizaço.

"candy colored clown"


David Linch e seu Veludo Azul... Dennis Hooper brilha ouvindo o palhaço de doce colorido.