terça-feira, 15 de maio de 2012

À MEIA LUZ

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TRECHO ubik

Philip K. Dick

Ereta em seu esquife transparente, revestida por uma exalação de névoa gelada, Ella Runciter estava de olhos fechados, as mãos permanentemente erguidas na direção do rosto impassível. Fazia três anos que ele não a via, e é claro que Ella não tinha mudado. Nunca mais mudaria, pelo menos na forma física visível. Mas a cada ressucitação para a meia-vida ativa, para um retorno da atividade cerebral, por mais curto que fosse, Ella morria um tanto. O tempo restante, para ela, pulsava e sumia, esgotando-se lentamente.

Saber disso justificava sua falta em ativá-la com mais frequência. Ele racionalizava assim: aquilo a condenava, reanimá-la constituía um pecado contra ela. Quanto aos desejos declarados por ela  mesma, antes de sua morte e em encontros no início da meia-vida, eles haviam se tornado nebulosos na mente de Runcinter, o que não deixava de ser conveniente. em todo caso, ele sabia o que estava fazendo, era quatro vezes mais velho que ela.

FRAMES 三池崇史 the box

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TRECHO A visita cruel do tempo

Jennifer Egan

Ted sentia-se um anotador de apostas. Os filhos praticavam todos os esportes imagináveis, e alguns que não o eram (para Ted): futebol, hóquei, beisebol, lacrosse, basquete, futebol americano, esgrima, luta livre, tênis, skate (não era esporte!), golfe, pingue-pongue, Video Voodoo (com certeza não era esporte, e Ted se recusava a dar sua chancela), escalada, patinação, bungee jump (quem praticava isso era Miles, seu mais velho, em quem Ted sentia uma alegre tendência à autodestruição), gamão (não era esporte!), vôlei, uma versão mais leve do beisebol chamada wiffle ball, rúgbi, críquete (em que país eles moravam?), squash, polo aquático, balé (Alfred, claro) e, mais recentemente, tae kwon do. Às vezes, Ted tinha a impressão de que os filhos só praticavam esportes para garantir a presença do pai junto à maior variedade possível de superfícies de jogo. Obediente, ele comparecia, e gritava a plenos pulmões entre as pilhas de folhas e o cheiro acre de madeira queimada no outono, entre os pés de cravo iridescentes na primavera, e em meio aos verões chuvosos infestados de mosquitos do norte do estado de Nova York.

PÁGINA 20th century boys

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

himself

trying to exhaust himself, vaughan devised an endless almanac of terrifying wounds and insane collisions: the lungs of elderly men punctured by door-handles; the chests of young women impaled on steering-columns; the cheek of handsome youths torn on the chromium latches of quarter-lights. to vaughan, these wounds formed the key to a new sexuality, born from a perverse technology. the images of these wounds hung in the gallery of his mind, like exhibits in the museum of a slaughterhouse.

— j.g. ballard, crash (1973)

reflexo

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a storyteller

“I’m just a storyteller, and the cinema happens to be my medium. I like it because it re-creates life in movement, enlarges it, enhances it, distills it. For me, it’s far closer to the miraculous creation of life than, say, a painting or music or even literature. It’s not just an art form; it’s actually a new form of life, with its own rhythms, cadences, perspectives and transparencies. It’s my way of telling a story.”

- Federico Fellini

tímida

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A FERA henri-georges clouzot

Henri-Georges Clouzot on the set of The Wages of Fear.

FRAMES hellbound

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POSTER a dama de shanghai

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TIRE OS FILMES

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Take me, subtract movies, and you get zero.

— Akira Kurosawa

a linda e o pesadelo

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o velho e bom bukowski

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PÁGINA lloyd llewellyn

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ESPANHOLA

Wander Shirukaya

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a pequena morte

vive em seu decote

a cada botão rompido

sinto um estalido

falo ao coração

FILME irmãs diabólicas

domingo, 13 de maio de 2012

SPARTACUS

spartacus

POSTER baixio das bestas

Baixio das bestas (2007)

TRAILER Ghost World

TRECHO ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

José Saramago

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(...) O médico perguntou-lhe, Nunca lhe tinha acontecido antes, quero dizer, o mesmo de agora, ou parecido, Nunca, senhor doutor, eu nem sequer uso óculos, E diz-me que foi de repente, Sim, senhor doutor, Como uma luz que se apaga, Mais como uma luz que se acende, Nestes últimos dias tinha sentido alguma diferença na vista, Não, senhor doutor, Há, ou houve, algum caso de cegueira na sua família, Nos parentes que conheci ou de quem ouvi falar, nenhum, Sofre de diabetes, Não, senhor doutor, De sífilis, Não, senhor doutor, De hipertensão arterial ou intracraniana, Da intracraniana não sei, do mais sei que não sofro, lá na empresa fazem-nos inspecções, Deu alguma pancada violenta na cabeça, hoje ou ontem, Não, senhor doutor, Quantos anos tem, Trinta e oito, Bom, vamos lá então observar esses olhos. O cego abriu-os muito, como para facilitar o exame, mas o médico tomou-o por um braço e foi instalá-lo por trás de um aparelho que alguém com imaginação poderia ver como um novo modelo de confessionário, em que os olhos tivessem substituído as palavras, com o confessor a olhar directamente para dentro da alma do pecador, Apoie aqui o queixo, recomendou, mantenha os olhos abertos, não se mexa. A mulher aproximou-se do marido, pôs-lhe a mão no ombro, disse, Verás como tudo se irá resolver. O médico subiu e baixou o sistema binocular do seu lado, fez girar parafusos de passo finíssimo, e principiou o exame. Não encontrou nada na córnea, nada na esclerótica, nada na íris, nada na retina, nada no cristalino, nada na mácula lútea, nada no nervo óptico, nada em parte alguma. Afastou-se do aparelho, esfregou os olhos, depois recomeçou o exame desde o princípio, sem falar, e quando outra vez terminou tinha na cara uma expressão perplexa, Não lhe encontro qualquer lesão, os seus olhos estão perfeitos. A mulher juntou as mãos num gesto de alegria e exclamou, Eu bem te tinha dito, eu bem te tinha dito, tudo se ia resolver. Sem lhe dar atenção, o cego perguntou, Já posso tirar o queixo, senhor doutor, Claro que sim, desculpe, Se os meus olhos estão perfeitos, como diz, então por que estou eu cego, Por enquanto não lhe sei dizer, vamos ter de fazer exames mais minuciosos, análises, ecografia, encefalograma, Acha que tem alguma coisa a ver com o cérebro, É uma possibilidade, mas não creio, No entanto o senhor doutor diz que não encontra nada de mau nos meus olhos, Assim é, Não percebo, O que quero dizer é que se o senhor está de facto cego, a sua cegueira, neste momento, é inexplicável, Duvida que eu esteja cego, Que ideia, o problema está na raridade do caso, pessoalmente, em toda a minha vida de médico, nunca me apareceu nada assim, e atrevo-me mesmo a dizer que em toda a história da oftalmologia, Acha que tenho cura, Em princípio, porque não lhe encontro lesões de qualquer tipo nem malformações congé-nitas, a minha resposta deveria ser afirmativa, Mas pelos vistos não o é, Só por cautela, só porque não quero dar-lhe esperanças que depois venham a mostrar-se sem fundamento, Compreendo, Pois é, E deverei seguir algum tratamento, tomar algum remédio, Por enquanto não lhe receitarei nada, seria estar a receitar às cegas, Aí está uma expressão apropriada, observou o cego. O médico fez que não ouvira, afastou-se do banco giratório em que se tinha sentado para a observação, e, mesmo de pé, escreveu numa folha de receita os exames e análises que considerava necessários. Entregou o papel à mulher, Aqui tem, minha senhora, volte cá com o seu marido quando tiver os resultados, se entretanto houver alguma modificação no estado dele, telefone-me, A consulta, senhor doutor, Paga à empregada da recepção. Acompanhou-os à porta, balbuciou uma frase de confiança, do género Vamos a ver, vamos a ver, é preciso não desesperar, e quando se encontrou de novo só entrou no pequeno quarto de banho anexo e ficou a olhar-se no espelho durante um longo minuto, Que será isto, murmurou. Depois regressou ao gabinete, chamou a empregada, Mande entrar o seguinte. Nessa noite o cego sonhou que estava cego.

sábado, 12 de maio de 2012

A BELA HISAJI HARA

Hisaji Hara

NA BOCA

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o clássico Pernalonga

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VOCÊ TEM OS AMANTES

Leonard Cohen

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Você tem os amantes
Eles não têm nome, suas histórias só eles sabem
Você tem o quarto, a cama e as janelas.
Finja que é um ritual.
Desembrulhe a cama, enterre os amantes, escureça as janelas,
deixe-os viver na casa por uma geração ou duas.
Ninguém ousa perturbá-los.
Visitantes no corredor andam na ponta dos pés diante da porta trancada,
tentando ouvir ruídos, algum gemido, uma canção:
nada é ouvido, nem mesmo a respiração.
Você sabe que eles não estão mortos,
você sente a presença de seu amor intenso.
Seus filhos crescem, saem de casa,
tornam-se soldados e cavaleiros.
Seu par morre depois de uma vida dedicada ao trabalho.
Quem te conhece? Quem lembra de você?
Mas na sua casa o ritual está em andamento:
Não acabou: é preciso mais gente.
Um dia abre-se a porta para o aposento dos amantes.
O quarto virou um denso jardim,
cheio de cores, cheiros, sons dos quais você nunca teve conhecimento.
A cama está suave como uma hóstia de luz,
solitária em meio ao jardim.
Na cama os amantes, lenta, deliberada e silenciosamente,
fazem amor.
Seus olhos estão fechados,
tão fortemente como se pesadas moedas de carne pousassem sobre eles.
Seus lábios estão machucados por novas e velhas feridas.
O cabelo dela e a barba dele estão completamente entrelaçados.
Quando ele encosta a boca no ombro dela,
não há como saber se o ombro
deu ou recebeu um beijo.
Toda sua carne é como uma boca.
Ele alisa com os dedos a cintura dela
e sente a própria cintura ser acariciada.
Ela o aperta bem forte e os braços dele a enlaçam.
Ela beija a mão ao lado de sua boca.
É sua própria mão ou a dele, não importa,
há muito mais beijos.
Você fica ao lado da cama, chorando de felicidade,
você descola cuidadosamente os lençóis
dos corpos em câmera lenta.
Com os olhos cheios de lágrimas, você mal distingue os amantes.
À medida em que se despe, você canta, e sua voz é magnífica,
porque agora você sabe que é a primeira voz humana
a soar naquele quarto.
As peças de roupa caem e se transformam em vinhas.
Você sobe na cama e recupera a carne.
Você fecha os olhos e permite que eles sejam costurados.
Você cria uma abraço e se deixa levar por ele.
Há um momento de dor ou dúvida
enquanto você tenta imaginar quantas multidões deitam ao seu lado,
mas uma boca beija e uma mão conforta e afasta esse momento.

Tradução de Daniel Benevides (with a little help from Luiza Franco)

FRAMES closer

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TRAILER Excision

FRAMES gozu

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FRAMES a noite dos mortos-vivos

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TRAILER The Giant Mechanical Man

CONTO Os Anões

Veronica Stigger

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Ele tinha a altura de um pigmeu, e ela batia na cintura dele. Os dois eram tão pequenos que mal alcançavam o alto da bancada dos doces. Ela dava saltinhos para tentar ver o que a confeitaria tinha de bom. Ele, mais circunspecto, espichava o pescoço, apontava o nariz para cima e aspirava fundo — como se pudesse, pelo olfato, identificar as guloseimas que o olhar não divisava. Os dois até que faziam um conjunto bonitinho. Não eram deformados, nem tinham aquele aspecto doentio característico de alguns anões. Pareciam tão-somente ter sido projetados em escala reduzida. Poderíamos sentir compaixão ou mesmo simpatia por eles, se não fossem tão evidentes suas graves falhas de caráter.

Não era a primeira vez que os víamos, e — pior — não era a primeira vez que os víamos tentando furar a fila. O casal se aproveitava da baixa estatura para, sem-vergonhamente, passar na frente das outras pessoas que esperavam por atendimento. Foi assim, outro dia, na farmácia. Os dois entraram no estabelecimento e foram direto para a boca do balcão, ignorando todos os que aguardavam pacientemente. Só não brigamos com eles porque não foi preciso. O balconista, desatento como sempre, não os percebeu e — bem feito! — nos atendeu primeiro.

Contudo, naquele outro dia, na confeitaria, a balconista não só os viu como, solícita como de costume, ofereceu um banquinho para que eles pudessem subir e enxergar os doces por cima da bancada. E não é que os petulantes aceitaram a gentileza dela e ainda tiveram o desplante de ficar indagando de que era feito cada um dos infindáveis docinhos? Nós, que até então aguentávamos quietos o comportamento acintoso daqueles dois, começamos a reclamar. Vai demorar muito?, gritei do final da fila. Nós não temos o dia todo para ficar esperando, meu marido acrescentou. E eles nem pestanejavam. Continuavam em cima do banquinho a perguntar sobre os doces e a pedir provinhas. Não deu um minuto e a senhora que estava na nossa frente berrou também: é pra hoje? Seu Aristides, que levava a neta pequena pela mão e se achava logo depois dos anões, ajuntou: escolham logo, seus imbecis! A mulher de cerca de 30 anos, que estava atrás de nós, arrematou: é, andem logo, seus moloides! Mas o casal, nem-te-ligo. Ele se lambuzava de provinhas de doces, e ela ainda limpava a meleca açucarada que se depositara nos cantos de sua boca minúscula com um guardanapo xadrez todo dobradinho.

A senhora à nossa frente comentou comigo que cruzara com o casalzinho outro dia no supermercado. Eles estavam com mais de 20 produtos nas mãos, e nas mãos mesmo, me disse ela, porque eles não usavam carrinho ou cesto. Acho que eles não alcançam nos carrinhos, e os cestos arrastariam no chão, supôs, pensativa, quase condescendente. Mas, exclamou em seguida, queriam passar pelo caixa para até dez itens! A moça do caixa ficou meio sem jeito de dizer para os dois que eles não podiam estar ali e começou a registrar os produtos, continuou a senhora, mas uma mulher grávida que estava na fila se enfureceu e chamou o gerente. E eles ficaram bem assim, sem falar nada, fez ela apontando para os dois com a cabeça. Eles são bem estranhos, né?

E lá estavam eles, mudos novamente. Seu Aristides, impaciente, elevou a voz: andem logo, seus merdas! É, acrescentou a senhora, vamos logo! E eu emendei: vocês deviam respeitar os mais velhos, pelo menos! Foi aí que a pequeninha se virou e me olhou. A boca minúscula ainda estava suja de doce. Ela piscou, passeou a língua pelos lábios e continuou a me olhar por cima do ombro, como se, até então, não tivesse percebido que estávamos todos ali, esperando. Que foi?, perguntei a ela. Tá olhando o quê?, falei ainda. E ela só piscava, impávida. Qual é a tua?, continuei, indo até ela. É, qual é a tua?, repetiu seu Aristides. Nisso, cheguei bem junto da biscazinha e a puxei com força pelo braço. Sua idiota!, disse. Ela estava em cima do banquinho. Com a minha puxada, desequilibrou-se e caiu no chão, de cabeça. Meu marido, que vinha logo atrás de mim, deu um empurrão no homenzinho, que parecia querer socorrer a esposa. Ele também se desequilibrou e caiu do banquinho. Ao se levantar, fez menção de revidar, e meu marido acertou-lhe um joelhaço no meio do rosto. O narizinho começou a sangrar. Seu Aristides veio correndo e deu outro joelhaço no rosto daquele tipinho, enquanto a neta de seu Aristides chutava-lhe a canela. O sujeitinho caiu no chão de novo, ao lado da mulher. A senhora que estava na fila passou a dar bengaladas nas cabeças e nas costas do casalzinho. Eu chutava, com muita vontade, a barriga da mulherzinha caída. Minha perna doía, mas eu continuava a chutar, sempre no mesmo ponto. A mulher de cerca de 30 anos se ajoelhou ao lado do casalzinho, pegou o homenzinho pelo pescoço e começou a bater com a cabeça dele no chão, várias vezes, até abrir uma fenda na parte de trás. Uma gosma espessa verde-amarronzada saía de dentro de sua cabeça e melava o chão. Nesse meio tempo, a senhora que estava na fila se concentrou apenas na mulherzinha: ela levantava a bengala e a baixava com força em seu rosto ensanguentado. Meu marido pulava em cima das pernas do homenzinho, enquanto seu Aristides chutava seu tronco. E a neta de seu Aristides, imitando meu marido, pulava sobre a barriga da mulherzinha.

A balconista, que até então estava quieta — acho que em respeito a nós, que éramos clientes assíduos da confeitaria —, interveio. Gente, disse ela, dá para parar com isso que a dona Sílvia vem chegando, estou vendo ela dobrar a esquina. Eu já estava cansada mesmo e parei de chutar o que já se tornara uma massa quase informe, vermelha. Arfando, fui lentamente me dirigindo à saída. Ao me ver sair meio cambaleante, meu marido também parou de pular e veio atrás de mim. A mulher de 30 anos, com a respiração também alterada pelo esforço, se sentou encostada à parede e pôs na testa as duas mãos com as quais batera com a cabeça do sujeitinho contra o chão. Ele estava transformado numa espécie de pasta de carne e sangue, com pequenos fragmentos de ossos desarranjando a uniformidade da mistura. A aparência de sua mulherzinha não era muito diversa. A senhora ainda deu uma última bengalada no que tinha sido um rosto, ajeitou o vestido, se apoiou na bengala e saiu. Seu Aristides, exausto de tanto chutar o homenzinho, parou e fez sua neta também parar. Vamos, querida, deixa isso aí e vamos embora, disse ele para a neta, enquanto a pegava pela mão. Já do outro lado da calçada, olhei para trás para cumprimentar dona Sílvia, que entrava na confeitaria, e vi a balconista, com um grande rodo, empurrando para um canto toda aquela sujeira.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CAPA os vingadores 1

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beleza em preto e branco

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PÁGINA NonNonba

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POSTER uma virgem entre os mortos

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TATUADA

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TRAILER argo

A BELA anna falchi

Anna Falchi

CAPA da terra à lua

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POSTER AUDITION

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POSTER nasty

NASTY