quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PRIMEIRO SANGUE

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Vi no godvsgodard

COMO A GERAÇÃO SEXO-DROGAS-ROCK'N'ROLL SALVOU HOLLYWOOD

Peter Biskind

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Introdução:
KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR


__ Alguns amigos meus estavam falando que os anos 70 foram a última Era de Ouro. Eu disse: 'Como vocês podem dizer uma coisa dessas?' Eles retrucaram: 'Olha só, tinha todos esses grandes diretores fazendo um filme atrás do outro. Tinha Altman, Coppola, Spielberg, Lucas...
- MARTIN SCORSESE

Nove de fevereiro de 1971, 6h01. Um punhado de carros, faróis brilhando vagamente na neblina do amanhecer, já havia começado a trafegar nas freeways, seus motoristas sonolentos bebendo café em copos de plástico, ouvindo o noticiário do rádio. A máxima prevista era de 23 graus. O julgamento de Charles Manson, agora na fase da sentença, ainda intrigava e excitava Los Angeles. De repente, o chão começou a sacudir violentamente, mas não com o movimento ondulante, quase confortável, de terremotos anteriores. Dessa vez era um corcovear terrível, para cima e para baixo, abrupto, intenso, longo, que parecia durar para sempre. Para muitos, o terremoto de 6.5 na escala Richter pareceu ser o Big One. As garotas da Família Manson disseram, depois, que o próprio Charlie tinha provocado o abalo para punir os pecadores que o atormentavam.
Em Burbank, Martin Scorsese foi ejetado da cama com um sacolejão. Tinha conseguido sua primeira grande oportunidade, um emprego como montador na Warner Bros., e havia chegado de Nova York algumas semanas antes. Marty estava hospedado no Motel Toluca, do outro lado da rua do estúdio. Ele sonhava com livros raros quando ouviu um ronco surdo e imaginou estar no metrô. "Pulei da cama e olhei pela janela", recorda. "Tudo tremia. O céu estava riscado de raios - eram os fios de alta tensão se soltando dos postes e caindo no chão. Era horrível. Eu pensei: 'Tenho que dar o fora daqui.' Quando finalmente calcei minhas botas de caubói, peguei meu dinheiro e as chaves do quarto do motel e saí porta afora, tinha acabado. Fui para o Copper Penny e, quando tomava meu café, houve um tremendo choque secundário. Eu me levantei e saí correndo e um cara olhou para mim e perguntou: 'Para onde você está indo?' E eu disse: 'Você está certo. Estou preso aqui.'"
Para Scorsese, não havia mesmo lugar algum para ir. Ele tinha seguido a trilha de seus sonhos até Hollywood e, se a viagem se tornasse difícil demais, suas opções eram aguentar firme ou voltar para Nova York, fazer filmes industriais, morar no velho bairro de seus pais e comer cannoli, sabendo, o tempo todo, que não tivera a coragem necessária para fazer sucesso no cinema. Antes que a poeira tivesse assentado, 65 pessoas tinham perecido no terremoto. Nenhum dos personagens deste livro está entre elas. Os ferimentos deles foram criados por eles mesmos.
PARA OS PROPÓSITOS DESTE LIVRO, O TERREMOTO DE 1971 foi supérfluo, desnecessário, um exagero, como é tão típico de Hollywood. O verdadeiro terremoto, a convulsão cultural que transformou a indústria do cinema, começara uma década antes, quando as placas tectônicas debaixo dos estúdios começaram a se mover, rachando as verdades absolutas da Guerra Fria - o medo universal da União Soviética, a paranoia do Terror Vermelho, a ameaça da bomba - e libertando uma nova geração de cineastas do gelo do conformismo dos anos 50. Logo a seguir vieram, todos misturados, uma série de abalos premonitórios - o movimento dos direitos civis, os Beatles, a pílula, o Vietnã e as drogas - que, combinados, abalaram seriamente os estúdios e fizeram com que o "tsunami" demográfico que são os "baby boomers" desabasse sobre eles.
Como os filmes são caros e demorados de fazer, Hollywood é sempre a última a saber, a mais lenta a reagir e, nessa época, estava pelo menos meia década atrás das outras artes populares. Por isso, um bom tempo se passou até que o odor acre de cannabis e gás lacrimogêneo chegasse até as piscinas de Beverly Hills e a gritaria atingisse os portões dos estúdios. Mas quando o "flower power" bateu no final dos anos 60, bateu com tudo. Enquanto o país ardia, os Hells Angels desfilavam em suas motos pelo Sunset Boulevard e garotas dançavam na rua de peitos de fora ao som da música do The Doors, que emanava dos clubes da Sunset Strip. "Era como se o chão estivesse em chamas e, ao mesmo tempo, tulipas estivessem brotando", recorda Peter Guber, na época estagiário na Columbia e, mais tarde, presidente da Sony Pictures Entertainment. Tudo era uma grande festa. O velho era sempre ruim, o novo era sempre bom. Nada era sagrado; tudo podia ser mudado. Era, na realidade, uma revolução cultural à moda americana.
Lá pelo final dos anos 60 e começo dos 70, para quem era jovem, ambicioso e tinha talento não havia lugar melhor em toda a Terra do que Hollywood. O buchicho em torno dos filmes atraía os melhores e mais brilhantes da geração "baby boom" para as escolas de cinema. Todo mundo queria entrar na onda. Norman Mailer preferia fazer cinema a escrever livros; Andy Warhol preferia fazer cinema a reproduzir latas de sopa Campbell. Astros de rock como Bob Dylan, Mick Jagger e os Beatles mal podiam esperar para estar na frente e, no caso de Dylan, atrás das câmeras. Nas palavras de Steven Spielberg: "Os anos 70 foram a primeira vez em que as restrições de idade foram abolidas, e jovens tiveram permissão para tomar tudo de assalto com toda a sua ingenuidade e toda a sua sabedoria e todos os privilégios da juventude. Foi uma avalanche de ideias novas e ousadas e, por isso, os 70 tornaram-se um marco."

LOBISOMEM

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Lon Chaney Jr.

O HOMEM DE HONG KONG

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PALAVRAS DE UM PREGADOR

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__ Só existem dois lugares onde você pode encontrar Deus: na igreja e no fundo de uma garrafa. E eu vou lhe contar uma coisa: na igreja, ele não está! __ Jesse Custer.

Garth Ennis, em Preacher.

MINA MURRAY

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Adam Hughes.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

LA CRUZ DEL DIABLO

Gustavo Adolfo Becquer

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Hace mucho tiempo atrás existió un grupo de moros que se apoderó de un pueblo. El líder de este grupo era un tipo desgraciado y temido por la gente del lugar.

Cierto día decide partir junto con varias de sus tropas de moros en una campaña por todo el territorio en busca de cristianos para matar, a modo de diversión, pues se había aburrido de aquel lugar.

El caso es que el tiempo pasó y el rey de los moros no volvió.

La gente del lugar recobró la fe y reconstruyó por fin una sociedad. Llegaron los misioneros y fundaron una Iglesia. Todos recobraron la alegría, trabajaban y vivían en paz.

Pasaron 3 años... y el tirano volvió.

Volvió montando su caballo, acompañado por varios moros; todos ellos con el cuerpo ensangrentado y lleno de tierra, como si vinieran de sobrevivir a una de las más terribles batallas. El rey, al ver todo cambiado, al ver que inclusive habían fundado un Iglesia y se había impuesto el cristianismo, estalló de ira.

Pero la gente al ver que su tirano había vuelto decide atacarle en sus dominios y acabar por fin con semejante hombre.

Fue una terrible batalla. Se dijo que el rey había hecho un pacto con Satanás para que los cristianos no ganaran. Pero no fue así. Cientos de hombres murieron, entre ellos el rey. Nadie se atrevió a enterrar los cuerpos, por lo que a aquel lugar lo denominaron tierra maldita y nadie se atrevía a entrar al lugar.

Otra vez paso el tiempo.

No se sabe en realidad como ni por qué paso. Se cree que fue una venganza del diablo mismo. Pero cierto día en aquel lugar empezaron a pasar cosas muy raras. Primero se decía que había luces, y que se escuchaban voces.

Empezaron a enviar hombres a ver que había allí, pero no volvían.

Solo uno logró volver, arrastrando su cuerpo, con el rostro deforme y el cuerpo cubierto en sangre. Según él, lo que vio fue un grupo de bandidos que se escondían en la tierra maldita. El alcalde decidió organizar un grupo de personas para ir atrapar a los bandidos. Cuando llegaron al lugar los bandidos escaparon y solo atraparon a uno, que había sido alcanzado por un cuchillo en la espalda. El alcalde le pregunto que hacían en aquel lugar. El bandido moribundo le contó que ellos eran bandidos que huían y que decidieron venir a aquel lugar porque sabían que allí nadie entraba. Les dijo que una noche en que ellos discutían pensando en quien seria el líder, apareció un hombre cubierto totalmente por una armadura. Este hombre les infundió un terror y un respeto tal que ellos decidieron hacerlo su líder.

Entonces el bandido murió con una sonrisa en el rostro. La gente volvió aterrada al pueblo tras escuchar aquel relato. ¿Podía ser que el temido rey hubiera vuelto a vengarse?

La gente decidió acudir al padre Venancio. Él era el cura mas viejo del pueblo y la gente le respetaba. Cuando el alcalde le contó los hechos al cura, éste le respondió que lo mejor era pedirle un consejo al santo. El santo era un hombre adulto que se llamaba Bartolomé, pero le decían San Bartolomé. Pues el cura lo recogió una noche en la puerta de la Iglesia, cuando era un bebito abandonado y estaba cubierto por una manta que tenia el rostro de Cristo. Desde entonces se crío en medio de los curas y de la Iglesia, y por sus actos y su sabiduría, lo denominaron Santo.

Bartolomé les enseño una oración que según él serviría para inmovilizar al mismo demonio.

El alcalde volvió a organizar un gran grupo de personas, todas esperanzadas con la oración del santo.

Entonces la gente fue rezando al atacar a los bandidos y a capturar a su líder.

Como por un milagro del cielo la gente salió victoriosa y lograron capturar al líder. Uno de los hombres decide sacarle el casco al jefe para ver su rostro. Mas cuando se lo quita se da cuenta de que este no tenia cabeza. ‘No tiene cabeza, el hijo de puta no tiene cabeza...’ - se fue gritando. Y la gente quedó atemorizada. El alcalde lo manda llevar a una celda, para que a la mañana siguiente lo ejecuten.

Pero el cura al escuchar los rumores de que no tenia cabeza, decide ir donde Bartolomé a contarle. Bartolomé queda pensativo y decide ir a ver al prisionero. ‘Escúchame bien padrecito... - le indica Bartolomé - ...vamos a ir a la celda. Pero tu sólo me acompañas hasta la puerta. Yo entro solo y tu cierras la puerta con llave. Solo la abres cuando yo te lo pida, si no, corres para donde el alcalde y lo llamas. Yo voy a ver si realmente no tiene cabeza.’

Así pues en medio de la noche los dos van a la celda. Tal como lo indica Bartolomé, este entra solo con una antorcha y el cura cierra con llave.

El cura apenas podía ver la luz que la antorcha desprendía, ‘ten cuidado San Bartolomé’- le pidió el cura. Bartolomé caminó despacio y logró ver el cuerpo encadenado del hombre con la armadura. De repente, como por arte de magia, la antorcha se apagó. Bartolomé quedó en medio de las tinieblas. El cura, al percibir que se había apagado la luz de la antorcha, se sorprendió. ‘San Bartolomé, pasa algo? Entonces escuchó que el santo empezó a rezar. Rezaba y rezaba hasta que no se escuchó mas. El cura se desesperó, ‘San Bartolomé, San Bartolomé, estás bien? Bartolomé, que ocurre?

De pronto sintió unas pisadas que se acercaban a la puerta, y vio como alguien trataba de abrir la puerta. ‘Padre,... ya me puede abrir la puerta’- escuchó una voz. ‘San Bartolomé, que pasó?- le respondió. ‘Padre, ábrame la puerta, le pido...’. El cura deslizó lentamente la llave a la cerradura. Mas de repente sintió que forcejeaban la puerta. ‘Padre, le he dicho que me abra la puerta... ábrame la puerta, le pido.... vamos! Abre la maldita puerta cura desgraciadooo!!!’

El cura casi se desmaya. Sin perder un segundo se fue corriendo en medio de la oscuridad. Entonces escuchó como la puerta se derrumbaba... y de repente sintió un golpe en la espalda que lo dejó plantado en el suelo...

Al día siguiente el cura se despertó y se halló tirado en el suelo. Fue a la celda y no había nada. Desesperado corrió a donde el alcalde y le contó todo lo sucedido.

El rumor circuló por todo el pueblo. La gente se organizó nuevamente para encontrar a Bartolomé o para dar con el bandido. No lo encontraron por todo el pueblo. Hasta que decidieron ir a la tierra maldita.

Allí encontraron al hombre de la armadura todo deshecho en el suelo en una alfombra de sangre. Entonces el alcalde decidió quitarle el casco para comprobar que no tenia cabeza. Más que terrible fue su impresión al ver el rostro de Bartolomé con un 666 en su frente pintado con sangre...

La gente decidió incinerar el cuerpo con la armadura, para después enterrarlo y sobre el sepulcro colocar una gran cruz de metal al revés para advertir que nadie se atreva jamas a acercarse allí, por ello la bautizaron la cruz del diablo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

BRAVO TRAILER

2º trailer.

MOLINA’S FEROZZ

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De Jorge Molina

A TEMPESTADE

O FILME MAIS MACHO DO ANO

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A MÚSICA DE DJANGO

O FIO DA NAVALHA

William Somerset Maugham

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1º Capítulo

Nunca senti maior apreensão ao começar um romance. E se digo romance é por não saber de que outra maneira chamá-lo. Não tem grande enredo, não acaba com morte nem com casamento. A morte põe termo a todas as coisas e é, portanto, fim lógico para uma história; mas também o casamento é solução muito correta e os blasés fariam mal em escarnecer daquilo que comumente se diz que “acabou bem”. O instinto popular anda acertado ao afirmar que, com isto, tudo o que devia ser dito foi dito. Quando, depois de inúmeras vicissitudes, macho e fêmea finalmente se reúnem, sua função biológica foi cumprida e o interesse passa à geração vindoura. Mas estou deixando o meu leitor no escuro. Este livro consiste das recordações que tenho de um homem com quem, em épocas muito espaçadas, tive íntimo contato; mas pouco sei do que lhe aconteceu nos intervalos. Creio que, recorrendo à imaginação, eu poderia preencher plausivelmente as lacunas e tornar mais coerente a minha narrativa; mas a tal não me sinto atraído. Quero unicamente relatar fatos de que tenho conhecimento.

Há anos escrevi um romance intitulado Um gosto e seis vinténs. Nele destaquei um famoso pintor, Paul Gauguin, e, valendo-me do privilégio do romancista, imaginei vários incidentes, no intuito de ilustrar o tipo que eu criara inspirado nos escassos fatos que conhecia da vida do artista francês. Na obra atual nada tentei de semelhante. Não inventei coisa alguma. Para poupar constrangimento a pessoas que ainda vivem, dei aos personagens desta história nomes fictícios e procurei, por outros meios, evitar que sejam reconhecidos. O homem sobre quem escrevo não é célebre; talvez nunca chegue a sê-lo. É possível que, ao atingir o fim da vida, não deixe, de sua passagem pela terra, vestígio maior que aquele que a pedra, atirada ao rio, deixa na superfície das águas. Neste caso, se o meu livro for lido, sê-lo-á exclusivamente pelo interesse intrínseco que possa ter. Mas é possível que o gênero de vida que esse homem escolheu para si próprio e a singular força e doçura do seu caráter tenham uma influência sempre crescente sobre seus semelhantes, de modo que, mesmo muito tempo depois de sua morte, talvez se compreenda que nesta época viveu uma criatura extraordinária. Ficará, então, claro sobre quem escrevi neste livro, e aqueles que desejarem conhecer alguma coisa dos primeiros anos da existência desse homem talvez aqui encontrem algo que lhes satisfaça. Creio que o meu livro, dentro de suas possibilidades, que reconheço limitadas, será uma útil fonte de informações para os biógrafos do meu amigo.

Não é minha intenção fazer crer que as conversas foram registradas literalmente. Não tomei nota sobre o que foi dito nesta ou naquela ocasião, mas tenho boa memória quanto ao que me diz respeito e creio que, embora expressas em minhas próprias palavras, essas conversas representam fielmente o que foi dito. Há pouco declarei nada ter inventado; quero agora modificar essa asserção. Tomei a liberdade, que desde o tempo de Heródoto os historiadores têm tomado, de pôr nos lábios dos meus personagens palavras que eu, pessoalmente, não poderia ter ouvido. Agi pela mesma razão que os fez agir; para dar vida e verossimilhança a cenas que teriam sido incolores se apenas relatadas. Quero ser lido, e creio estar no meu direito quando faço o possível para tornar agradável a leitura do meu livro. O leitor inteligente facilmente perceberá em que ocasiões me vali deste artifício e tem toda a liberdade de rejeitá-lo.

Outro motivo que me fez iniciar esta obra com apreensão foi o fato de eu aqui lidar a maior parte do tempo com americanos. É difícil a gente compreender bem as criaturas e não creio que possamos conhecer ninguém a fundo, a não ser os nossos próprios compatriotas. Pois os homens não são somente eles; são também a região onde nasceram, a fazenda ou o apartamento da cidade onde aprenderam a andar, os brinquedos que brincaram quando crianças, as lendas que ouviram dos mais velhos, a comida de que se alimentaram, as escolas que freqüentaram, os esportes em que se exercitaram, os poetas que leram e o Deus em que acreditaram. Todas essas coisas fizeram deles o que são, e essas coisas ninguém pode conhecê-las somente por ouvir dizer, e sim se as tiver sentido. Só pode conhecê-las quem é parte delas. E, por não se poder conhecer as pessoas de um país estrangeiro a não ser por observação, é difícil torná-las reais nas páginas de um livro. Mesmo um observador sutil e cuidadoso como Henry James, embora tivesse vivido quarenta anos na Inglaterra, jamais conseguiu criar um inglês que fosse cem por cento inglês. Quanto a mim, a não ser em alguns contos, nunca tentei manejar a não ser os meus próprios compatriotas; e, se nas histórias curtas me aventurei à exceção, foi porque nelas o escritor pode tratar os tipos mais sumariamente. Dá ao leitor indicações gerais e deixa por conta dele os detalhes. Possivelmente perguntarão por que motivo, já que transformei Paul Gauguin em inglês, não pude fazer o mesmo com os personagens deste livro. A resposta é simples: não pude. Eles não teriam sido quem são. Não quero dizer que sejam americanos como os americanos vêem a si mesmos; são americanos, sob o ponto de vista inglês. Não tentei reproduzir as singularidades do seu modo de falar. A barafunda que fazem os escritores ingleses quando se atiram à empreitada só pode ser comparada à confusão que fazem os escritores americanos quando tentam reproduzir o idioma inglês como é falado na Inglaterra. A gíria é a grande arapuca. Nos seus contos ingleses, Henry James sempre fez uso dela, mas nunca da mesma maneira que os ingleses; assim sendo, em vez de conseguir o desejado efeito coloquial, a maior parte das vezes dá ao leitor inglês um desagradável sobressalto.

2

Aconteceu-me estar em Chicago em 1919, a caminho do Extremo Oriente, pretendendo, por motivos que nada têm com esta história, ali me demorar durante duas ou três semanas. Pouco tempo antes eu publicara um romance que obtivera sucesso; estando, portanto, em evidência, fui entrevistado assim que desembarquei. No dia seguinte meu telefone tocou. Atendi.

- Quem fala aqui é Elliott Templeton.

- Elliott? Pensei que você estivesse em Paris.

- Não; vim visitar minha irmã. Queremos que você venha almoçar conosco.

- Com muito prazer.

Ele indicou a hora e o endereço.

Meu conhecimento com Elliott datava de quinze anos. Na ocasião em que me telefonou ele devia estar perto dos sessenta anos, homem alto e elegante, de traços agradáveis e espessos cabelos escuros e ondulados, com a nota grisalha apenas suficiente para acentuar a distinção de sua aparência. Ele comprava os acessórios de toalete em Charvet, mas seus ternos, chapéus e sapatos eram de Londres. Tinha em Paris um apartamento na Rive Gauche da elegante Rue St. Guillaume. As pessoas que não o apreciavam diziam que ele era negociante, acusação que o indignava. Elliott tinha gosto e entendia de arte, não se importando de confessar que, em anos idos, quando pela primeira vez se instalara em Paris, dera a ricos colecionadores o favor de sua opinião; e, quando devido às suas relações sociais ouvia falar de algum fidalgo arruinado, inglês ou francês, que estava disposto a vender um bom quadro, ficava satisfeito de poder pô-lo em contato com os diretores de museus americanos que, acontecia ele saber, estavam à procura de uma obra-prima de tal ou tal mestre. Havia na França e na Inglaterra muitas famílias antigas cujas circunstâncias as obrigavam a dispor de uma peça assinada, de Buhl, ou de uma escrivaninha feita pelo próprio Chippendale, se o negócio pudesse ser feito sem alarde, e que gostavam de conhecer um homem de grande cultura e finas maneiras que saberia tratar discretamente do assunto. Supunha-se, naturalmente, que Elliott lucrava com essas transações, mas a boa educação não deixava que se tecessem comentários a respeito. Pessoas pouco generosas afirmavam que em seu apartamento tudo estava à venda e que, depois de ter oferecido a milionários americanos um ótimo almoço, com vinhos velhos, uma ou duas de suas valiosas telas desapareceriam, ou uma cômoda de madeira entalhada seria substituída por uma outra, laqueada. Quando lhe perguntavam por que razão sumira determinada peça, ele muito logicamente explicava que não a achara bem à sua altura e resolvera, portanto, substituí-la por outra de superior qualidade. Acrescentava que era enfadonho estar sempre a ver as mesmas coisas.

- Nous autres américains, nós, americanos, gostamos de variar – dizia ele. – É, ao mesmo tempo, a nossa fraqueza e a nossa força.

Algumas das senhoras americanas residentes em Paris, que se gabavam de saber tudo a respeito de Elliott, diziam que sua família era muito pobre e que, se ele conseguia manter-se no padrão em que vivia, era por ter sido muito hábil. Não sei a quanto montava a sua fortuna, mas o duque de quem era inquilino certamente o fazia pagar muito pelo apartamento que, além do mais, era mobiliado com peças de valor. Havia, nas paredes, desenhos dos grandes mestres franceses, Watteau, Fragonard, Claude Lorraine e outros; tapetes Savonnerie e Aubusson exibiam sua beleza em soalhos de parquete; e na sala de visitas havia um conjunto Luís XV, em petit point, de tal elegância que poderia ter pertencido, como afirmava ele, a madame Pompadour. Em todo caso, Elliott possuía bastante para viver no estilo que considerava correto para um cavalheiro, sem precisar para isso ganhar dinheiro, e o método que no passado usara para consegui-lo era assunto que, a não ser que se quisesse romper relações com ele, era conveniente evitar. Liberto assim de preocupações materiais, ele se dedicou à paixão máxima de sua vida – relações sociais. Suas transações comerciais com os fidalgos empobrecidos, tanto na França como na Inglaterra, consolidaram a posição que ele conseguira ao chegar à Europa, moço, com cartas de apresentação a pessoas importantes. Sua origem o favorecia aos olhos das titulares americanas a quem vinha recomendado, pois ele pertencia à antiga família da Virgínia, e do lado materno podia reclamar parentesco direto com um dos signatários da Declaração da Independência. Tinha boa aparência, era vivo, dançava bem, atirava regularmente e sobressaía no tênis. Era elemento que valia a pena ter-se em qualquer festa. Ninguém mais pródigo, em se tratando de flores e caixas de bombons. Embora recebesse pouco, quando o fazia era com originalidade que agradava; aquelas ricaças achavam divertido ser convidadas a restaurantes boêmios em Soho ou bistrôs no Quartier Latin. Ele estava sempre pronto a servir e não havia favor, por maçante que fosse, que se lhe pedisse, que ele não fizesse com prazer. Esforçava-se bastante por ser agradável a senhoras maduras e rapidamente se tornava o ami de la maison, o queridinho de muita mansão imponente. Era extrema a sua gentileza; nunca se ofendia por ser convidado à última hora, quando alguém deixava a dona da casa em apuros, e a gente podia colocá-lo ao lado de uma velhota enfadonha, tendo certeza de que seria espirituoso e amável como só ele sabia ser.

Dentro de dois anos, tanto em Londres – para onde ia durante a última parte da temporada, e no princípio do outono para fazer algumas visitas a casas de campo – como em Paris, onde se instalara definitivamente, Elliott conhecia todas as pessoas que era possível a um jovem americano conhecer. As senhoras que o tinham introduzido na sociedade surpreenderam-se ao verificar como se alargara o seu círculo de relações. Os sentimentos dessas senhoras eram confusos. Por um lado, ficaram satisfeitas com o sucesso do seu protégé e, por outro, um tanto despeitadas ao vê-lo em tais termos de intimidade com pessoas com quem elas continuavam a manter relações de absoluta cerimônia. Embora Elliott continuasse a ser obsequioso e serviçal, elas tinham a desagradável impressão de que ele as usara como escada para o seu avanço social. Desconfiavam que ele fosse esnobe. Claro que o era. Incrivelmente esnobe. Um esnobe sem a menor vergonha. Ele engoliria qualquer afronta, ignoraria qualquer desfeita, toleraria qualquer descortesia para ser convidado a uma festa a que desejasse ir ou para conseguir aproximar-se de alguma rabugenta duquesa-mãe. Neste particular era incansável. Quando fixava o olhar na presa, perseguia-a com a tenacidade do botânico que, para conseguir uma orquídea rara, desafia enchentes, terremotos, febres e nativos hostis. A guerra de 1914 deu-lhe a sua oportunidade decisiva. Logo no início, entrou para o Corpo de Saúde e serviu, primeiro em Flandres, depois em Argonne; voltou ao fim de um ano com uma fita vermelha na lapela e conseguiu um posto na Cruz Vermelha de Paris. Nessa época, já estava em ótima situação financeira e contribuiu generosamente para obras de caridade patrocinadas por pessoas importantes. Com seu fino gosto e dom de organização, estava sempre pronto a trabalhar para qualquer festa de caridade que fosse amplamente anunciada. Ficou sócio de dois dos mais seletos clubes de Paris. Era ce cher Elliott para as maiores damas da França. Finalmente vencera.

Vi no tigredefogo

CONSTANTINE

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MÚSICA PARA HITCHCOCK

Music from the Great Hitchcock Movie Thrillers

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A ARTE, AS MULHERES

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QUEIMADURAS DE CIGARRO

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O Clube da Luta.