terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Ranxerox e a Revolta de 1977

Prefácio da edição brasileira de Ranxerox para a Editora Conrad.

por Rogério de Campos.







BONG JOON HO E A CÂMERA


O diretor Bong Joon Ho fala de sua carreira e seu modo de filmar numa conversa de mais ou menos 90 minutos.


DE PROFUNDIS

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OSCAR WILDE

É preciso que eu diga a mim mesmo que fui o único responsável pela minha ruína e que ninguém, seja ele grande ou pequeno, pode ser arruinado exceto pelas próprias mãos. Estou pronto a afirmá-lo. Tento fazê-lo, embora eles possam não concordar comigo neste momento. Esta impiedosa acusação eu a faço sem piedade contra mim mesmo. Terrível foi sem dúvida o que o mundo fez comigo, mais terrível ainda foi o que eu fiz contra mim mesmo.

Fui um homem que se colocou em relação simbólica para com a arte e a cultura do seu tempo. Concebi essa idéia desde a mais tenra juventude e mais tarde obriguei meus contemporâneos a aceitá-la. Poucos homens conseguem atingir tal posição enquanto ainda vivos e fazer com que os outros a reconheçam. Geralmente ela só é percebida pelo historiador – quando isso acontece – muito tempo depois, quando tanto o homem quanto a sua época já desapareceram. Comigo foi diferente: eu percebi por mim mesmo e fiz com que os outros o percebessem. Byron também foi uma figura simbólica, mas suas relações eram com a paixão da sua época e o cansaço e o tédio que essa paixão inspirava. As minhas relações eram com algo bem mais nobre, permanente, vital e abrangente.

Os deuses me concederam quase tudo: eu possuía o gênio, um nome, posição, agudeza intelectual, talento. Fiz da arte uma filosofia e da filosofia uma arte, não havia nada que dissesse ou fizesse que não provocasse a admiração das pessoas. Peguei o drama, a mais objetiva das formas da arte que se conhece, e transformei-o numa forma de expressão tão pessoal quanto o poema lírico ou o soneto, ao mesmo tempo que ampliava o seu alcance e enriquecia as suas características. Drama, novela, poema em prosa ou verso, diálogos fantásticos ou sutis, o que quer que eu tocasse tornava belo, com um novo tipo de beleza; atribuí à própria verdade, como sua legítima jurisdição, tanto o que é falso quanto o que é verdadeiro e demonstrei que o falso e o verdadeiro são apenas formas de vida intelectual. Tratei a arte como a suprema realidade e a vida como uma mera ficção. Despertei a imaginação do século em que vivi, para que criasse um mito e uma lenda em torno da minha pessoa. Resumi todos os sistemas numa única frase e toda a existência numa epígrafe.
Além de todas essas coisas eu ainda tinha algo diferente. Mas me deixei atrair por longos períodos de ócio sensual e insensato. Divertia-me ser um flâneur, um dândi, um homem da moda. Cerquei-me de naturezas menores e de inteligências medíocres. Dissipar o meu próprio gênio e desbaratar uma juventude que me parecia eterna provocava em mim uma estranha alegria. Cansado das alturas, desci voluntariamente às profundezas em busca de novas sensações. O que o paradoxo significava para mim no âmbito do pensamento, a depravação passou a significar no âmbito das paixões. No fim o desejo era como uma doença, uma loucura, ou ambas.
Deixei de pensar nos outros, desfrutava o prazer onde quer que o encontrasse e seguia adiante. Esqueci que cada pequena ação cotidiana pode fazer ou desfazer um caráter e que tudo aquilo que fazemos no segredo da alcova teremos que confessá-lo um dia, gritando do alto dos telhados. Deixei de ser senhor de mim mesmo.
Já não era mais o comandante da minha alma e não sabia. Permiti que o prazer me dominasse e acabei caindo em terrível desgraça. Agora só uma coisa me resta: a mais absoluta humildade.

Via Poesias, frases e textos.



SÓ UM TOQUE



 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

BATALHA DE RAP

Legião era uma série diferenciada (e criativa e instigante e fodástica) que sabia ser louca e coerente ao mesmo tempo. Qual a melhor maneira de se vencer o Grande Lobo Mau? Uma batalha de rap, claro.

 

田園に死す

(Do comentário do diretor Shuji Terayama sobre seu filme Pastoral: To Die in the Country 田園に死す Den-em ni shisu.)

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A minha infância, os grandes jogos das escondidas... Era eu que procurava os outros, e ninguém respondia aos meus apelos.
No fim do dia, os músicos do circo vizinho, que ensaiavam para o espetáculo no dia seguinte, tinham ido deitar-se. E eu, ao longo de um caminho deserto, no interior desse ambiente campestre onde nascera, procurava os meus pequenos amigos. Mas onde é que eles estavam?
Uma luz filtrava as janelas de uma casa. De fora, observo aquele que, na sala, serve a comida aos seus. Reconhecia, naquele verdadeiro chefe de família, uma das crianças que partia para se ir esconder no princípio do jogo. Todos os outros tinham também envelhecido. Eles tinham escapado às minhas buscas. Eles reconduziam-me à minha infância.
Se queremos libertar-nos, liquidar em nós toda a história da humanidade, e, à nossa volta, a de toda a sociedade, é preciso evacuar as nossas próprias memórias. Mas então, a nossa memória, começa a jogar às escondidas conosco e não pode, debalde, se livrar integralmente.
Neste filme, onde a personagem central decide levar a cabo uma revisão do seu passado, propus-me a encontrar com ele, a sua identidade. E por aí, a identidade de todos nós.

espaço da sétima arte.


THEOREMS

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“… the most probable of all my theorems, is that life is ordered by the principles of some religion so peculiar and obscure it has no followers, and none may fathom it, nor know the rituals by which to court its favour.”

“Above, great constellations wheeled to which our bonfire sparks ascended in their tiny mimicry”

“Trust in the fictive process, in the occult interweaving of text and event must be unwavering and absolute. This is the magic place, the mad place at the spark gap between word and world.”

Alan Moore, Voice of the Fire


LISTRAS VERMELHAS



 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

EU TAMBÉM


Bob Esponja, calça quadrada!

 

COIN TOSS

 Do filme No Country For Old Men (2007), dirigido por Ethan CoenJoel Coen.

  

SOBRE COMO SE ESCREVE DIÁLOGOS

Arte de Scarlet, parceria de Brian Michael Bendis com Alex Maleev (Divulgação)

Vitralizado: Os seus diálogos estão entre os elementos mais característicos dos seus quadrinhos. Em Escrevendo para Quadrinhos você recomenda escrita e leitura para o desenvolvimento de texto e imagino que isso também valha para diálogos, mas quais outros exercícios e práticas você recomenda para a construção de bons diálogos? Como construir um diálogo que flua bem e soe natural?


Brian Michael Bendis: Ouça. Ouça as pessoas quando elas falam. Ouça o que elas dizem. Ouça o que elas não dizem. Ouça as pausas. Diálogo é música. Acho que escritores que realmente levam o diálogo a sério usam a mesma parte do cérebro que um músico usa. Como se eles estivessem dominando um instrumento musical.

Mas a maior parte do “diálogo natural” é terrível. A maioria das pessoas diz coisas estúpidas, mas DESEJAM estar dizendo coisas inteligentes. Eu me incluo. Portanto, é uma espécie de ilusão que você está criando o que soa um diálogo natural. Você está criando momentos inteligentes que revelam o personagem – todos sonham com esses momentos na vida, então eles querem isso em suas histórias.



A COR DA PELE


 NMB48横野すみれの尻が凄いから見てくれ.


 

MAIS TARDE

 


O novo livro de Stephen King mistura um garoto com poderes sobrenaturais, uma policial e um assassino do além-túmulo. Como pode se ver, nada de novo, mas esperamos que King consiga tirar algo emocionante daí. Sai em março lá fora.

(Desculpem o mau humor, o problema não é não é o plot da criança paranormal - bons escritores se repetem - porém os últimos livros de King não tem me empolgado.)

[Aqui] 


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O MONÓLOGO DO IMPERADOR

Cristopher Plummer em Starcrash (1978). O Sr. Plummer nos deixou hoje: Nascimento: 13 de dezembro de 1929, Toronto, Canadá... Falecimento5 de fevereiro de 2021.

 

PICO NA VEIA


Dalton Trevisan

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1.

O casal brigado, de costas. Longo silêncio. De repente o velho:

– Sua diaba. Para de ficar ouvindo o meu pensamento!

2.

O velho:

– Acordo às três da manhã. Daí começo a brigar.

– Com quem?

– Com a minha cabeça.

3.

Como dormir se, para os mil olhos da insônia, você só tem duas pálpebras?

4.

A velha:

– Por que você abre a boca, João, quando olha para cima?

– Não sou eu. É o queixo que cai.

5.

Enfim sós, e a velhinha toda meiguice:

– Mais um dia em que me arrependo de ter casado com você.

6.

– Sempre vaidoso, o meu velho. Primeiro me fez ir ao alfaiate. Estreitar um palmo na cintura da calça.

–Tão acabadinho, coitado.

– Agora vou ao sapateiro. Mais três furos no cinto.

– Será que desconfia?

– Bem iludido, o pobre. Daquela cama se levanta nunca mais.

7.

O velho em agonia, no último gemido para a filha:

– Lá no caixão…

–Sim, paizinho.

–…Não deixe essa aí me beijar.

8.

– Se um de nós faltar… ai, João…

– Durma, velha.

– …o que vai ser de mim?

9.

– Por que ele está demorando tanto?

Se pergunta no fim do dia a viúva inconformada, sondando tristinha pela janela.

10.

Olhinho perdido na janela, suspira o velho:

– O que será que o meu canarinho anda fazendo?



O PROGRAMA FINAL

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Jerry no longer had any idea whether the world he inhabited was “real” or “false”; he had long since given up worrying about it.


 

A FÉ VERDADEIRA


Aqui vai um pequeno resumo do Darkseid Club: "Escrita por Garth Ennis a revista é uma sátira religiosa inspirada em sua vida escolar, Como as duas histórias anteriores (Troubles) a HQ foi lançada como uma graphic novel em 1990, mas os protestos religiosos fizeram com que a HQ fosse rapidamente retiradas das vendas, aparentemente sob as ordens do editor Robert Maxwell. Posteriormente, foi relançado em 1997 pela Vertigo." trazido a vocês pelo pessoal do Fronteira de Gotham. Para ler/ baixar, clique na capa.

 

A VIOLÊNCIA NA NEVE

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Sobre Fargo: o filme fodástico que virou uma série fodástica.

 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

SEXY

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American flagg - clássico absoluto

Sexo! Violência! Cyberpunk! Intrigas! Meias de renda! Brasil super potência! Sexo! EUA falido! Violência! Sexo! Um gato falante! Mulheres lindas! Corrupção! Tiroteios! Suspense! Mulheres nuas! Diálogos perfeitos! E Howard Chaykin mandando ver em seu melhor quadrinho! Um dos melhores de todos os tempos! Leia!

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BUKOWSKI POR Butcher Billy

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República dos quadrinhos.


Kink Me Honey

Martin Millar

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'I don’t know why you hated his reading so much,’ said Gina. ‘Other people liked it.’

‘His stories are full of angst and guilt. Everything connected with kink and fetish seems to lead to misery. But the people in the audience weren’t miserable about their kinky behaviour. They enjoyed it. It’s not fetish that makes them miserable, it’s lack of it.’

‘That may be true,’ agreed Gina. ‘Mig and Brandon are always cheerful after she whips him. It’s quite a happy domestic scene, really. Not much angst at all. But that wouldn’t make for a very good story, would it? And some woman flinging herself enthusiastically over your knee for a lengthy spanking is hardly going to enthral the reader either. There’s no drama in that.’

‘I suppose not.’

Gina smiled. ‘And you know Ark, you do have your share of misery and angst. Quite a large share.’

‘Yes, of course. But that’s from everything else in life. The actual kink is fine.’


YUKA KOIZUME

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乃木坂46/及時行事 (中文字幕版)



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

CORTO O GATO O PÁSSARO


 Corto Maltese, o marinheiro aventureiro bandido fascinante de Hugo Prat.

 

À Cristo o que é de Cristo, segundo Scorsese

I was driven to make ‘Last Temptation’ because I wanted to look at questions of faith and penance and redemption within the context of the world right now, with all the formalities stripped away. I’m constantly exploring this question in my pictures and in my life. (…) I was trying to start a dialogue. I didn’t want to just make a picture for people who were secure in their faith. Christ’s teachings are about all of us—the secure and the insecure, the powerful and the powerless, the down and out, the addicts, the people in real pain, the people caught in states of delusion, the ones who feel absolutely hopeless and see no possibility of grace or redemption. Because the afflictions of “the least among us,” as Jesus said, the inner circumstances that lead to their fall, are in everyone. I wanted to make a picture about a historical figure named Jesus, a spiritual guide, but also… a human being, surrounded by other recognizable human beings, as opposed to wax figures. Did I think it would be accepted by everyone? Not necessarily. But I hoped it would. I knew that everyone wouldn’t embrace it, but I thought they just might. And what happened was that the picture was vilified by people who made a cultural show of their vilification, and many of whom not only hadn’t seen it but vowed to never see it. And that saddened me. Martin Scorsese

 


A BOCA, SEMPRE A BOCA


 

NA CAMA


 com meu amor? Cena de A Criada, 2016, dirigido por Park Chan-wook. Um puta filme!

 

UM TEMA PARA O ROBÔ POLICIAL

O tema fodástico de Robocop pelo também fodástico Basil Poledouris. Eita filmaço!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021