quinta-feira, 10 de maio de 2012

JAPONESA DE BIQUINI LINDA DEMAIS

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POSTER queen of outer space

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POR PUIG

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A imaginação do escritor ou é calculada ou intuitiva? Ela vai de um extremo ao outro. E no meio você tem todos esses sombreamentos. Tenho problemas para ler ficção hoje em dia. Por isso perdi aquele imenso reino do prazer. Graças a Deus, ainda curto cinema e teatro.

Você não lê nenhuma ficção atualmente? A escrita estragou o prazer da leitura para mim, porque já não posso mais ler inocentemente. Se você é um leitor inocente, você aceita a fantasia dos outros, aceita o estilo deles. Hoje em dia, os problemas de estilo de um outro escritor imediatamente refletem meus próprios problemas estilísticos. Se leio ficção, estou trabalhando, não estou relaxando. As biografias são meu único setor de interesse agora. Leio-as com grande prazer, pois os fatos são reais e não há nenhuma pretensão de estilo.

Você acha que as pessoas são determinadas pelas suas circunstâncias? Isso é algo ruim — somos todos tão determinados pela nossa cultura. Principalmente porque aprendemos a exercer papéis. Para mim, isso já começa com os horríveis papéis sexuais, nada naturais. Acho que o sexo é totalmente banal, isento de qualquer peso ou significado moral. É só diversão e jogos, a própria inocência. Mas, a certa altura, alguém decidiu que o sexo tem um peso moral. Um patriarca inventou o conceito de pecado sexual para distinguir a mulher santa do lar e a prostituta na rua.

E os homens aplicam a elas uma moralidade muito diferente? Os homens não estão sujeitos a nenhuma moralidade. Um homem cheio de energia sexual é um garanhão, um modelo de saúde. Uma mulher com bastante necessidade sexual, até um tempo atrás, era considerada uma vítima das suas glândulas. Ninguém confiava nela, pois pensavam que, se ela tinha relações sexuais tão facilmente, então havia algo de errado física e mentalmente com ela. No minuto em que o sexo ganha importância moral, problemas horríveis são criados desnecessariamente. O princípio do sexo é prazer, e isso já é tudo. Acho que o sexo é um ato da vida vegetativa — vegetativa no sentido de comer e dormir. Sexo é tão importante quanto comer e dormir, mas também é
igualmente isento de significado moral.

Em Alfa.

TRAILER The Taste of Money 돈의 맛 19금 예고편

de Im Sang-soo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

PASSION de palma

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CLIPE '030' by The Good The Bad (UNCUT)

SPRING BREAKERS

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TRECHO 1Q84

Haruki Murakami

HM-Monkey

Tengo tirou o livro do bolso e começou a ler “A aldeia dos gatos” em voz alta. O pai prestava atenção à história, sentado, sem se mover, na cadeira ao lado da janela. Tengo lia devagar, com voz clara. No meio, fez duas ou três pausas para tomar fôlego. A cada vez, olhava fixo para o pai, sem notar nenhum tipo de reação. Não sabia se estava gostando ou não da história. Quando terminou de lê-la, o pai ficou quieto, com os olhos fechados, sem fazer um só movimento. Parecia adormecido, mas não estava. Simplesmente havia mergulhado no mundo do conto. Demorou um bom tempo para sair dali. Tengo esperou, paciente. A luz da tarde enfraqueceu-se e ao redor já podiam ser percebidos indícios do anoitecer. O vento que vinha do mar seguia mexendo os galhos dos pinheiros.

- Existe televisão nesse povoado dos gatos? – perguntou seu pai, de um modo bem profissional.
- A história foi escrita na Alemanha dos anos 30, naquela época não havia TV, mas rádio sim.
- Estive na Manchúria e ali nem sequer havia rádios. Nem emissoras. A imprensa havia chegado há pouco tempo, e líamos jornais com até duas semanas de atraso. Não tínhamos nada que colocar na boca e tampouco havia mulheres. De vez em quando, surgiam lobos. Aquilo era o fim do mundo…

Permaneceu um tempo calado, refletindo sobre algo. Talvez se lembrasse da vida difícil que tinha levado como colono na Mandchúria, quando era jovem. Mas as recordações em seguida se enevoaram e foram engolidas pelo vazio. Graças às mudanças na expressão do pai era possível entrever essa atividade mental.

- Foram os gatos que construíram o povoado? Ou teriam sido antigos humanos os que o construíram, e depois os gatos chegaram ali? – perguntou o pai olhando para o vidro da janela, como se falasse sozinho. Não obstante, a pergunta parecia dirigida a Tengo.
- Não sei – respondeu Tengo. – Mas suponho que foram os humanos que o construíram, muito tempo atrás. Por algum motivo, eles desapareceram e os gatos se fixaram ali. Talvez os humanos tenham morrido por conta de alguma epidemia.

O pai assentiu.

- Quando surge um vazio, algo tem que preenchê-lo. Todos fazemos isso.
- Todos fazemos?
- É assim – afirmou o pai.
- Que vazio você enche?

O pai ficou sério. Suas espessas sobrancelhas desceram e cobriram os olhos. Logo falou com em tom jocoso.

- Você não entende.
- Não entendo – repetiu Tengo.

O pai inchou as narinas. Tinha uma sobrancelha levemente levantada. Aquela era a expressão que sempre adotava quando não estava contente com alguma coisa.

- Se não entende sem que te explique, não vai entender por mais que eu te explique.

Tengo estreitou os olhos e leu a expressão no rosto do velho. Era a primeira vez que seu pai falava de um jeito tão esquisito e sugestivo. Ele sempre tinha falado de um jeito concreto, prático. Falar só o indispensável quando fosse indispensável: essa era a imutável definição de uma conversa, para seu pai. Mesmo assim, em seu rosto não havia nenhuma expressão legível.

- De acordo. Em todo caso, você enche algum vazio – disse Tengo. – Então, quem vai encher o vazio que você deixou?
- Você – respondeu lacônico seu pai, e apontou Tengo energicamente com o dedo indicador. – Não é óbvio? Eu enchi o vazio que alguém criou e, por sua vez, você vai enchendo o vazio que eu criei. Como se fôssemos nos revezando.
- Do mesmo jeito, os gatos encheram a aldeia despovoada.
- Isso, está perdida como o povoado – disse o pai, e ficou observando distraído o dedo indicador que havia apontado para Tengo, como se olhasse para algo estranho, fora do lugar.
- Está perdida como o povoado – repetiu Tengo.
- A mulher que te deu à luz já não está em nenhuma parte.
- Não está em nenhuma parte. Está perdida como o povoado. Quer dizer que ela morreu?

O pai não respondeu. Tengo suspirou.

- E quem é meu pai?
- Um simples vazio. Sua mãe se juntou a um vazio e te deu à luz. Eu enchi esse vazio.

Depois que disse essas palavras, o pai fechou os olhos e se calou.

- Se juntou a um vazio?
- Sim.
- E você me criou. Me engano?
- Já te falei – disse o pai com ar grave, depois de pigarrear. Como se ensinasse um raciocínio simples a uma criança preguiçosa. – Se não entende sem que eu te explique, quer não vai entender por mais que eu te explique.
- Saí de um vazio? – perguntou Tengo.

Não teve resposta.

Tengo juntou os dedos das mãos sobre os joelhos e voltou a encarar seu pai. Pensou: “Esse homem não é um despojo vazio. Não é uma simples casa desabitada. É um homem de carne e osso que sobrevive mais ou menos em um lugar do litoral, carregado com seu espírito estreito e obstinado e algumas lembranças sombrias. Se vê obrigado a conviver com esse vazio que vai se expandindo de forma contínua em seu interior. Neste momento, o vazio e a memória ainda lutam entre si, mas, queira ou não, logo o vazio o engolirá as últimas recordações. É uma questão de tempo. Será este vazio o que está combatendo o mesmo vazio que criou a mim?”.

Enquanto chegava o crepúsculo, a Tengo pareceu ouvir o longínquo rumor do mar misturado ao vento que soprava entre as copas dos pinheiros. Mas talvez tenha sido somente uma ilusão.

Em Alfa.

Avengers Assemble!

terça-feira, 8 de maio de 2012

o entusiasmo

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Perder as ilusões, o entusiasmo, é o pior que se pode pensar. Uma vida que nunca foi vivida é o pior que pode acontecer a alguém.Mario Vargas Llosa

CLIPE Soko - I'll Kill Her

CAPAS os vingadores os primeiros heróis da terra

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por FRANCESCO FRANCAVILLA.

POR FAULKNER

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De que precisa o escritor? O único meio ambiente de que o artista necessita é qualquer paz, qualquer solidão, e qualquer prazer que ele consiga obter a um preço não muito alto. Tudo o que um ambiente errado fará é aumentar sua pressão sanguínea; ele passará mais tempo sentindo-se frustrado ou ultrajado. Segundo minha própria experiência, as ferramentas de que preciso para o meu negócio são papel, fumo, comida e um pouco de uísque.

Liberdade econômica? O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que ele precisa é de um lápis e algum papel. Nunca soube de nada de bom na escrita que viesse da aceitação de qualquer oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca solicita auxílio a uma fundação. Está muito ocupado escrevendo alguma coisa. Se ele não é de primeira, engana a si mesmo dizendo que não tem tempo ou liberdade econômica. Boa arte pode vir de ladrões, contrabandistas de bebida ou tratadores de cavalo. As pessoas realmente têm medo de descobrir o quanto de privação e pobreza elas suportam. Elas têm medo de descobrir quão tenazes são. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode alterar o bom escritor é a morte. Os bons não têm tempo de se importar com o sucesso ou o enriquecimento. O sucesso é feminino, é como uma mulher; se você se curva diante dela, ela vai passar por cima de você. Logo, o modo de a tratar é mostrar-lhe as costas da mão. Aí, talvez, ela rastejará.

Alguns críticos dizem que o senhor é obcecado por violência. É o mesmo que dizer que o carpinteiro está obcecado pelo seu martelo. A violência é simplesmente uma das ferramentas do carpinteiro. Assim como o carpinteiro, o escritor não pode fazer nada só com uma ferramenta.

Que tipo de trabalho o senhor fazia para ganhar “algum dinheiro de vez em quando”? Tudo o que aparecesse. Eu podia fazer um pouco de quase tudo — dirigir barcos, pintar casas, pilotar aviões. Nunca precisei de muito dinheiro, porque a vida em Nova Orleans era barata nessa época, e tudo o que eu queria era um lugar para dormir, um pouco de comida, fumo e uísque. Havia muitas coisas que eu podia fazer por dois ou três dias, ganhando o suficiente para passar o resto do mês. Sou, por temperamento, um vagabundo. Não quero dinheiro tanto a ponto de ter de trabalhar por ele. Na minha opinião, é uma pena haver tanto trabalho no mundo. Uma das coisas mais tristes que existem é que a única coisa que um homem pode fazer durante oito horas por dia, todos os dias, é trabalhar. Você não pode comer oito horas por dia, nem beber oito horas por dia, nem fazer amor por oito horas — você só pode trabalhar por oito horas. E é por essa razão que o homem faz a si mesmo e a todos os outros tão miseráveis e infelizes.

Em Alfa. 

domingo, 6 de maio de 2012

TRAILER Fallen Angels 墮落天使

A FERA BILLY WILDER

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Autor de filmes perfeitos e diálogos inesquecíveis.

COSPLAY ARDELLA COMO PODEROSA

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El hombre que destruía vidas en 20 palabras

CARLES GELI

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El hijo de John Fante, prototipo del escritor maldito, repasa en una autobiografía la vida de excesos de ambos.

El cuerpo de Dan Fante (minúsculo aro de plata en la nariz, cabeza rapada, traje gris, botas negras; anillos en los dedos anular y meñique de ambas manos…) recoge las muescas de una vida que hasta hace poco cualquiera estaría de acuerdo en definir, como mínimo, de desajustada. Fue carny (vocero de feria) macerándose cada noche en alcohol, drogas y sexo no muy sano; taxista (y, en el mismo viaje, correo de la mafia del juego), ayudante de detective privado (metido en asuntos turbios), vendedor ambulante (próspero negocio que acabó en redada policial), conductor y empresario de limusinas (y camello de sus pudientes clientes rockeros), vendedor de aspiradoras, operador detelemarketing… En plena caída libre contabiliza 30 trabajos en menos de seis meses, mientras duerme en coches abandonados, roba comida, esnifa todo lo que puede, intenta suicidarse sin éxito y, sobre todo, bebe hasta perder literalmente el conocimiento.

La primera borrachera, lo recuerda nítidamente, fue con cuatro años, cuando apuró las jarras de cerveza medio llenas que su madre y una amiga habían dejado. “Sentí que me elevaba sobre el miedo que había en mi vida, sobre el gruñón de mi hermano mayor y mi furibundo e intolerante viejo (…) El alcohol se había convertido en un elixir que transformaba la vida”. Lo admite enFante, sus memorias tras las, al parecer, no suficientemente autobiográficas novelas Chump Change y Mooch (todo editado en España por Sajalín). La clave está en saber de quién es hijo Dan: de John Fante, paradigma del escritor maldito, del guionista amargado del Hollywood dorado, una película en sí mismo.

Hay algo genético en su sino, con ese abuelo díscolo y violento que fue Pietro Nicola Fante que, para huir de la mísera Italia rural, emigró a Estados Unidos y fue capaz de encajar una paliza descomunal ya en la aduana por negarse a que le cambiaran el apellido; de ese pariente que, nacido con el don de contar cuentos, acabaría robándole la vocación de monja a una chica para casarse con ella. O de ese hijo que será John, su padre, obstinado con 19 años en ser escritor, que invierte toda una noche para aprender a teclear y pasarse su primer cuento, Altar boy, en limpio para entregarlo a la prestigiosa The American Mercury.

Unos cuantos relatos y máquinas de escribir después, John Fante será guionista cotizado en Hollywood a 250 dólares por semana y estará casado con Joyce Smart, de las primeras estudiantes en Standford y capaz de leer 1.200 palabras por minuto. “Ser guionista era la gallina de los huevos de oro pero también una almorrana literaria”, escribe Dan. La tendencia a gastarse la nómina en las carreras y en eternas partidas a las cartas hasta amaneceres saturados de alcohol, con colegas como William Saroyan, a pasarse la jornada laboral en los campos de golf y las noches con mujeres en moteles se acentuarán ante el injusto fracaso de la primera gran novela de John Fante, Pregúntale al polvo (1939), que a la editorial solo se le ocurrió lanzar al unísono que el Mein Kampfde Hitler… sin tener los derechos del mismo. La polémica periodística y judicial con el libro del dictador sepultó su obra. Y lo hizo con la misma fuerza que creció la frustración y la violencia física (magnífico por raudo, al parecer, su crochet de izquierda) y verbal de John, alguien capaz de amenazar a directivos de Hollywood, editores o colegas ilustres de timba con frases como “si quisiera, podría destruir tu vida en 20 palabras o menos”.

“A ‘bestselleros’ como James Patterson o Dan Brown los metería en prisión: tienen un don y escriben una mierda; no les dejaría salir hasta que hicieran algo sentido”

Dan, es consciente, apareció en el peor momento. Tanto, que su madre le puso su apellido, Daniel Smart Fante, porque su padre no se presentó en el hospital hasta 48 horas después de haber nacido. En la familia ya estaba Nick, el primogénito, preferido de papá y niño celoso que por tres veces casi consiguió asesinar a su hermano. La amargura del progenitor lo tiñó todo. “Mi padre era un hombre intensamente difícil. No era un buen tipo; nos quería pero no sabía expresarlo. Todo lo que nos hacía no era más que el reflejo de sus frustraciones”, evoca hoy Dan, cerrando fuertemente los ojos o mirando más allá del interlocutor, pero sin dejar de mascar chicle. No tardó en darse cuenta de que cuanto más lejos de su hermano y de su padre estuviera, mejor; y también de los violentos sacerdotes católicos irlandeses del colegio, que entendían el magisterio a base de palizas. Eso, y el comentario de su padre de que dejara de escribir cuando descubrió sus cuadernos guardados en una caja de zapatos bajo su cama —“no eres ningún genio; te recomiendo que te olvides de esa mierda”— se tradujeron, a sus 16 años, en un mutismo absoluto ante su padre y la voluntad de irse pronto de casa. Las vidas de John y Dan discurrirán rectilíneas: cada novela del padre pasa sin pena ni gloria (Un año pésimo, Mi perro idiota…); sus respuestas desairadas a productores, son de manual suicida; mientras, el hijo sube y baja en su negra montaña rusa. La diabetes que empezará a castigar al padre a partir de 1959 y que le llevará a la ceguera explica alguna muestra de caridad, como el consejo al hijo: “Escribe con el corazón y con las entrañas”. Se lo dirá ya en los años setenta, quizá por 1973, cuando un tal Bukowski le resucitará al declarar en una entrevista que el autor que más le ha influido es John Fante. Cuatro años después publicará La hermandad de la uva: hacía 25 que no salía un libro suyo. Hasta una joven promesa del cambiante Hollywood, Francis Ford Coppola, se interesará por ella, pero de nuevo mala suerte: se cruzaría el proyecto Apocalypse Now.

John Fante fallecerá en mayo de 1983. Dan, que sin ser muy consciente ha ido garabateando cuadernos como terapia, encuentra en el garaje de casa la vieja máquina de escribir Smith Corona de su tácito modelo. Y le da por teclear. “Descubrí que era un don; para mí, a diferencia de mi padre, es muy fácil: yo tengo una idea más o menos vaga de lo que quiero decir y empiezo a ver por dónde sale; mi padre, no: necesitaba tenerlo todo bien atado en la cabeza, principio y final, paseaba por casa dos o tres meses intratable, y luego en tres semanas lo tenía escrito; por el camino, café a raudales y 50 cigarrillos al día”, cuantifica.

Que ha seguido el consejo de las vísceras lo demuestran sus libros, de una crudeza inusual en estos tiempos maquillados. “Todo escritor ha de encontrar lo que quiere decir y, sobre todo, cómo decirlo; si escribes, lo haces para cambiar el mundo, pensando que puede influir y mutar la vida de la gente y para ello debes ser muy fiel a tu experiencia. Mi padre odiaba a los directores y guionistas de Hollywood porque hacían eso por dinero; mentían, falseaban, él escribía por amor a la escritura, por eso se sentía mal: porque se había vendido como artista…”. Y le sale, medio en broma, medio en serio, su vertiente maldita: “A bestselleros como James Patterson o Dan Brown los encerraría en prisión porque tienen un don y escriben una mierda; y no les dejaría salir de allí hasta que escribieran algo sentido, vivido, que valiera la pena”. Dan, claro, odia el mundo de la televisión (“no la miro, ofrece mierda; en general es idiota;Lost siempre me pareció una tontería; Los Soprano es ridícula: todos los italoamericanos parecemos payasos comepasta en discotecas hablando de mujeres”) y de Hollywood (“a la gente que hace cine se la tortura; es un negocio terrible; los actores, pero también guionistas, son títeres y nosotros idolatramos ese mundo de star system cuando no es nuestra imagen ni son nuestros referentes”). También ha perdonado a sus padres (“cuando alguien perdona se perdona a uno mismo”), no bebe ni se droga desde hace casi dos décadas (en el brazo derecho lleva tatuado el nombre de su hermano Nick, fallecido por alcoholismo), el desajuste entre lo que quería ser y lo que es casi ha desaparecido (“sentía que era una mala persona, y ahora sí, fantasmas y voces se fueron para siempre; también la voluntad que nunca cumplí de suicidarme por más que lo intenté”) y hasta se atreve con una novela de detectives, tras media docena larga de libros autobiográficos. ¿Qué ha sido lo más difícil? “Yo podía convencer a la gente y sacarles dinero; hubo momentos en que hice mucha pasta: tenía mujeres, drogas, casas, coches…, pero no era feliz. Lo más importante que uno puede hacer en el mundo es encontrar su lugar, la labor que ha de hacer en él y hacerla”. Lo sabe por su padre, lo sabe por él.

Fante. Un legado de escritura, alcohol y supervivencia. Dan Fante. Traducción de Federico Corriente Basús. Sajalín Editores. Barcelona, 2012. 423 páginas. 22,50 euros.

EL PAÍS/CULTURA.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O DESTINO E O PRATEADO

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No traço do Rei Jack Kirby.

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A ARTE DE CLIVE BARKER

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TRECHO conhecimento do inferno

Lobo Antunes

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A rapariga, imóvel, muito direita, a apertar contra o peito o seu saco de plástico, consentia que os anjos lhe pousassem nos ombros, nos cabelos, nos braços, tal os pássaros nas estátuas dos parques, empoleirados em heróis de bronze como a roupa nos cabides. Se não agisse depressa o asilo transformar-se-ia num aviário celeste, repleto de roçar de túnicas e de zumbidos siderais, e dezenas de homens alados invadiriam a Urgência, soprando-nos na nuca leves risos idênticos às borbulhas das guelras, que se dissolvem em estalos verdes de musgo.

–Porque não lhe dá uma injecção contra os anjos? –insistia a enfermeira.-Tem de haver uma injecção contra os anjos como há raticida, pó das baratas, remédio para o bicho das vinhas. Os anjos são mais fáceis de matar do que o bicho das vinhas.

     E ele imaginou por um instante, enquanto escrevia na ficha uma receita qualquer, anjos a agonizarem no soalho, suados e pálidos, chamando-o com as pupilas de vidro baço dos moribundos, que se despem a pouco e pouco de expressão e de cor até se assemelharem a cristais ocos, sem reflexos, idênticos aos duros olhos de plástico dos bichos empalhados. Imaginou as camionetas de lixo da cidade carregadas, ao fim da noite, de astronautas bíblicos, de ossos porosos de água e barbatanas de mergulhador, acumulados uns sobre os outros em atitudes de náufrago, imaginou um jovem querubim enforcado num algeroz, raspando com os tornozelos lilases parapeitos de varanda, imaginou o seu próprio anjo da guarda estendido aos pés como uma sombra, de braços abertos, um resto sangrento de Via Láctea a evaporar-se-lhe do canto dos beiços.

Monte de leituras.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

TRAILER THE ADDICTION

O filme de vampiros por Abel Ferrara.

A BELA meiko flower

Meiko Flower

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Gamera (Daikaijû Gamera) Noriaki Yuasa, 1965

CAPA escalpo #60

SCALPED #60

sadomasoquismo oriental

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ENTREVISTA jennifer egan

BARKER E A ESCRITA

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CAPA liga extraordinária século 2009

League of Extraordinary Gentlemen III Century #3

TRECHO The Hellbound Heart

Clive Barker

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Spring, if it lingers more than a week beyond its span, starts to hunger for summer to end the days of perpetual promise. Summer in its turn soon begins to sweat for something to quench its heat, and the mellowest of autumns will tire of gentility at last, and ache for a quick sharp frost to kill its fruitfulness. Even winter — the hardest season, the most implacable — dreams, as February creeps on, of the flame that will presently melt it away. Everything tires with time, and starts to seek some opposition, to save it from itself.

“I’d expected-” Frank began.

We know what you expected,” the Cenobite replied. “We understand to its breadth and depth the nature of your frenzy. It is utterly familiar to us.”

terça-feira, 1 de maio de 2012

上からマリコ/AKB48

A BELA Gabrielle Union

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O PRISIONEIRO

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A maneira como, às vezes, acontece…
Uma série à frente do seu tempo, uma fábula sobre espionagem, identidade e anarquia.
Cheia de reviravoltas e personagens fascinantes.
Não há outra palavra: instigante.

TRAILER o cavaleiro das trevas ressurge

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Fallen Angels

FRAMES Tomie

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FRAMES o almoço nu

Bill Lee

na sombra

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CONTO Fellini tentando um plano geral

Marçal Aquino

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Comprou um disco dos Beatles, colocou na vitrola e passou a tarde inteira ouvindo. Só parou às seis, para escutar a Ave-Maria nos alto-falantes da igreja. Naquela época, sua namorada ainda não fabricava bombas de encomenda para explodir livros-de-ponto. Ela usava cabelos compridos, esmalte vermelho nas unhas roídas e ensaiava Ionesco com um grupo de mímicos, num porão perto do centro. Naquele triste ano de 72, não chupou nenhuma manga, coisa que gostava muito de fazer. Na repartição onde trabalhava, um retrato do presidente mofava na parede por causa da umidade – o rosto se tornando verde e a farda ficando azul. Fumava cigarros sem filtro naquele tempo. Ah, aquele tempo: Brasil arme-se ou deixe-o. Um dia viu toda a família dançando aos pares no cabaré mais suspeito da cidade. Mas, tinha certeza, fora uma alucinação – afinal, sua mãe já havia morrido fazia mais de dez anos. Que é fogo ter irmã prostituta, é. O cara chega aqui no meio da tarde, fedendo a cachaça, um calor danado, e fica lá no quarto com a Sandra, que ele chama de Tânia, e só sai, sem camisa, pra perguntar se tenho um cigarro. Eu aqui na sala, olhando pro jornal, mas sem ler uma palavra. O pai está cego, na cama. E meio doido também. Uma madrugada dessas, ele acordou berrando: “Getúúúlio”. Só parou quando minha irmã foi até lá e recitou-lhe um legítimo Camões. Não se falavam desde a época do aborto. Coisa que não entendo é essa rapaziada de hoje: tem um cara lá no bar do tio que está tomando cerveja e jogando baralho faz umas duas horas e dizendo que ali não tem homem para ele. Acho que não tem mesmo. Eu vim embora porque detesto palhaçada. E esse tipo de coisa costuma acabar mal. Sábado besta, esse: as meninas de rabo-de-cavalo passam a caminho do clube, onde vão molhar seus corpos e tomar sol. Acendo um cigarro. Olho o retrato de casamento dos meus pais. É isso: uma ilha de cada lado no meio de um oceano nada pacífico. Saio e vou ver Isabel. Quem sabem, um dia desses, não dou um tiro num.

Onna Harakiri

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EU FIQUEI LOUCO?

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DE GRAVATA

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POESIA Insanidade

Celena Carneiro
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Quando sentiu sua mão
acariciando-lhe a nuca suada
seu corpo ainda dolorido
pediu mais
suas entranhas clamavam
sabia que estava dominada
precisava dele
do cheiro animal que exalava
a pele molhada
a pressão de suas mãos
em seu corpo trêmulo
sua respiração arfava
seu hálito quente
a boca entreaberta roçando-lhe a orelha
balbuciando palavras obscenas
a língua lambendo seu pescoço
os seios comprimidos em suas mãos
seu corpo másculo
impondo um ritmo selvagem
em uma cavalgada desenfreada.

Solanin 1, de Inio Asano