Um dia ideal para os peixes-banana e livros e cinema e gibis e nus e ataxia espinocerebelar e 𓋹
domingo, 25 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
FRENESI
"Nunca me esqueço do poder das adolescentes de treze, catorze, quinze anos, quando elas estão em bando. Elas quase me mataram. Nunca senti tanto medo de perder a vida como quando me vi cercado por adolescentes. Elas me esganaram, me rasgaram as roupas, a carne, e quando o bando entra nesse nível de frenesi, é difícil descrever, expressar o quanto é aterrorizante. Os policias fugindo apavorados, e então resta só você diante da carnificina que essas emoções descontroladas podem causar."
Keith Richards em Vida, sua auto-biografia.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
TRECHO QUERÔ
plínio marcos
“Eu nunca fui nada. Nem tem jeito de ser nada. Mas, porra, eu não quero morrer. Não quero. O Zulu não falava que queria morrer. Mas eu sei que ele não queria. Eu estava sabendo. Eu via. Não é que eu via, manja? Estava escuro paca. A gente não se via. Eu, no começo, só enxergava o revólver que estava na mão do filho da puta. Essa merda aqui. Esse trinta e oitão mesmo. Mas quando ele passou pra minha mão, eu nem via mais a draga. Via os olhos do crioulo. Via o medo dele… Eu vi. Ele estava encagaçado. Eu sei. Eu sei de tudo. Eu sou o Querô! Porra, eu sou o Querô! … Era eu ou ele. E antes ele do que eu…Os meus olhos eram duas brasas. E ele via. Via bem o gosto que eu tinha na boca… Via bem. Via o cheiro que eu tinha no nariz. O fedor escroto. O fedor fodido do perfume das putas da Xavier… O crioulo via. Via. E eu via. Via a merda toda. Aquela bosta fedida era minha vida. A minha própria vida. E eu apertei. Apertei pra valer… Porque era a minha vida que valia ali. A minha bronca fodida de tudo. Desde que eu nasci. Desde esse apelido porco que carrego.”
sábado, 17 de novembro de 2012
poster RE-ANIMATOR
palmas para a estréia cinematográfica do dr. herbert west. o homem que descobriu o soro da imortalidade. quer dizer… mais ou menos. um clássico dos filmes de zumbis.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
HQ | THE WALKING DEAD
mais que zumbis e carnificina, o que salta aos olhos é a velha e desesperada humanidade. para ler, clique na capa.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
fringe
ciência de borda levada às ultimas consequências. viagens no tempo, mundos paralelos, criaturas inomináveis, seres avançados, gênios, tecnologia futurista. variações e vislumbres de pontos de vistas estranhos e bizarros. a loucura confundida com a genialidade. série muito boa. para ver, clique na imagem.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
V DE VINGANÇA
vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."
vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
Para ler, clique na imagem.
domingo, 4 de novembro de 2012
AMERICAN HORROR STORY ASILUM
enquanto a primeira temporada não me conquistou, esta segunda – ASILUM – tem-se demonstrado uma das melhores séries de terror da tv.
em sua delirante mistura de clichês que evocam outras obras do gênero ou não (lorna a exorcista, freaks, arquivo-x, o exorcista, um estranho no ninho, sexta-feira 13, a ilha do dr. moreau…) não há como não abrir um sorriso malévolo e satisfeito.
personagens ambiguos, demônios, experiências com humanos, psicopatas, sexo, exorcismos, fanatismo, aliens…
um verdadeiro e sangrento banquete. cheio dos mais insuspeitos nuances, como as melhores histórias de horror devem ser.
entrevista Sion Sono (園 子温 ,Sono Shion, 1961)
uma entrevista reveladora (em inglês) com um dos cineastas mais fodas em atividade: Channeling Chaos – An Interview with Sion Sono.
sábado, 3 de novembro de 2012
Himizu ヒミズ
um desses filmes que impressionam, mais um, de Sion Sono 園 子温, conta uma história que se passa logo após o tsunami que devastou o japão, uma fábula de abusos, violência e juventude perdida.
fica a dica.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
trecho O CÃO DA MORTE
Agatha Christie
Quem primeiro me falou sobre o caso foi o correspondente americano William P. Ryan. Jantávamos em Londres, na véspera do seu retorno a Nova York, e acabei por mencionar minha ida a Folbridge no dia seguinte.
Ele levantou o rosto e perguntou espantado:
- Folbridge, em Cornwall?
Só uma em cada mil pessoas sabe que há uma cidadezinha chamada Folbridge em Cornwall. O normal é associarem o nome à Folbridge de Hampshire. A pergunta de Ryan me deixou curioso.
- Sim. Você conhece?
Ele deu de ombros e perguntou se eu conhecia uma propriedade de lá chamada Trearne.
Fiquei mais interessado e disse:
- Pois bem. Na verdade, é para lá que estou indo.
É a residência da minha irmã.
- Mas que ironia do destino! - exclamou William.
Sugeri que ele parasse de fazer suspense e explicasse de uma vez que história era aquela.
- Bem - disse ele. - Para fazer isso, tenho de lhe contar uma experiência por que passei logo no início da guerra.
Suspirei. Estávamos em 1921, e a última coisa que eu queria era que me lembrassem da guerra. Graças a Deus, estava começando a esquecê-la. Além disso, eu suspeitava que aquilo que William P. Ryan tinha para contar era uma dessas histórias intermináveis.
Mas eu já não podia detê-lo.
- Como você deve saber, no início da guerra eu estava na Bélgica, trabalhando como correspondente. Numa cidadezinha... não importa o nome. Um verdadeiro fim de mundo. Mas havia lá um enorme convento. Freiras vestidas de branco... como é que são chamadas? Não me lembro do nome da ordem. Bem, não importa. Esse pequeno burgo estava bem no caminho das tropas alemãs. Os boches chegavam...
Comecei a me mexer na cadeira, nervoso. William P. Ryan ergueu a mão para que eu me acalmasse.
- Não se preocupe. Esta não é uma história das atrocidades dos alemães. Até podia ter sido, mas não foi. Para falar a verdade, foram eles que se deram mal. Rumaram na direção do convento e, quando chegaram lá, a coisa foi pelos ares.
- Oh! - disse eu, assustado.
- Estranho, não? No início, imaginei que os boches estivessem celebrando alguma coisa e feito alguma macacada com os próprios explosivos. Mas parece que eles não traziam consigo nada do tipo. Estavam longe de ser os reis da dinamite. Mas, então, eu lhe pergunto: o que é que um bando de freiras iria entender de explosivos violentos?
- É mesmo estranho - concordei.
- Eu quis ouvir a opinião dos camponeses. Eles estavam por dentro de tudo. Tratava-se de um verdadeiro milagre moderno, cem por cento genuíno e de eficácia comprovada. Parece que as freiras eram conhecidas.
Havia entre elas uma aspirante a santa, que entrava em transe e tinha visões. A façanha foi obra dela. Invocou um raio para dar fim aos malditos boches e acabou com eles bem direitinho, e também com tudo que estava ao redor. Um milagre de grande eficácia!
William fez uma pausa e depois continuou:
- Nunca descobri direito o que aconteceu. Não tive tempo de investigar. Era a época dos milagres. Falava-se de anjos protegendo as tropas britânicas na Batalha de Mons e não sei o que mais. Escrevi uma história de arrancar lágrimas, carregando no lado religioso, e enviei ao meu editor. O jornal vendeu como água. Nos Estados Unidos, adoravam essas coisas.
William me olhou desconfiado, depois acrescentou:
- Não sei se você me entende... mas, ao escrever sobre o assunto, acabei me interessando. Eu queria saber o que realmente aconteceu. No lugar, não havia nenhuma pista. Só duas paredes ficaram de pé. Em uma delas, a explosão deixara gravada a figura enorme de um cão.
"Os camponeses tinham horror daquela marca, que chamavam de o cão da morte, e à noite jamais iam naquela direção. Essas superstições são curiosas. Eu fiquei com vontade de ver a tal santa que provocara aquilo tudo. Corria o boato de que ela não morrera e fora à Inglaterra com um bando de outros refugiados. Ao investigar o seu paradeiro, descobri que estava em Trearne, Folbridge, Cornwall."
Assenti com a cabeça.
- No início da guerra, minha irmã recebeu muitos refugiados belgas. Cerca de vinte - eu falei.
- Bem... sempre tive vontade de conhecer a santa.
Queria ouvir da boca dela a história do desastre. Mas acabei me envolvendo com outros problemas e esquecendo do assunto. Quem é que vai a Cornwall, afinal?
Um lugar tão contramão... Para falar a verdade, nem me lembrava mais de nada disso até você mencionar Folbridge agora há pouco.
- Vou perguntar à minha irmã... Ela deve saber algo a respeito. Mas já faz tempo que os belgas foram repatriados, é claro.
- Eu sei. Mesmo assim, caso sua irmã se lembre de alguma coisa, qualquer informação me interessa.
- Não se preocupe. Repasso para você tudo que ela souber - disse eu, cordial.
E essa foi a nossa conversa.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
POSTER stoker
poster muito legal, mas… será que o estilo fodão do diretor coreano Park Chan-wook vai conseguir se manter na mediocridade de hollywood?
TRECHO alta fidelidade
Nick Hornby
– Barry, se eu dissesse a você que não vi ‘Cães de Aluguel’ ainda, o que isso significaria?
Barry olha para mim.
- Simplesmente… vamos, o que significaria para você? Essa frase? Não vi ‘Cães de Aluguel’ ainda?
- Para mim significaria que você é um mentiroso. Ou isso ou você enlouqueceu. Você o viu duas vezes. Uma vez com Laura, uma vez comigo e com Dick. Tivemos aquele conversa sobre quem matou o Mr. Pink ou outra porra qualquer.
- Tá, eu sei. Mas digamos que eu não o tivesse visto e dissesse para você ‘Não vi Cães de Aluguel ainda’, o que você iria pensar?
- Eu pensaria, é um homem doente. E teria pena de você.
- Não, mas você pensaria, a partir dessa única frase, que eu iria ver?
- Espero que sim, porque de outra forma teria que dizer que você não é amigo meu.
- Não, mas…
- Desculpe, Rob, mas está difícil para mim. Não estou entendendo nada dessa conversa. Você está me perguntando o que eu pensaria se você me dissesse que não viu o filme que você viu. O que é que eu devo dizer?
- Simplesmente me escute. Se eu dissesse a você…
- ‘Não vi Cães de Aluguel ainda’, tá, tá, estou escutando você…
- Você… você ficaria com a impressão que eu queria vê-lo?
- Bem, desesperado você não estaria, porque senão já teria ido.
- Exatamente. A gente foi na primeira noite, lembra?
- Mas a palavra ‘ainda’… É, eu ficaria com a impressão que você queria ver. De outra forma você diria que não tinha muita vontade.
- Mas na sua opinião, eu iria com certeza?
- Como é que eu posso saber? Você poderia ser atropelado por um ônibus, ou ficar cego, ou qualquer coisa. Você poderia desistir da idéia. Você poderia estar duro. Você poderia simplesmente enjoar de ouvi as pessoas dizendo que você realmente precisava ir.
Não gosto do jeito que isso é colocado.
- Por que elas se importariam?
- Porque é um filme genial. É engraçado, é violento e tem Harvey Keitel e Tim Roth no elenco, e tudo o mais. E uma trilha sonora do cacete.
Talvez não haja comparação entre Ian dormir com Laura e ‘Cães de Aluguel’, afinal. Ian não tem Harvey Keitel e Tim Roth no elenco. E Ian não é engraçado. Nem violento. E a trilha sonora dele é uma bosta, a julgar pelo que ouvíamos através do teto. Já chega disto.
Só que isso não faz com que eu pare de me preocupar com o ‘ainda’.