segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

FRAMES DE Chan-wook Park

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Lady Vingança.
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Sede de sangue.
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Eu sou uma cyborg, mas ok.
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Zona de risco.
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Mr. Vingança
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Old Boy.
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A criada.
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Segredos de sangue.
Chan-wook Park é um cineasta brilhante que sempre entrega obras acima da média, aquele tipo de filme que fascina e vicia na sétima arte. Seus filmes sempre são instigantes, violentos, perfeitos.

PÁGINA FATALE

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Um puta gibi noir-terror-ancestral-lovecraftiano de Ed Brubaker. Muito muito muito bom.

FRAMES Stoker

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“My ears hear what others cannot hear; small faraway things people cannot normally see are visible to me. These senses are the fruits of a lifetime of longing, longing to be rescued, to be completed. Just as the skirt needs the wind to billow, I’m not formed by things that are of myself alone. I wear my father’s belt tied around my mother’s blouse, and shoes which are from my uncle. This is me. Just as a flower does not choose its color, we are not responsible for what we have come to be. Only once you realize this do you become free, and to become adult is to become free.” — India Stoker.       

FRAMES VÍCIO FRENÉTICO

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O meu filme preferido de Abel Ferrara é uma descida ao inferno, sem concessões, brutal e perfeita. Orgias, violência, estrupo, sordidez e a beleza de uma alma condenada.

FRAMES A INFÂNCIA DE IVAN

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A Infância de Ivan consegue ser deslumbrante tanto em seus temas como em suas imagens. Poesia em celuloide, como dizem.

FRAMES GILDA

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Um desses noir fascinantes que se tornou um clássico. Rita Hayworth em estado de graça.

O Estratagema do Amor


MARQUÊS DE SADE

Marquês de Sade

De todos os desvios da natureza, o que fez mais pensar, o que pareceu mais estranho a estes meio-filósofos que querem analisar tudo sem nada compreender, dizia um dia a uma das suas melhores amigas a Menina de Villebranche de quem vamos ter ocasião de nos ocuparmos em seguida, é este gosto estranho que mulheres duma certa construção, ou dum certo temperamento, conceberam por pessoas do seu sexo. Embora muito antes da imortal Safo e depois dela não tenha havido uma só região do universo nem uma única cidade sem nos oferecer mulheres com este capricho e embora, perante provas de tal força, parecesse mais razoável acusar a natureza de singularidade do que estas mulheres de crime contra a natureza, nunca todavia se deixou de vituperá-las, e sem o ascendente imperioso que sempre teve o nosso sexo, quem sabe se algum Cujas, algum Bartole, algum Luís IX não teriam imaginado fazer contra estas sensíveis e infelizes criaturas leis iníquas, como as que se lembraram de promulgar contra os homens que, construídos no mesmo género de singularidade, e por tão boas razões sem dúvida, julgaram poder bastar-se a si próprios, e imaginaram que a mistura dos sexos, muito útil à propagação, podia muito bem não revestir esta mesma importância para os prazeres. Deus nos livre de tomar qualquer partido a tal respeito... não é, minha cara?, continuava a bela Augustine de Villebranche atirando a esta amiga beijos que pareciam, contudo, um tanto suspeitos, mas em vez de iniquidades, em vez de desprezo, em vez de sarcasmos, todas armas perfeitamente embotadas nos nossos dias, não seria infinitamente mais simples, numa acção tão totalmente indiferente à sociedade, tão igual a Deus, e talvez mais útil do que se acredita na natureza, deixar cada um agir a seu gosto... Que se pode recear desta depravação?... Aos olhos de todo o ser verdadeiramente sensato, parecerá que ela pode evitar maiores, mas nunca se provará que possa conduzir a perigosas... Ah, justos céus, receia-se que os caprichos destes indivíduos de um ou outro sexo façam acabar o mundo, que ponham em leilão a preciosa espécie humana, e que o seu pretenso crime a aniquile, por não proceder à sua multiplicação? Reflicta-se um pouco sobre isto e ver-se-á que todas estas perdas quiméricas são inteiramente indiferentes à natureza, que não só não as condena, mas nos prova através de milhares de exemplos que as quer e as deseja; ah, se estas perdas a irritassem, tolerá-las-ia em milhares de casos, permitiria, se a progenitura lhe fosse tão essencial, que uma mulher só pudesse servir para isso durante um terço da sua vida e que ao sair das suas mãos a metade dos seres que ela produz tivessem o gosto contrário a essa progenitura no entanto exigida por ela? Digamos melhor, permite que as espécies se multipliquem, mas não o exige, e bem segura de que terá sempre mais indivíduos do que necessita, está longe de contrariar as inclinações dos que não têm a propagação como uso e que se repugnam de conformar-se a ela. Ah! deixemos agir esta boa mãe, convençamo-nos bem de que os seus recursos são imensos, de que nada que façamos a ultraja e de que o crime que atentaria contra as suas leis nunca estará nas nossas mãos.

A Menina Augustine de Villebranche de que acabamos de ver uma parte da lógica, senhora das suas acções com a idade de vinte anos, e podendo dispor de trinta mil libras de rendas, decidira-se por gosto a nunca se casar; o seu nascimento era bom, sem ser ilustre, era filha única dum homem que enriquecera nas índias e morrera sem jamais a ter podido convencer ao casamento. Não o devemos dissimular, muito entrava desta espécie de capricho, de que Augustine acabava de fazer a apologia, na repugnância que testemunhava pelo himeneu; seja conselho, seja educação, seja disposição de órgão ou calor de sangue (nascera em Madras), seja inspiração da natureza, seja tudo o que se quiser enfim, a Menina de Villebranche detestava os homens, e totalmente entregue ao que os ouvidos castos entenderão pela palavra safismo, só encontrava volúpia com o seu sexo e só se satisfazia com as graças do desprezo que sentia pelo Amor.

Augustine era uma verdadeira perda para os homens; alta, feita para ser pintada, os mais belos cabelos castanhos, o nariz um pouco aquilino, os dentes soberbos, e olhos duma expressão, duma vivacidade... a pele duma delicadeza, duma brancura, todo o conjunto numa palavra duma espécie de volúpia tão atraente... que era bem certo que vendo-se tão feita para dar amor e tão determinada a não o receber, podia muito naturalmente escapar a muitos homens um número infinito de sarcasmos contra um gosto, aliás muito simples, mas que privando, apesar disso, os altares de Safo duma das criaturas do universo mais bem feitas para os servir, devia necessariamente indispor os sectários dos templos de Vénus. A Menina de Villebranche ria satisfeita de todas estas censuras, de todos estes maus propósitos, e nem por isso se entregava menos aos seus caprichos.

- A mais elevada de todas as loucuras - dizia ela -, é envergonharmo-nos das inclinações que recebemos da natureza; e fazer pouco dum qualquer indivíduo que tem gostos singulares, é absolutamente tão bárbaro como o seria mofar dum homem ou duma mulher saído zarolho ou coxo do seio da mãe, mas insinuar estes princípios razoáveis a néscios é empreender parar o curso dos astros. Existe uma espécie de prazer para o orgulho em rir dos efeitos que não se tem, e estes gozos são tão doces ao homem e particularmente aos imbecis, que é muito raro vê-los renunciar-lhes... Isso provoca, aliás, maldades, frios ditos de espírito, fracos trocadilhos, e para a sociedade, ou seja para uma colecção de seres que o tédio junta e que a estupidez modifica, é tão doce falar duas ou três horas sem nada dizer, tão delicioso brilhar à custa dos outros e anunciar estigmatizando-o um vício que se está muito longe de ter... é uma espécie de elogio que se pronuncia tacticamente sobre si mesmo; por este preço consentem até em se unir aos outros, em fazer cabala para esmagar o indivíduo cujo grande erro é o de não pensar como o comum dos mortais, e retiram-se para casa inchados do espírito que mostraram, quando só provaram radicalmente por uma tal conduta pedantismo e tolice.

Assim pensava a Menina de Villebranche e muito afirmativamente decidida a nunca se constranger, rindo-se dos preconceitos, bastante rica para se bastar a si própria, acima da sua reputação, visando epicuriamente uma vida voluptuosa e de modo algum as beatitudes celestes nas quais acreditava muito pouco, ainda menos uma imortalidade demasiado quimérica para os seus sentidos, rodeada por um pequeno círculo de mulheres pensando como ela, a querida Augustine entregava-se inocentemente a todos os prazeres que a deleitavam. Tivera muitos apaixonados, mas todos tinham sido tão maltratados, que se estava enfim em vésperas de renunciar a esta conquista, quando um jovem chamado Franville, pouco mais ou menos da sua categoria social e tão rico como ela, tendo ficado loucamente amoroso, não só não se desgostou com os seus rigores mas determinou-se mesmo muito seriamente a não abandonar a praça enquanto ela não fosse conquistada: participou o seu projecto aos amigos, riram-se dele, manteve que conseguiria, desafiaram-no e ele tentou. Franville tinha dois anos a menos do que a Menina de Villebranche, ainda quase nenhuma barba, uma linda figura, as feições mais delicadas, os mais belos cabelos do mundo; quando o vestiam de moça, ficava tão bem neste trajo que enganava sempre os dois sexos, e várias vezes recebera, de uns por engano, de outros conscientes do que faziam, uma quantidade de declarações tão preciosas, que poderia no mesmo dia tornar-se o Antínoo de qualquer Adriano ou o Adónis de qualquer Psiqué. Foi assim vestido que Franville imaginou seduzir a Menina de Villebranche; vamos ver como se houve.

Um dos maiores prazeres de Augustine era vestir-se de homem no carnaval, e correr todas as assembleias sob este disfarce tão análogo aos seus gostos; Franville que fizera espiar os seus passos e tivera até aí a precaução de muito pouco se lhe mostrar, soube um dia que aquela que adorava devia ir nessa mesma noite a um baile dado por associados da Ópera, onde todas as máscaras podiam entrar, e que seguindo o uso desta encantadora moça, ela estaria de capitão de dragões. Disfarça-se de mulher, faz-se embelezar, compor com toda a elegância e todo o cuidado possível, põe muito pó de arroz, sem máscara, e seguido duma das suas irmãs muito menos bela do que ele, entra assim na assembleia onde a amável Augustine apenas ia procurar aventuras.

Franville não dera três voltas à sala quando foi logo distinguido pelos olhos conhecedores de Augustine.

- Quem é esta bela moça? - disse a Menina de Villebranche à amiga que a acompanhava. - Parece-me que nunca a vi em parte nenhuma, como pôde pois escapar-nos uma tão bela criatura?

E mal estas palavras são ditas, Augustine faz tudo quanto pode para entabular conversa com a falsa Menina de Franville que primeiro foge, volteia, evita, escapa e tudo isso para se fazer desejar mais ardentemente; por fim dá-se o encontro, as impressões vulgares mantêm de início a conversa que, pouco a pouco, se torna mais interessante.

- Está um calor horrível no baile - disse a Menina de Villebranche -, deixemos as nossas companheiras juntas e vamos tomar um pouco de ar nestes gabinetes onde jogamos e nos refrescamos.

- Ah! Senhor - disse Franville à Menina de Villebranche continuando a fingir tomá-la por um homem -, na verdade, não me atrevo, apenas tenho aqui a minha irmã, mas sei que a minha mãe deve vir com o esposo que me destina, e se uma ou outro me vissem consigo, seria um sarilho...

- Bom, bom, é preciso sobrepor-se a todos esses terrores de criança... Que idade tem, belo anjo?

- Dezoito anos, senhor.

- Ah! Respondo-lhe que aos dezoito anos se deve ter adquirido o direito de fazer tudo o que se quiser... vamos, vamos, siga-me e nada tema... - e Franville deixa-se conduzir.

- O quê, encantadora criatura -, continua Augustine, conduzindo o indivíduo que julga ser uma moça para os gabinetes contíguos à sala do baile -, o quê, vai-se casar realmente... como a lastimo... e quem é essa personagem que lhe destinam, um maçador aposto... Ah, como esse homem será afortunado e como gostaria de estar no seu lugar! Consentiria em desposar-me, a mim, diga-o francamente, filha celeste.

- Ai de mim, sabe-o Senhor, quando se é jovem seguem-se os movimentos do coração?

- Está bem, mas recuse-o a esse homem desprezível, faremos juntos um mais íntimo conhecimento, e se chegarmos a acordo... porque não nos entenderíamos? Não preciso, graças a Deus, de nenhuma autorização... embora só tenha vinte anos, sou senhor dos meus bens e se pudesse inclinar os seus pais a meu favor, talvez antes de oito dias estivéssemos os dois ligados por laços eternos.

Assim conversando, tinham saído do baile, e a hábil Augustine, que não levava a sua presa para a envolver nas malhas dum amor perfeito, tivera o cuidado de a conduzir para um gabinete muito isolado, o qual graças às combinações que fazia com os organizadores do baile, tinha sempre o cuidado de reservar.

- Oh, meu Deus! - disse Franville, logo que viu Augustine fechar a porta deste gabinete e apertá-lo nos braços. - Oh, meu Deus, que pretende fazer?... Uma entrevista a sós, Senhor, e num lugar tão retirado... deixe-me, deixe-me, suplico-lhe, ou gritarei por socorro.

- Vou retirar-te o poder, anjo divino - disse Augustine imprimindo a sua bela boca sobre os lábios de Franville -, grita agora, grita se podes, e o bafo puro do teu hálito de rosa ainda mais incendiará o meu coração.

Franville debatia-se muito fracamente: é difícil mostrar cólera quando se recebe assim ternamente o primeiro beijo de tudo quanto se adora. Augustine, encorajada, atacava com mais força, empregava aquela veemência que realmente apenas é conhecida das mulheres deliciosas seduzidas por esta fantasia. Em breve as mãos passeiam, Franville representando a mulher que cede, deixa igualmente vaguear as suas. Toda a roupa se afasta, e os dedos chegam quase ao mesmo tempo onde cada um deles julga encontrar o que lhe convém... Então Franville mudando subitamente de papel:

- Oh, justos céus - exclama -, com que então não passa duma mulher...

- Horrível criatura - disse Augustine pondo a mão sobre coisas cujo estado não pode sequer permitir a ilusão -, dei-me eu tanto trabalho para achar um desprezível homem... é preciso ser muito infeliz.

- Na verdade não mais do que eu - disse Franville, arranjando-se e mostrando o mais profundo desprezo -, uso o disfarce que pode seduzir os homens, amo-os, procuro-os, e só encontro uma p...

- Oh, p..., não - disse azedamente Augustine -, nunca o fui em toda a minha vida, não é quando se abomina os homens que se pode ser tratada dessa maneira

- Como, é mulher e detesta os homens?

- Sim, e isso pela mesma razão que o senhor é homem e abomina as mulheres.

- A coincidência é única, eis tudo o que se pode dizer.

- É bem triste para mim - disse Augustine com todos os sintomas do mau humor mais marcado.

- Na verdade, Menina, é ainda mais fastidiosa para mim - disse amargamente Franville - eis-me manchado para três semanas; sabia que na nossa ordem fazemos voto de nunca tocar numa mulher?

- Parece-me que podem sem se desonrarem tocar numa como eu.

- Por minha fé, minha bela - continua Franville -, não vejo que haja grandes motivos para excepção e não acho que um vício lhe possa merecer um mérito a mais.

- Um vício... mas é o senhor quem reprova os meus... quando possui outros tão infames?

- Olhe - disse Franville -, não nos querelemos, estamos os dois metidos no jogo, o melhor é separarmo-nos e nunca mais nos vermos.

E dizendo isto Franville preparava-se para abrir as portas.

- Um momento, um momento - disse Augustine, impedindo-o de abri-las -, vai divulgar a nossa aventura a toda a terra, aposto.

- Talvez me divirta a fazê-lo.

- De resto, que me importa, graças a Deus estou acima dos murmúrios, saia, Senhor, saia e diga tudo o que lhe agradar... - E detendo-o uma vez mais -: Sabe - disse sorrindo -, que esta história é muito extraordinária... enganámo-nos os dois.

- Ah! o erro é muito mais cruel - disse Franville - para as pessoas com o meu gosto do que para as que têm o seu... e este vazio causa-nos repugnância...

- Por minha fé, meu caro, creia que o que me oferece nos desagrada pelo menos tanto; vamos, a repugnância é idêntica, mas a aventura é deveras divertida, temos de concordar? Volta ao baile?

- Não sei.

- Por mim não volto mais - disse Augustine -, fez-me sentir coisas... desgostou-me... vou-me deitar.

- Já não era sem tempo.

- Mas tenha ao menos a delicadeza de me emprestar o seu braço até minha casa, habito a dois passos, não tenho o meu coche, não me vai deixar ficar aqui.

- Não, acompanhá-la-ei de boa vontade - disse Franville -, os nossos gostos não nos impedem de ser correctos... quer a minha mão?... Ei-la.

- Só aproveito porque não encontro melhor por agora.

- Fique bem certa que por mim só lha ofereço por delicadeza.

Chegam à porta da casa de Augustine e Franville prepara-se para se despedir.

- Na verdade, o senhor é delicioso - disse a Menina de Villebranche -, com que então deixa-me na rua.

- Mil perdões - disse Franville -, não ousava.

- Ah, como são bruscos estes homens que não gostam das mulheres!

- É que eu - disse Franville, dando todavia o braço à Menina de Villebranche até ao seu apartamento -, é que eu, Menina, gostava de voltar depressa ao baile para reparar a minha tolice.

- A sua tolice, sente-se então muito aborrecido por me ter encontrado?

- Não digo tanto, mas não é verdade que podíamos ambos ter achado infinitamente melhor?

- Sim, tem razão - disse Augustine entrando enfim em casa -, tem razão, senhor, eu sobretudo... porque receio bastante que este funesto encontro venha a custar a felicidade da minha vida.

- O quê, não está então bem segura dos seus sentimentos?

- Ontem estava-o.

- Ah! não acredita muito nas suas máximas.

- Não acredito em nada, está a enervar-me.

- Está bem, eu saio, Menina, eu saio... Deus me livre de a incomodar durante mais tempo.

- Não, fique, ordeno-lhe, poderá uma vez na vida obedecer a uma mulher?

- Eu - disse Franville sentando-se por condescendência -, nada há que não faça, já lho disse, sou educado.

- Sabe que é horrível de na sua idade ter gostos tão perversos?

- Julga que seja decente de na sua os ter tão singulares?

- Oh, é muito diferente, nós, é recato, é pudor... é orgulho mesmo se o preferir, é o receio de se entregar a um sexo que só nos seduz para nos dominar... Todavia os sentidos falam e arranjamo-nos entre nós; se tudo dissimulamos bem revestimo-nos dum verniz de discrição que muitas vezes se impõe, assim fica a natureza contente, observa-se a decência e os costumes não se sentem ultrajados.

- Eis o que se chamam belos e bons sofismas, por esse caminho tudo justificaríamos; e que disse afinal que nós não possamos igualmente alegar em nosso favor?

- Absolutamente nada, com preconceitos tão diferentes não devem ter os mesmos pavores, o vosso triunfo está na nossa derrota... quanto mais multiplicam as vossas conquistas, mais acrescentam a vossa glória, e não podem recusar-se aos sentimentos que fazemos nascer dentro de vós, a não ser por vício ou depravação.

- Na verdade, creio que me vai converter.

- Gostaria.

- Que ganharia com isso, continuando no erro?

- É um favor que o meu sexo me ficará a dever e como amo as mulheres, sinto-me feliz por trabalhar para elas.

- Se o milagre acontecesse, os seus efeitos não seriam tão gerais como parece acreditar, eu só me converteria por uma única mulher quando muito a fim de... experimentar.

- O princípio é honesto.

- É que é bem certo haver um pouco de receio, sinto-o, em tomar um partido sem ter provado de tudo.

- O quê, nunca viu uma mulher?

- Nunca, e a Menina... acaso possuíra primícias tão seguras?

- Oh, primícias, não... as mulheres que vemos são tão astutas e ciumentas que não nos deixam nada... mas nunca conheci um homem em toda a minha vida.

- E fez uma jura?

- Sim, não quero ver nem jamais conhecer senão um tão singular como eu.

- Sinto-me desolado por não ter feito a mesma jura.

- Não creio que seja possível ser mais impertinente.

E dizendo estas palavras, a Menina de Villebranche levanta-se e diz a Franville que se pode retirar quando quiser. O nosso jovem apaixonado sempre de sangue-frio faz uma profunda reverência e apresta-se para sair.

- Regressa ao baile - diz-lhe secamente a Menina de Villebranche fitando-o com um despeito misturado com o mais ardente amor.

- Claro que sim, já lho disse, parece-me.

- Não é assim capaz do sacrifício que por si fiz.

- O quê, fez-me algum sacrifício?

- Só voltei para casa para não ver mais nada após ter tido a infelicidade de o conhecer.

- A infelicidade?

- É o senhor que me força a servir desta expressão, só do senhor dependia que eu usasse uma bem diferente.

- E como conciliaria isso com os seus gostos?

- O que não abandonamos nós quando amamos!

- De acordo, mas ser-lhe-ia impossível amar-me.

- Isso sucederia se conservasse hábitos tão horríveis como os que em si descobri.

- E se renunciasse a eles?

- Eu imolaria imediatamente os meus sobre os altares do amor... Ah! pérfida criatura, como esta confissão custa à minha glória, e tu acabas de ma arrancar - disse Augustine em lágrimas, deixando-se cair numa cadeira.

- Obtive da mais bela boca do universo a confissão mais lisonjeira que me seria possível ouvir - disse Franville precipitando-se aos joelhos de Augustine. - Ah, querido objecto do meu mais terno amor, reconheça o meu fingimento e digne-se não o punir, é a seus joelhos que imploro a graça e aí ficarei até ao meu perdão. Vê junto de si, menina, o amoroso mais constante e mais apaixonado; julguei necessário este estratagema para vencer um coração cuja resistência conhecia. Consegui, bela Augustine, recusará ao amor sem vícios o que se permitiu deixar ouvir ao apaixonado culpado... culpado, eu... culpado do que acreditou... ah! acaso supunha que uma paixão impura pudesse existir na alma daquele que só por si se sentiu incendiado.

- Traidor, enganaste-me... mas perdoo-te... todavia nada terás para me sacrificar, pérfido, e o meu orgulho será menos lisonjeado, está bem, não importa, por mim sacrifico-te tudo... Vai, renuncio com alegria por te agradar a erros a que a vaidade nos arrasta quase tanto como os nossos gostos. Sinto-o, a natureza vence, abafava-o com extravagâncias que agora detesto com toda a minha alma; não se resiste ao seu império, ela só nos criou para vós, ela só vos formou para nós; sigamos as suas leis, é pela própria voz do amor que ela mas inspira hoje, não me serão por isso menos sagradas. Eis a minha mão, senhor julgo-o homem de honra e em condições de me pretender. Se pude merecer perder um instante a sua estima, à força de cuidados e de ternura repararei talvez os meus erros, e forçá-lo-ei a reconhecer que os da imaginação nem sempre degradam uma alma bem nascida.

Franville, todos os seus votos satisfeitos, inundando com as lágrimas da sua alegria as belas mãos que beijava, ergue-se e precipitando-se nos braços que se lhe abrem:

- Oh dia mais afortunado da minha vida - exclama -, nada existe de comparável ao meu triunfo, reconduzo ao seio das virtudes o coração onde vou reinar para sempre.

Franville beija milhares de vezes o divino objecto do seu amor e separa-se; dá a conhecer no dia seguinte a sua felicidade a todos os amigos; a Menina de Villebranche era um partido demasiado bom para que os seus pais lho recusassem, desposa-a na mesma semana. A ternura, a confiança, a discrição mais escrupulosa, a modéstia mais severa coroaram o seu himeneu, e ao tornar-se o mais feliz dos homens, teve a sabedoria suficiente para fazer da mais libertina das moças a mais prudente e a mais virtuosa das mulheres.



As palavras de Alan Moore...

"Recapitulando, então: culturas sexualmente progressistas nos deram a matemática, a literatura, a filosofia, a civilização e todo o resto, enquanto culturas sexualmente reprimidas nos deram a Idade Média e o Holocausto. Não que eu queira exagerar nos meus argumentos, é claro."

"A fantasia sexual é de graça para qualquer pessoa que ainda tenha um resquício de imaginação, mas o vídeo ou DVD pornô nos vende um substituto sem vida e sem brilho para algo que poderíamos ter criado nós mesmos, com satisfação bem maior. Isto, para as autoridades, deve ser a situação ideal da pornografia: ela deve ser livre, para girar a economia e gerar impostos, mas vista com maus olhos e vergonha, para que você não tenha outro Allen Ginsberg dizendo que isso é arte, ou direitos civis, um movimento, política, ou qualquer outra coisa que soe perigosa."

Jonathan Carrol








Nunca publicado no Brasil, o que é um ultraje, esse cara escreve histórias que a principio poderiam soar como contos de fadas, mas que lidos com mais atenção se revelam bem mais profundos. Não à toa Neil Gaiman (Sandman) se confessa um grande fã. Um Jogo de Você, um dos encadernados de Sandman tem semelhanças (não de enredo, mas de tema) com um livro de Carrol. É comum ambos trocarem elogios. Procure na importadora mais próxima ou na net. Acima, algumas capas belíssimas dos livros de Carrol.

A Vila


Em O PRISIONEIRO, Patrick Mcgoohan é um espião britânico que, ao pedir demissão, é sequestrado e levado para um estranho lugar conhecido como A Vila. A série foi exibida entre 1967 e 1968, e durou apenas 17 episódios. Lá, ele ganha uma nova identidade, “Número Seis”, e tem que lidar com os guardas, tecnologia futurista dos anos 60 e muitas coisas estranhas. Algo como se David Linch ou Grant Morrison fizessem um filme de James Bond. Os homens que controlam A Vila querem descobrir de qualquer forma porque ele abandonou o emprego, e não tornam sua vida fácil. Coisa finíssima.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um demônio cansado de pecar

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You Were Never Really Here traz Joaquim Phoenix em estado de graça em um filme que, superficialmente, segue a fórmula do “sujeito acabadão que tem de ajudar uma garota em perigo”, mas é dirigido e escrito de maneira tão inteligente  por Lynne Ramsay (sendo sufocante e belo e brutal e poético a um tempo) que (uau!) se torna algo mais. Um estudo de personagem tocante, um noir que trata de temas comuns (corrupção) e pesados (pedofilia), sangrento e poderoso. Até agora, um dos melhores filmes que vi este ano.

sábado, 7 de abril de 2018

A ESCOLHA

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O Sacrifício do Cervo Sagrado:  Tenso desde a primeira imagem e angustiante até a última cena. Há até mesmo toques de horror nesse puta drama. A sensação de tragédia acompanha cada fotograma, do mais bucólico ao mais brutal. Eita mundo cão!


O MELHOR MARLOWE DO CINEMA

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O Perigoso Adeus, de Robert Altman, é um filme de tons claros, muito sol e ambiguidade, muita patifaria e alguma violência.

Tudo muito bem filmado – com elegância e diálogos espertos, como seria de se esperar de uma boa adaptação de Raymond Chandler.

Das adaptações de Chandler que assisti, esta foi a de que mais gostei. E, povo de Roma, me atrevo a afirmar que Elliott Gould é o melhor Marlowe do cinema.

domingo, 18 de março de 2018

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O HOMEM QUE RI


Baseado no romance de Victor Hugo, o filme enfoca o herdeiro de um ducado, Gwynplaine (Conrad Veidt), sequestrado quando garoto e, por ordem do rei, desfigurado num perpétuo riso forçado; ele se torna uma atração de circo, famoso palhaço.

Um filme impressionante.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

PRECISAMOS FALAR SOBRE LARANJA MECÂNICA

365-Filmes-Laranja-Mecanica-Curiosidades-Bastidores

Quanto à violência, era indispensável dar a ela um peso suficiente para que o problema moral fosse colocado de maneira lógica. Se Alex fosse "mau" de modo menos claro, a história se pareceria com um desses westerns que se dizem contra o linchamento. Mas, na verdade, porque se lincha um jovem inocente, a moral é definida da seguinte maneira: 'Não se deve linchar pessoas, pois elas poderiam ser inocentes'. Quando seria preciso dizer: "Ninguém deve ser linchado". para mostrar a ação do governo em todo o seu horror, devemos escolher como vítima alguém totalmente depravado, para que, quando for transformado pelo governo em um zumbi, você se dê conta de que é profundamente imoral fazer aquilo, mesmo com uma criatura daquelas. Se Alex não fosse a encarnação do Mal, seria fácil dizer: "Sim, claro, o governo está errado, pois ele não é tão mau assim.

Stanley Kubrick, Conversas com Kubrick (Cosac Naify, 2013)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

GET A LIFE (fatte 'na vita) - um racconto di Asso -

cazzoguardi

di Roberto Recchioni

1

Otto del mattino. Dormo.

Suoneria Fantascienza.

Smetto di dormire.

Il cane deve scendere a pisciare. Io devo scendere dal letto.

La giornata inizia in discesa.

Accendo uma sigaretta. Metto sul fuoco il caffè. Prendo il cellulare. Apro Twitter.

La colazione dei campioni 2.0 è servita.

Um pallino blu sotto l'icona CONNETTI.

Giorgio Principe

@Asso ci sarai alla fiera del fumetto di Lucca?

Sì, ci sarò. Ma tu chi cazzo sei?

@Giorgio Principe

Certo! Passa a trovarmi!! :D

Passo a leggere i messaggi di stato.

Claudia ce l'ha com il governo. Luna fa la mignotta disinibita. Michele posta um filmato simpatico. Lorenzo linka um pezzo del suo blog. Ele fa la mignotta timida. Michele si mette in scia a um TT. Claudio bestemmia. Il resto dell'esercito di sconosciuti che seguo fa a gara per apparire più furbo, disincantato e sagace di tutti gli altri.

Quando sei su Twitter, sei uno che la as lunghissima. Quando passi su Facebook, diventi um coglione come tanti.

Vado sul profilo di Jessie. Há postato uma nuova foto, scattata com l'iPhone 6S che le há regalato suo padre per il compleanno. Lei proprio non se l'aspettava. Ricordo ancora la faccia sorpresa che aveva quando há aperto il pacchetto. L'ho vista su Instagram.

Il rapporto tra Jessie e il padre è complicato. Non si sono parlati spesso negli ultimi e lei ne há sofferto molto. Sul blog non faceva altro che piangere.

La foto di oggi è um autoscatto di lei, nel letto. Lenzuola bianche, piumone bianco. E lei. Bianca.

Um viso ovale incorniciato in uma nuvola di capelli biondo naturale che d'inverno è cenere, d'estate quase biondo platino. Il rosa delle guance, del naso e della labbra. Gli occhi celesti. Um sorriso dolce e allegro. Jessie. La mia Jessie, in procinto di mettersi a dormire.

In questo momento è quase notte fonda nella San Fernando Valley.

Mi faccio uma doccia veloce e poi esco.

Il quartiere è operoso come tutte le mattine.

Mi chiedo cosa abbiano da fare tutti quanti, a quell'ora infame. Io, se non fosse per il cane, me ne starei ancora sotto le lenzuola a dormire. O a masturbarmi, al limite.

Gringo, il mio cane, avanza timoroso di albero in albero, spostandosi da uma posizione all'altra com il fare di um soldato in territorio nemico. Há qualche problema, il mio cane. Ma ce li ho pure io, e lui non se ne lamenta. Ci prendiamo per come siamo, senza stressarci l'anima a vicenda.

Lo lego fuori dal mio bar di fiducia ed entro.

Controllo la posta sul cellulare.

Centosessanta nuovi messaggi.

Più della metà sono notifiche di Facebook che cancello senza guardare. Il resto è lavoro. Nessuno mi scrive mai per chiedermi come sto e cosa mi passa per la testa. Del resto, lo possono leggere tutti i giorni sul mio profilo.

A cosa stai pensando?

Penso al lavoro che devo fare oggi, che è tanto e tutto complicato. Penso a Margherita, che è partita ieri sera e che devo chiamare quanto prima, sennò si fa il viaggio che mi sai dimenticato di lei, nonostante viviamo insieme da due anni. Penso alla fame nel mondo, alla guerra, alle cellule staminali e al difficile rapporto tra scienza e religione. Penso al fatto che sarebbe uno spreco se la barista tettona che mi sta servendo il caffè non fosse uma sostenitrice entusiasta del sesso anale e mi chiedo se c'è uma maniera discreta per entrare in argomento e chiederglielo.

- Buono il caffè...

- Grazie.

- Sei a favore della sodomia?

- Cosa?!

- Niente. Uma curiosità.

- Ma sei scemo?

- Era uma domanda generale. Non un'offerta.

- E ti sembrano cose da chiedere?

- Lo prendo come um "no".
- Mica l'ho detto.

- È um "sì", quindi?

- Ma che ti frega?

- È um sì.

- Perché lo vuoi sapere?

- Devo salvare il mondo e voglio essere certo che ne valga la pena.

Penso che è tardi e devo darmi uma mossa.

Poi esco dal bar e non penso più a niente.

2

Rork è davanti a um bivio. Há scoperto l'oscura trama che si cela dietro alla guerra scatenata dal suo Re e adesso deve scegliere se rivelarla ai suoi sudditi, scatenando uma sanguinosa guerra civile e mettendosi contro tutti i suoi amici, oppure tacere, portando com sé quel segreto nella tomba e condannando per sempre la sua anima. Il giovane guerriero prende um ultimo respiro.

E poi sceglie.

Questo è quello che faccio per campare: invento storie.

La gente che mi legge, stando ai rilevamenti, è composta in larga parte da uomini tra i diciotto e cinquant'anni, persone in cerca di intrattenimento, che amano essere divertite, sorprese (com moderazione), rassicurate e blandite.

E io sono bravo a farlo. Mi viene facile perché non ho gusti troppo differenti dal mio pubblico.

Sono uma puttana a cui il cazzo piace così tanto che lo farebbe anche gratis.

Invece mi pagano. E anche bene.

In sostanza, trasformo della roba che non esiste in denaro reale.

Furbo, no?

Peccato che poi prenda quel denaro reale e lo trasformi di nuovo in roba inesistente, spendendo tutto in storie di altri. Libri, romanzi, videogiochi, canzoni, film.

Va bene tutto. Basta che mi porti via.

E questo non solo non è furbo.

È cannibale.

È incestuoso.

3

Dieci e mezzo del mattino.

Sono a casa mia.

Ho scritto qualche pagina della mia nuova storia ma Rork non há ancora fatto la sua scelta e io giro a vuoto. Controllo la pagina del Corriere. C'è il nuovo Papa che dice cose vecchie ma lo fa com um sorriso e allora va bene a tutti. C'è il governo. Anzi no, non c'è. Ci sono um mucchio di tette e culi nella colonnina di destra. Salto su um sito porno amatoriale ma mi annoio in fretta.

Fumo. Passo sul mio blog dove trovo ter nuovi commenti. Uno di uno che mi odia. Uno di uno che mi adora. Uno di uno che vuol dire qualcosa a proposito di qualcos'altro ma nessuna delle due cose há la minima attinenza com l'argomento che sta commentando.

Scrivo uno stato su Facebook inveendo contro quelli che vanno fuori tema e prendo sessanta “mi piace” nell'arco di due minuti. Um sacco di gente commenta ma molti vanno fuori tema e il tutto prende uma piega troppo metatestuale per i miei gusti.

Rimango imbambolato a osservare lo spettacolo, aspettando non so bene cosa o chi.
Comunque sai, non arriva.

Si sono fatte le undici e quaranta e non ho combinato quase nulla.
Controllo la posta. Venti nuovi messaggi. Tutti di lavoro. Mi dico che non è um buon segno.

Ne sono così convinto che lo scrivo pure su Twitter.

Asso

In uma sola mattinata ho ricevuto venti mail di lavoro. Non è um buon segno.

Le mail non le leggo. Se fossero urgenti, mi avrebbero chiamato per telefono.

Controllo a quanti “mi piace” è arrivato il mio stato su Facebook.
Controllo di nuovo la posta. Torno sul mio blog. Fumo di nuovo. Guardo um sito di videogiochi e valuto se comprare o meno il nuovo capitolo di Gears of War. Ritorno su Facebook per evadere le richieste di amicizia.

Ter ragazze e due uomini. Accetto i due uomini senza guardarli ma controllo il profilo delle ragazze.

La prima há diciannove anni, há frequentato il liceo Giulio Cesare, ama le serie televisive americane, i videogiochi e l'hard rock e há trenta amici in comune com me. Le sue foto la mostrano in costume da bagno sulla spiaggia e in top e minigonna in discoteca. È bellissima.

Clicco su uma foto e la salvo sul desktop, poi apro Google Immagini e ce la sbatto dentro.

Esce fuori che sono gli scatti di uma fotomodella brasiliana di seconda linea.

Quando è troppo bello per essere vero, non lo è.

Apro il profilo delle altre due.
La prima ha la cartella delle immagini profilo pieno di foto di gattini.

La seconda è una grassona appassionata del mio lavoro.

Nego l'amicizia alla gattara. La concedo alla lettrice diversamente attraente.

Tentenno sul fake.

Intanto che ci penso, apro nuovamente Twitter.

Venti persone hanno ritwittato il mio messaggio. Cinquanta lo hanno messo tra i preferiti.

Torno su Facebook e accetto il fake.

Tra la verità e il mito, la precedenza al mito.

4

Ora di pranzo.
Sono fuori con degli amici disegnatori che hanno uno studio vicino a casa mia.
Siamo seduti fuori da “TUTTI PAZZI PER LA PIZZA A PEZZI” e mangiamo un kebab.

Marco scarica la posta. Roberto sta facendo vedere un filmato su YouTube a Luca. Io guardo cosa fanno altri miei amici su Instagram. Mauro fotografa il suo pranzo: tagliatelle con fughi porcini e tartufo. Meme fotografa un tombino di Cinecittà. Lidia fotografa il suo bambino mentre mangia. Ria fotografa le sue scarpe nuove. Jessie si fotografa nello specchio del bagno. Ha indosso solo una magliettina bianca e un paio di slip di un giallo elettrico. In una mano lo spazzolino da denti, nell'altra lo smartphone. Digrigna i denti e ha la bava alla bocca, recitando la parte del cane idrofobo con il dentifricio. Un classico senza tempo che si merita un cuore da parte mia.

C’è da dire che io metto un cuore a ogni sua foto, anche a quelle brutte. Non è falsità e non lo faccio per blandirla. Semplicemente, non voglio mai farle mancare il mio pieno sostegno.

Specialmente oggi, che si è svegliata presto per un lavoro importante ed è piuttosto tesa, anche se io sono sicuro che se la caverà alla grande.

- Che fai?

- Chiamo Margherita.

- Ma dov'è?

- È tornata a casa dai suoi.

- Ah. Scusa.
- Cosa? Per le vacanze

- Niente, è che non la vedevo su Fb e pensavo che vi foste lasciati.

- E succede così da un giorno all'altro, secondo te? Viviamo insieme da due anni!
- Ecchenesò! Dico solo che mi sembrava strano che non scrivesse niente da nessuna parte, manco su Twitter. Pensavo che aveste litigato o una roba così.

- È che a casa dei suoi il 4G non prende.

- Meno male.

- Insomma. È una rottura di palle.

- Io morirei.

- 'Spetta... Margherita? Mi senti??

- ciao, che fai?

- Oh, mi senti?! Io non sento un cazzo!
- poco,,,

- Prova a muoverti...
- Adesso?

- No. Niente.
- non mi senti?

- Provo a chiamarti dopo. Ciao.
- Non credo di amarti più.

- Come? Sì, ti amo anch’io, piccola.

Chiudo la conversazione e finisco il kebab. Prendo un altro caffè con gli amici e mi fumo la sigaretta della staffa insieme a loro. Poi torno a casa.

Che si sono fatte le tre e il lavoro mi aspetta.

5

La passerella di metallo si allunga davanti a me, fino all’intricato complesso delle torri di raffreddamento. Alle mie spalle la sala centrale della raffineria, dove il resto della mia squadra è appena stato falciato da un gigante armato di una mitragliatrice pesante.

La mia armatura è tutta sul rosso e ci vorranno dieci secondi prima che si rigeneri. Dieci secondi che non ho perché il bestione mi ha visto fuggire da questa parte e sento già l’eco dei suoi passi alle mie spalle. La mia unica possibilità è un disperato scatto in avanti lungo la passerella, completamente allo scoperto. Se riesco ad arrivare dall’altra parte forse riesco pure a trovare un angolo dove nascondermi e tendere un agguato. Ma se nel mezzo c’è un cecchino con l’occhio buono e la mano ferma sono finito. Comunque sia non ho scelta. Mi lancio in avanti.

Dieci metri. Venti. Trenta.

Sono dall’altra parte. Non c’era nessun cecchino.

Imbocco il primo corridoio che porta verso il basso proprio mentre gli scudi cominciano a ricaricarsi. Colto da uno slancio d’entusiasmo controllo lo stato del mio armamento. Ho la pistola d’ordinanza con due caricatori pieni e il fucile da battaglia completamente a secco. Zero granate.

Nessuna possibilità, inutile illudersi.

Mi rannicchio in un angolo, nel buio, e impugno la pistola.

- Camper del cazzo!

- Se non vi foste fatti ammazzare come dei polli, adesso non sarei in questa condizione!

- Dai... esci da lì e fai l’uomo. Almeno iniziamo il prossimo round.

- Con il cazzo. Devono venirmi a prendere!

- Fai sempre così...

- Quanti me ne sono rimasti di loro?

- Tre.

- Tre.

- Non ce la posso fare.

- È quello che ti stiamo dicendo.

- Dovreste incoraggiarmi!

- Sbrigati a crepare, piuttosto, che è una palla stare qui a fare i fantasmi!

- Sì, dai... vai a cercare qualche arma.

- Non conosco la mappa.

- Ma se sono due mesi che la giochiamo!

- Questa non me la ricordo mai.

- C’è il lancia missili?

- No, ce l’hanno loro

- La spada?

- Idem.

- Non ce la puoi fare.

- Lo so. Adesso state zitti o stacco le cuffie.

Passi. Passi pesanti. Che si avvicinano. Quello con la mitragliatrice mi è venuto dietro.

Poco furbo da parte sua. Nei corridoi lui è lento e goffo mentre io sono un fulmine.

Vola come una farfalla, pungi come un’ape.

Vola come una farfalla, pungi come un’ape.

Vola come una farfalla, pungi come un’ape.

Aspetto di essere certo che sia proprio dietro l’angolo poi schizzo fuori dal buio. La pistola mi scarrella in mano svuotando il caricatore nel corridoio vuoto.

Dov'è finito?

Vedo la pesante mitragliatrice, abbandonata in terra.

Poco furbo un cazzo.

Qualcosa schizza verso di me. È molto più veloce di prima.

Cerco di ricaricare ma è troppo tardi. L’ex-mitragliere mi è addosso e mi sta piantando un coltello nella gola. Cado in terra vomitando il mio sangue, mentre sento nelle orecchie gli amici che esultano.

Con un moto di stizza spengo tutto.

Si sono fatte le cinque meno un quarto.

È davvero ora che mi rimetta al lavoro.

6

Sei e un quarto.
Rork non ne vuole sapere di prendere la sua decisione e la storia non procede.

Io galleggio nei social, in attesa dell’ispirazione.

Betta inveisce contro i suoi datori di lavoro.

Cento “mi piace”.

Rosa posta una foto in cui, casualmente, mostra le tette.

Duecento “mi piace”.

Alessio condivide un meme sul papa.

Cinquecento “mi piace”.

Mario inveisce contro il governo.

Mille “mi piace”.

Zeno posta una nuova pagina a fumetti in cui se la prende con la scomparsa delle mezze stagioni. Un milione di “mi piace”.

Controllo la posta. Le email di lavoro sono raddoppiate ma non ci bado. Se il telefono continua a tacere, è tutto sotto controllo. Il contatto umano diretto è per le emergenze. Tutto il resto è ordinaria amministrazione.

Jessie ha postato una nuova foto su Instagram.

È un piano medio frontale. Lei è nella parte a sinistra dell’inquadratura. In quella a destra c’è un tipo muscoloso con un ciuffo a banana e la faccia da bravo ragazzo.

Jessie indossa uno striminzito reggiseno e una coroncina da regina di bellezza. Ha gli occhi truccati pesantemente e il mascara le è colato lungo le guance, mescolandosi con le lacrime e lo sperma. Filamenti di sperma le colano anche dal mento e le impiastricciano i capelli e il sorriso. Sorridendo alla camera, Jessie abbraccia con affetto l’uomo accanto a lei.

Sotto la foto un breve messaggio: “my first DAP !!”

Nel gergo del porno una DAP è una doppia penetrazione anale ed è la nuova frontiera della cinematografia pornografica mainstream. Prima certe cose le lasciavano alle produzioni più estreme e alle attrici più disperate, oggi però il porno-popolare deve continuamente alzare il livello per combattere con i video amatoriali e per scuotere gli animi dal torpore c’è sempre bisogno di qualcosa di forte e difficile da replicare nel privato della propria camera da letto.

La DAP è la risposta, almeno per il momento. Poi sarà il turno della TAP.

E poi chissà cosa.

Per Jessie la sua prima DAP è un passo importante. Ha fatto desiderare il suo fondoschiena per oltre un anno prima di concederlo alle telecamere. Quando è arrivato il momento del suo primo anal il mondo del porno ha trattenuto il respiro. Ma una volta che il culo l'hai dato l'hai dato, non puoi ripetere il trucco una seconda volta. Da allora in poi diventi solo una delle tante attrici porno che fa anal, e se non vuoi sprofondare nell’anonimato devi passare all’estremo opposto. O non lo dai, o lo dai come se non fosse tuo.

È questa la regola vincente del settore. E Jessie è una vincente, ve lo garantisco.

Guardo il suo sorriso e mi sembra proprio felice.

Aggiungo un cuore sotto il già lungo elenco di commenti e sto per mettere via lo smartphone quando ci ripenso: sarò sembrato freddo? Non vorrei che pensasse che io sia una specie di bacchettone o che la stia giudicando in qualche maniera.
Aggiungo un messaggio: @jessie well-done!!

Si sono fatte quasi le sette.

È tempo di portare a spasso Gringo e prepararmi per la serata.
Magari riesco a lavorare questa notte.

7

Quando faccio fare il giro a Gringo al mattino lui è, a suo modo, euforico.

Il che significa che il suo trottare è un miscuglio di entusiasmo e diffidenza, una marcia forzata fatta di strattoni in avanti e subitanee retromarce.

Alla mattina il mio cane è felice di essere vivo ma è spaventato dalla vita.

Nel primo pomeriggio il suo umore comincia a cambiare. Resta diffidente ma perde tutta la sua baldanza. Come se l'esistenza avesse già cominciato a annoiarlo.
Alla sera è un cane esistenzialista. Cammina al mio fianco tranquillo e ha qualche reazione degna di nota solo nei confronti di quelle che lui vede come possibili minacce (quasi tutto quello che gli sta attorno).

L'ultima passeggiata, di notte, è il suo terrore più grande.
Io, al contrario di lui, mi sveglio in un letto che è un sudario di dolori e incubi dimenticati, e odio tutto e tutti, me per primo. Fortunatamente, nel corso della giornata miglioro. Di solito. Con le dovute eccezioni.
Adesso per esempio è sera e non dovrei stare poi così male.

Invece sto malissimo.

Fumo. Cammino. Controllo la posta sul cellulare. Ogni tanto strattono via Gringp per non fargli mangiare qualcosa da terra. Penso alle storie. Penso alla mia storia.

- Stai sempre a spasso con il cane... bella la vita!

La barista. Quelle con le tette grosse. Sta uscendo dal bar. I capelli biondo cenere, che ho sempre visto raccolti, adesso le scendono fino a metà schiena e fanno un bel contrasto con il giaccone militare di una taglia più grande che porta sopra una maglietta nera senza collo. Devo aver sottostimato l'altezza della panca dietro al bancone perché mi sembra più bassa di come me la ricordavo. Le tette, invece, sono sempre uguali. Abbastanza grandi da oscurare il giudizio.

È bellissima, mi sorride e sembra fresca come un fiore, lei che si fa turni di lavoro di dodici ore per novecento euro al mese in nero.

Le sorrido di rimando e sembro un letto sfatto, io che sono giorni che non faccio un cazzo ma che a fine mese incasserò i miei tremilacinquecento euro di cessioni di diritto d'autore.

La vita è ingiusta da qualsiasi angolazione la si guardi.

- Vai a casa?

- In palestra. Tu?

- Porto a spasso la bestia.

- Ma è sempre così spaventato?

- Sì. Ma la sera è peggio.

- Comunque sia... era un "sì". Favorevole.

- ...

- Il discorso di questa mattina, ricordi?

- Sì, avevo capito. Cercavo di riprendermi dallo shock.

- Sei sotto shock perché sono a favore?

- Sono sotto shock perché me lo hai detto.

- Mi era parso che ti interessasse.

- Eh sì. Sono tipo l'Istat della sodomia.

- Bene. Ora lo sai. Magari è una cosa che ti torna utile...

- Senti maaaaa... noi siamo amici su Facebook?

- Non ce l'ho Facebook.

- Twitter?

- Nemmeno.

- Instagram, Linkedin, Pinterest. Snapchat?»

- Nada. Non ci vado mai su internet.

- E come vivi?

- Come tutti.

- No. Io vivo come tutti. È questo il problema. Tu sei una specie di alieno.

- Di quelli che sbavano e ammazzano la gente o di quelli simpatici?

- Non sono sicuro...

- Ci vediamo domani?

- Direi proprio di sì.

Mi saluta e si allontana mentre la osservo incredulo.

Mi succede sempre così: prima ci provo come un cialtrone, sfoderando la parlantina e il fascino dello scrittore alla deriva. Quando il trucco mi riesce davvero rimango stupefatto.
Sono come un prestigiatore che a ogni replica si sorprende che il coniglio sia uscito dal suo cilindro.

Il fatto è che da ragazzino ero quello che veniva sempre scelto per ultimo quando si facevano le squadre di pallone. Il più magro, il più malaticcio e il più imbranato. E le cose non sono cambiate con l'adolescenza, ve lo assicuro.

Sono cresciuto in un mondo in cui essere appassionati di cinema, fumetti e videogiochi era una roba da nerd sfigati. Per arrivare a baciare una ragazza ho dovuto fare affidamento solo sulle mie capacità oratorie, sull'affabulazione e sul raggiro. Ho frequentato la Tana delle Tigri dell'educazione sentimentale e ne sono uscito capace di grandi imprese solo sulla scorta di qualche cazzata e tanta faccia tosta. E nonostante oggi sia diventato tutto molto facile – e a tratti sqaullidamente prevedibile – una parte di me ancora non si capacita del fatto che io possa piacere a qualcuno.

No, diciamolo in maniera meno ipocrita: che qualcuno mi si voglia scopare.

Comunque sia, funziona. E fino a che funziona, va bene così. Stupore compreso.

Guardo la mia barista che si allontana e valuto che se le tette sono sicuramente il suo punto forte, anche le sue disponibili terga non sono affatto male. Peccato solo che non abbia Facebook.

Che questa notte mi sarei fatto volentieri una sega sfogliando le sue foto profilo.

8

Otto meno un quarto.

Ho riportato a casa Gringo, mi sono fatto una doccia al volo e sono uscito di nuovo.
Presa la linea A sono sceso a Barberini e mi sono fiondato nel cinema.

Adesso sono davanti a una ragazza dell'ufficio stampa di Sony e sto aspettando che trovi il mio nome nella lista degli accreditati per l'anteprima che sto andando a vedere.

C'è.

Le anteprime cinematografiche sono uno dei pochi vantaggi di avere un blog piuttosto popolare.
Quelle, i videogiochi gratis e le ragazze che leggono le mie robe e stabiliscono che nonostante la maschera da stronzo perverso che amo mettermi addosso sono in realtà un tipo profondo e sensibile e che devono proprio concedersi a me senza reticenze o pudori.

Non ridete. Capita davvero.

È tremendo, ridicolo e toglie ogni speranza nel genere umano, ma capita davvero.

Comunque sia, il film che devo andare a vedere questa sera è basato sul gioco da tavolo del Monopoli e il press kit lo descrive come un emozionante thriller finanziario a metà tra Wall Strett e Toy Story. Ryan Gosling interpreta la parte del candelabro mentre Nomi Rapace è il funghetto. Allo straordinario Bryan Cranston invece è toccato il ruolo del viscido bottiglione.

Regia di Wes Anderson.

Prima di entrare faccio una foto della locandina e twittero di essere all'anteprima, suscitando l'invidia di tutti quelli che vorrebbero esserci. Non per il film, sia chiaro. Per l'anteprima in quanto tale. Quando non ci puoi andare tutte le anteprime sembrano robe fighe.

Poi cammino verso la sala e mi siedo sul fondo per godermi lo spettacolo.

Che è la gente, non il film.

A questo genere di eventi partecipano tre tipi di persone:

1) I giornalisti della carta stampata.

Che ne hanno le palle piene di tutto e di tutti e non si emozionerebbero nemmeno se stessero per vedere un nuovo film di un Orson Welles tornato dalla tomba e nuovamente magro. Arrivano tardi, salutano quelli che conoscono con piccoli gesti della testa o delle mani, si siedono dove capita e durante il film controllano il cellulare, si alzano, parlano con il vicino e poi se ne vanno appena si accendono le luci, certe volte anche prima.

2) I giornalisti del web.
Che invece sono entusiasti perché ancora non ci credono che qualcuno li paghi per scrivere quando loro, prima, lo facevano gratis sul forum del Signore degli Anelli. Arrivano prestissimo, prendono i posti migliori, salutano tutti (anche quelli che conoscono solo per sentito dire) con baci e abbracci, poi si siedono, si segnano degli appunti durante la proiezione e se ne vanno per ultimi, dopo aver commentato il film a voce altissima, fuori dalla sala.

3) Gli imbucati.

Parassiti che non si sa bene come ma sono riusciti a entrare nelle mailing list degli uffici stampa e non c'è verso di buttarli fuori. Ci sono sempre, sono sempre gli stessi, fanno di tutto per far vedere di essere del giro, di sapere tutto, di conoscere tutti e di avere pieno diritto di presenza.

E poi quelli come me.

Che ci vanno perché possono. Ci vanno quando gli va. E se ne fregano abbastanza se a una anteprima non vengono invitati.
Che tanto c'è internet e i film, in Italia, riesci sempre a scaricarli prima.

9

Undici e dieci.

Fa freddo, è buio e sono fuori dal cinema che cerco di chiamare Margherita.

Il film è stato bellissimo.

- Piccola... mi senti?
- Male..

- Ma non c'è un posto dove piglia a casa tua?
- Eh, no..

- Il film era bellissimo! Una roba da non crederci!! Quando Ryan Gosling è costretto a vendere la centrale elettrica perché la sua donna è indebitata con quelli di Viale dei Giardini, ho iniziato a piangere, giuro! Manco a Forrest Gump ho pianto così!
- Sono contenta che ti è piaciuto...»

- Ma stai male? Ce l'hai con me?! Ti sento la voce strana...
- Nonno... tuttoaposto... solo che...

- Spetta che ti sento sempre peggio... provo a spostarmi io.
- Io non torno a casa

- Eh? A casa? Tutto bene. Gringo fa lo scemo come al solito... a che ora torni domani?
- Mai.

- Vabbè, è inutile... non si sente un cazzo. Mi mandi un messaggio?
- Sì... te lo scrivo.

- Dai. Mi manchi. Ciao.
- Ciao.

10

Tre meno un quarto.

Sono tornato a casa. Ho messo a scaricare la nuova puntata di Game of Thrones e mentre quella andava ho fatto fare a Rork una cazzata qualsiasi, giusto per allungare il brodo e rimandare il momento della verità.

Ho sonno ma non ho voglia di andare a letto.

Facebook è pieno di nottambuli come me che fanno cose in cambio di “mi piace”.

Qualcuno ha mai pensato di monetizzare questa cosa? Se ogni apprezzamento costasse un centesimo a chi lo esprime e ne facesse guadagnare uno a chi lo riceve, potrebbe nascere una nuova economia.

Guardo annoiato le mail di lavoro. Ne apro un paio ma come previsto non c'è nulla di urgente.

Faccio scorrere Twitter e rigiro un paio di stati che mi strappano un sorriso.
Controllo Instagram.

Jessie ha postato alcune foto in cui provava dei vestiti per una festa in suo onore. Ne ha scelto uno nero, molto semplice e molto corto, ed è uscita. Spero che si diverta.

Anche Margherita ha postato una foto. È in un ristorante con dei suoi amici che non ho mai visto.
Ride e sembra più felice di quanto io l'abbia mai vista felice.

Guarda il lato del suo letto vuoto e mi chiedo se lei ci abbia mai realmente dormito.
Forse sono io a essermi immaginato tutto. Forse lei e Jessie sono la stessa cosa: emanazioni virtuali di persone che mi illudo di conoscere.

Forse è così per tutto e per tutti.

La realtà non esiste. La finzione è la nuova realtà.

Io sono finzione.

Popcorntime mi informa che c'è una nuova dose di fiction pronta da spararmi in vena. Controllo se quelli di Sub Ita hanno già messo i sottotitoli ma è troppo presto anche per loro che sono sempre sul pezzo.

Mi vedo l'episodio direttamente in inglese e quello che non capisco me lo invento, creando nuove storie e imbastendo imprevedibili svolte narrative.

Poi crollo sul letto, stando bene attento a non invadere la porzione di Margherita.
Mi addormento.

E grazie a Dio, non sogno.

11

Otto del mattino. Dormo.

Suoneria Fantascienza.

Smetto di dormire.

Il cane deve scendere a pisciare. Io devo scendere dal letto.

La giornata inizia in discesa.

Accendo una sigaretta. Metto sul fuoco il caffè. Prendo il cellulare. Apro Twitter.

La colazione dei campioni 2.0 è servita.