terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Uma conversa com Eric Rohmer

O cineasta francês Eric Rohmer morreu nesta segunda-feira (11 de janeiro de 2010), em Paris, aos 89 anos.

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Naquela manhã com ares de outono, em 2004, quando adentrei em sua sala na sede da produtora Les Films du Losange, em Paris, o cineasta francês Eric Rohmer de pronto me levou até diante da lareira, sobre a qual repousava uma máscara mortuária negra. "Você sabe quem é?", indagou, certo de que eu não decifraria a charada. E sem me dar alguma chance de tentar adivinhar, acrescentou, esboçando um leve sorriso no rosto: "É Murnau". Alcunhado de "poeta" do expressionismo alemão - o "arquiteto" era Fritz Lang (1890-1976) -, Friedrich Wilhelm Murnau (1888-1931) contribuiu para levar o cinema além do teatro filmado. Então com 84 anos, Eric Rohmer, que me recebia para uma entrevista para a revista Bravo!, reivindicava o poder da palavra nas telas, mas, inspirado no mestre alemão, refutava o rótulo de autor de cinema falado. Ele defendia a palavra como um elemento cinematográfico. Razão pela qual igualmente admirava D.W. Griffith (1875-1948) como um grande cineasta do texto e da imagem. "O cinema será sempre uma arte do movimento. Detesto o estatismo. A imagem deve viver por si mesma", dizia.

Já sentado à minha frente, reafirmou sua preferência pela dupla Lang-Murnau: "Gosto dos dois. Não é o mesmo estilo, mas são dois grandes mestres, e são os meus mestres. Eu os revejo por vezes, mas não os copio. Eles me dão uma excitação benéfica", disse.

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Eric Rohmer não alcançou sucesso em sua estréia, com o filme Le Signe du Lion (1959). A experiência, no entanto, não o impediu de construir uma obra expressiva e coerente (o ciclo de Seis Contos Morais - composto de filmes como A Colecionadora (1967), Uma Noite com Ela (1969) ou O Joelho de Claire (1970) -; as séries narrativas Comédia e Provérbios e Contos das Quatro Estações; ou "filmes solitários" como a A Inglesa e o Duque (2001), Agente Triplo (2004) e Les amours d'Astree et de Céladon (2007).

Seu cinema reflete uma inspiração literária, sutil e fiel à construção da ação pela palavra. Não por acaso, o cineasta aprecia particularmente as retrospectivas de seu trabalho, exibindo os títulos num conjunto: "Gosto que meus filmes sejam revistos como se relê um livro. É a parte de escritor que tenho em mim", confessou.

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No caso de Rohmer, o escritor precedeu o cineasta. Na seqüência de sua formação literária, publicou, em 1946, o romance Elisabeth. Mais tarde, antes de se instalar atrás das câmeras, sua relação com o cinema passou pelo texto. Em 1957, lançou, em coautoria com Claude Chabrol, um ensaio sobre Alfred Hitchcock, também uma de suas maiores referências. "Hoje os diretores já não se interessam tanto pela narração. Os filmes são mal feitos e bastante tediosos por causa disso. Não se sabe para onde se vai. O suspense hitchcokiano desapareceu. Hitchcock é alguém que sabe compor de forma extraordinária. O Homem que Sabia Demais (1956) não é o melhor de seu filmes, é um tanto superficial, mas tem uma composição e um rigor extraordinários. Pode-se dizer a mesma coisa dos filmes de Howard Hawks, John Ford. São obras-primas da narração. Hoje, já não se sabe mais contar histórias. Em Hitchcock há um conteúdo ligado à forma. A forma é interessante porque ela exprime temas bastante dostoievskianos, como a duplicidade, o segredo, a transferência. São temas dos quais a crítica ordinária não falava, mas eu, Chabrol, Truffaut, Godard, nós todos insistimos muito sobre esses aspectos de Hitchcock, sobre os quais ele mesmo não parecia, aliás, ter muita consciência", disse, rindo.

Como crítico de cinema, Rohmer exercitou suas análises sobre filmes, diretores e teorias sobre a sétima arte em revistas especializadas como La Revue du Cinéma, Les Temps Modernes, Arts e La Gazette du Cinéma, até a fundação da mítica Cahiers du Cinéma, da qual foi editor-chefe entre 1957 e 1963.

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No Cahiers, fermentou, junto com os companheiros cineastas cinéfilos Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette e o próprio Chabrol o surgimento da estética da Nouvelle Vague, desconstrução narrativa e subversão na forma de se fazer cinema na época. "Acredito que a Nouvelle Vague mudou muita coisa. O cinema não foi o mesmo depois. Antes, no cinema francês, se filmava na maior parte do tempo em estúdio e as cenas exteriores eram negligenciadas. A Nouvelle Vague trouxe também um tom mais pessoal. Há uma forma de atuar na qual há mais naturalidade do ator. Surgiram também novos atores, como Jean-Pierre Léaud, que começou bastante jovem com François Truffaut. O mesmo se deu com Godard e Jen-Paul Belmondo. No geral, renovamos o elenco, não filmamos com os atores de nossos precursores. Os italianos gostam de dizer que a Nouvelle Vague mudou a forma de produzir, mas não criou um novo estilo, como no caso do neo-realismo. Eu não concordo. As coisas estão relacionadas. Uma nova forma de produzir filmes, com mais leveza de meios, menos técnicos, tudo isso influi no estilo. Atualmente, há um retorno a um cinema mais pesado, realizado mais no estúdio e menos na rua. Não se faz mais filmes como Os Incompreendidos (François Truffaut, 1959), Paris Nos Pertence (Jacques Rivette, 1958), Acossado (Jean-Luc Godard, 1960) ou Le Signe du Lion, nos quais havia mais liberdade de filmagem e uma certa improvisação", disse.

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Rohmer defendia a vinculação da cena com os bastidores e uma direção de ator mais livre: "Nós demos mais liberdade aos atores. Por vezes, fizemos mesmo filmes que eram pura improvisação. Tínhamos um mestre, que, aliás, morreu recentemente, e era nosso precursor, Jean Rouch (1917-2004), que filmou na África. Pessoalmente, em Paris, eu fiz um filme no qual não havia roteiro, os atores inventavam seus diálogos. Foi o único que fiz assim, O Raio Verde (1986). Em outros filmes meus, há roteiros, mas há também uma forte colaboração com os atores, na forma de falar, na linguagem, nas expressões. Em A Árvore, o Prefeito e a Mediateca (1992), um dos que prefiro, me inspirei de coisas do momento, da atualidade, no décor. Essa forma de partir da realidade, em vez de partir de uma invenção e buscar a realidade correspondente, é algo próprio a mim e também a Nouvelle Vague". Com uma certa nostalgia, disse lamentar a perda do poder da palavra no cinema contemporâneo: "Escutamos muito menos a palavra hoje do que antes. Os atores articulam mal. Eles falam baixo, muitas vezes há músicas cobrindo suas vozes, e com freqüência eles não dizem coisas muito interessantes. Antes, a palavra era mais clara. O cinema perdeu nessa área. Mas poderíamos dizer também que ele perdeu no domínio da imagem. Em filmes mudos vemos imagens extremamente expressivas e fortes. Hoje, todas essas imagens se diluem num tipo de caos bastante inexpressivo. Vejo menos imagens fortes no cinema atual, talvez, do que no cinema mudo e dos anos 1930, um período extraordinário para o cinema".

Em seus filmes, o diretor recusava a etiqueta do moralismo fácil e defendia uma "verdade de linguagem": "O bom e o mau são a mesma pessoa, esse é o lado Dostoiévski. É preciso remontar aos gregos para encontrar essa definição. Aristóteles disse que o herói da tragédia não deve ser nem totalmente bom nem totalmente mau. Fui fiel a essa regra. Milan Kundera disse que não pode haver romance num regime totalitário, porque num bom romance não pode haver o lado dos bons e o dos maus". Normalmente avesso a rótulos, Rohmer, diretor e roteirista da grande maioria de seus filmes, assumia e defendia a etiqueta de "cinema de autor". Mais apreciado no exterior do que em seu próprio país, produzia mais preocupado com a fidelidade de seu público do que com as bilheterias de seus filmes. "Prefiro um público restrito, mas fiel, e ao mesmo tempo um público disperso em diferentes países. Na França, não tenho muito sucesso, mas sim no estrangeiro, nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Espanha, Itália. Atualmente, meus primeiros filmes começam a ser distribuídos na Rússia. Mais um país".

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Ao final de nosso encontro matinal, antes de se despedir, buscou na prateleira um exemplar da edição brasileira de Ensaio sobre a Noção de Profundidade na Música - Mozart em Beethoven (ed. Imago, 1997), de sua autoria. Abriu na primeira página, pegou uma caneta e escreveu na dedicatória: "Para falar de outra coisa que de cinema".

Fernando Eichenberg
De Paris

Do Terra Magazine

domingo, 10 de janeiro de 2010

BEING HUMAN

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E começa a segunda temporada de mais uma de minhas  séries preferidas. BEING HUMAN fala sobre o dia a dia de três amigos que dividem o aluguel em uma Londres contemporânea: um lobizomen, uma fantasma e um vampiro. Seria uma idéia estúpida, não fosse o talento dos escritores britânicos que conseguem misturar temas como preconceito, inadequação, horror, sobrenatural… com maestria poucas vezes vista fora da tv inglesa (que o digam Dr. Who, Life on Mars, Spooks, The Prisoner, Tomorrow People…).

FILMES E IMPRESSÕES

Impressões sobre filmes vistos neste fim de semana.

cine-anarquia.blogspot.com

QUANDO CHEGA A ESCURIDÃO, da diretora Kathy Bigelow (The Hurt Locker) – Road-movie de vampiros com imagens belíssimas e violentas. Nota: 8,0.

Olhar do paraiso, um

UM OLHAR NO PARAÍSO, de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) – Uma mistura de Ghost com Amor Além da Vida. Precisa dizer algo mais? Nota: 4,0.

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OS SUBSTITUTOS, de Jonathan Mostow (O Exterminador do Futuro 3) – Nada funciona nesta ficção científica,  as cenas de ação são preguiçosas e as idéias do roteiro afundam na má execução. Nota: 3,0.

antes que o diabo

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO  de Sidney Lumet (O Veredito) – Tudo funciona à perfeição neste filme sobre dois irmãos que decidem roubar uma joalheria para pagar as contas. Nota: 9,0.

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ENTIDADE PARANORMAL de Oren Peli – Cópia de Atividade Paranormal que chega a superar o original em alguns momentos bastante tensos. Nota: 8,0.

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IRMÃOS BLOOM de Rian Johnson (A Ponta de um crime) – Comédia à moda antiga sobre dois vigaristas que chega a ser divertida, mas com momentos irregulares que prejudicam o todo. Nota: 5,0.

PULP A MELHOR FICÇÃO

BIBLIOTECA ORO TERROR Nº 19, TERROR-CIENCIA FICCION,HORROR EN EL ESPACIO

 

SEXTON BLAKE - SORTILEGIO, POR MARTIN THOMAS, BRUGUERA COLECCION CABALLO NEGRO SUPER GIALLI USA N° 92 - MAX CAGE

 

 

TORAY CIENCCIA FICCION ROBOT Nº 63, EXCELENTE ESTADO, LUCKY MARTI, GUERRA AL SOL , 127 PG

TORAY POLICIACO Nº 31, 1962, 176 PGS. PANDORA Y EL DETECTIVE por ROLAND DANIEL

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIZER TUDO

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“O mais difícil não é escrever muito: é dizer tudo, escrevendo pouco.”

Júlio Dantas

sábado, 2 de janeiro de 2010

MONSTROS

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Do Depósito do Calvin.

O NOVO DOUTOR

MONSTROS INVISÍVEIS

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Sinopse oficial do livro de Chuck Palahniuk:

Kay Mac Isaac é apenas um dos muitos nomes que uma jovem modelo vai usar durante uma louca jornada em busca de drogas e satisfação após o trágico acidente que sofre em uma solitária noite. Em Monstros invisíveis, Chuck Palahniuk, autor do cultuado Clube da Luta, livro que deu origem ao sucesso de cinema de mesmo nome com Brad Pitt e Edward Norton, novamente destila suas ácidas críticas à sociedade moderna, com muito bom humor e sarcasmo.

Durante um passeio de carro, um corvete Stingray, a jovem Kay é atingida por um tiro de fuzil e perde o maxilar. Tragicamente desfigurada, incapaz de falar e se alimentando somente de comida para bebês, a modelo, um dia em ascensão, conhece, no hospital onde se recupera, Brandy Alexander, uma estranha figura, carismática e louca, esperando para fazer uma cirurgia de mudança de sexo. E parte com Brandy em busca da irmã dele, há tempos desaparecida, numa viagem alucinada na qual o casal ainda arrasta o ex-noivo de Kay, o ex-detetivinvisible-monsters1e Manus Kelley.

À medida que a trama avança, o leitor vai descobrindo um pouco mais da jovem narradora, do fantasma de seu irmão gay, supostamente morto em decorrência da AIDS, à traição de seu noivo com sua melhor amiga. A cada cidade em que param, o trio visita mansões à venda, em busca de drogas “lícitas”, remédios tarjas pretas, para consumo próprio e venda. Enquanto se aproximam cada vez mais do encontro entre Brandy e sua irmã, que Kay - ou Bubba-Joan, ou Daisy Saint-Patience - vai de toda forma evitando, a ex-modelo inicia um tratamento radical de hormônios femininos em Manus, sem o conhecimento deste.

O autor, com seu habitual talento, cria uma história impactante, e a cada momento surpreende o leitor com o comportamento imprevisível dos seus personagens. Repleto de detalhes e descrições realistas, no limite do desagradável, Chuck Palahniuk mais uma vez prova por que é um dos críticos mais mordazes da sociedade de consumonstermo atual.

Sem nunca perder o ritmo, ou desligar sua metralhadora de críticas, o autor atinge diversos alvos, deixando-os sangrando pelo caminho, assim como o insano trio de personagens que, página a página, descobre que seus passados, presentes e futuros se entrelaçam muito mais do que imaginam.

O final imprevisivelmente absurdo é uma amostra da capacidade de Palahniuk de surpreender e cativar seus leitores. Monstros invisíveis é uma obra forte e imperdível para aqueles que gostam de uma boa sátira e de uma excelente leitura.

Em tempo: o perfeito e bizarro poster do filme:

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TRAGÉDIA GREGA

Clique na imagem

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Do Gibiscuits Comics.

UM CONTO RUSSO

MIRA

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Clique na imagem

UMA ILHA, UM LIVRO

uma-ilha-um-livro-21-1018x1024 – Você vai passar o resto dos seus dias numa ilha deserta e pode levar um livro – ela diz.

– Um só?

– Um só. Qual você escolhe?

Ele pensa um pouco.

– Nenhum.

– Como, nenhum?

– Nenhum. Não vou ler, morto não lê.

– Não – ela ri – quê isso, na ilha tem comida à vontade, você não morre. Só fica lá de bobeira, vivendo superbem e… lendo um livro.

– Pode ser que você fique lá, lendo esse livro. Eu não fico porque me mato antes.

– Se mata…

– Mato, mato. Um livro só? Mil vezes a morte.

Ela fica meio desconcertada porque é a primeira vez que um homem bagunça assim o seu teste, mas acaba decidindo que gostou, gostou muito, mais até do que se ele dissesse Estrela da vida inteira, Em busca do tempo perdido ou outra das respostas que ela costumava classificar como “certas”. Olhando para o homem do outro lado da mesa do restaurante, vê alguém que nunca viu antes. Pela primeira vez tem vontade de beijá-lo e pensa, sentindo uma moleza nos joelhos, que a noite promete.

Enquanto isso, ele fica matutando que a idéia de um único livro sobreviver ao fim do mundo deve ser mesmo insuportável. Está até um pouco espantado, quase eufórico: caramba, acho que não dei apenas uma resposta espirituosa, isso é uma tremenda verdade! Um livro só? Melhor morrer. Quer anotar a idéia num guardanapo, depois desiste, distraído com o decote que se descortina do outro lado da mesa. E também pensa que a noite promete.

Agora a promessa já se cumpriu. Na cama dele, sob o lençol amarfanhado, ela ronrona, cabelos espalhados em seu peito, enquanto ele fuma. É o momento daquela volta lenta ao mundo da linguagem articulada, depois da rendição momentânea aos grunhidos da selva. Foi bom, foi muito bom. E ele fala:

– Sabe aquela história da ilha deserta?

– Hmm.

– Eu disse que me matava se tivesse só um livro…

– Ah, eu adorei. Nunca ninguém me respondeu assim.

Ele fica uns segundos em silêncio, espreme o cigarro no cinzeiro.

– E se fosse um game?

– O quê?

– Se em vez de um livro eu pudesse levar um videogame. Um só. Sabe qual seria?

Ela ergue a cabeça do travesseiro peludo do peito dele. Sente frio de repente.

– Hmm.

– Sonic. Sou louco pelo Sonic. É antiguinho, mas eu podia ficar a vida inteira fazendo aquele porco-espinho pular…

Diz isso e, com um sorriso, se deixa levar pelo sono: menos de um minuto depois está ressonando.

Ela pula da cama. Arrepiada de frio, sai andando nua pelo apartamento, que mal teve tempo de ver quando chegaram, ocupados que estavam em se morder, arrancar as roupas e atravessar a sala na direção do único quarto.

A sala tem um sofazinho de dois lugares. Uma poltrona, jornais espalhados pelo chão. Uma estante pequena com prateleiras tomadas por garrafas de cachaça, licor, uísque, canecão de chope com o escudo do Flamengo, CDs. Ah, sim, um livro também. Um livro solitário. Ela se aproxima, temerosa, e lê na lombada, à luz fraca da rua que entra pela janela: Onze minutos, de Paulo Coelho.

Mas já é tarde demais.

Sérgio Rodrigues

CONFRONTO DE TITÃS

SUPERMAN_VS._MUHAMMAD_ALI

RELATOS GRAFICOS PARA ADULTOS

SUKIA 13 -001

DEPREDADOR 03 - 001

COMICS-DEL-FUTURO-11-001

HEMBRAS PELIGROSAS 26 - 001

Epígrafe

 

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A Natureza não conhece a extinção; tudo o que conhece é transformação. Todas as coisas que a ciência me ensinou, e continua a me ensinar, fortalecem minha crença na continuidade da nossa existência espiritual após a morte.

Werner von Braun

Der Treue Husar

Glória Feita de Sangue