domingo, 6 de setembro de 2009

eu adoro exploitation: Scorpion

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língua e olhos amarelos

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E ela caiu como de uma grande altura e por mais que caisse podia sentir o calor sussurrando como uma língua áspera na sua pele branca.

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eu adoro giallo: play motel

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the long tomorrow

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Hq cult de Moebius e Jodorowski que influenciou Blade Runner.

trecho: virgens suicidas

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Na manhã em que a última filha dos Lisbon decidiu-se também pelo suicídio – foi Mary dessa vez, e soníferos, como Thereza –, os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficavam a gaveta das facas, o forno, e a viga no porão à qual era possível atar uma corda.

Jeffrey Eugenides

bela

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Ela me esperava ao anoitecer, suave, bela e… faminta.”

sergio leone’s

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citizen rex

cirizen rex

louise

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domingo, 30 de agosto de 2009

Notas do subterrâneo

 

  • DRAG ME TO HELL decepciona. Ponto. Depois de ler e ouvir tantos elogios ao retorno de Sam Raimi ao gênero horror, eu esperava sentir a força e a criatividade de antes (Evil Dead, Darkman); no entanto, nada mais vi que cenas sem graça, reviravoltas que não surpreendem e Sam Raimi emulando a si mesmo nos movimentos de câmera, mas sem nehum brilho. Uma sensação de – mau e mal – dejá vu durante toda a projeção. E pior: o filme parece mais comprido do que é. Meu irmão comentou que esse filme fez com que ele perdesse o respeito por Raimi. Eu já o perdera em Homem-aranha 3. Tinha esperança que esse filme me fizesse recuperar esse respeito. Aposenta Sam Raimi! A história: Garota linda se indispõe com cigana nojenta e é amaldiçoada, passa ser seguida por uma lâmia (um tipo de demônio) e blá blá blá. Não empolga. Sem contar que parece muito – muito mesmo – com ‘A Maldição do Cigano’, de Stephen King. Mas sejamos justos: Provavelmente King tirou a sua história do mesmo lugar que Raimi: as E.C. Comics. Ah, pelo menos a trilha de Cristopher Young é boa. Filme decepcionante.
  • DISTRITO 9, ao contrário, é tudo aquilo que se vem falando por aí: um filmaço de ficção ciêntifica. O melhor filme do ano até agora. Com roteiro inteligente e cheio de nuances, com um desenvolivimento documental, não poupa o telespectador ao colocar na tela preconceito, chacinas, crueldade, xenofobia, medo irracional, exploração governamental e cenas de ação perfeitas. Provavelmente nem Cameron – com seu Avatar - vai conseguir concorrer com esse filmaço. Distrito 9 é, em uma palavra, o melhor filme do ano.
  • E por falar em AVATAR, o trailer é bonito e legal: “It’s Great!” e, bem, é isso. Não revoluciona. Não mostra nada de novo. Na verdade lembra muito outros filmes! “Ah, mas você não viu em 3-D e hein hein hein”. E daí? Tem que funcionar de qualquer jeito em qualquer lugar. Mas convenhamos, o pior problema de Avatar é Cameron se achar e ficar falando que é revolucionário. Até agora, não é. Longe disso. Um pouco de humildade, senhor Cameron. Quem deve dizer se uma obra é revolucionária ou não é o público, não o artista. Trailer e fotos apenas mais ou menos.
  • E, deixando os filmes um pouco de lado, vamos passar para um livro: BANGOQ 8. Começou bem, com um militar americano sendo assassinado por uma enorme cobra. Cena muito legal mesmo. Foi indo bem, com uma narrativa em primeira pessoa feita por um policial de Bangoq. Mostrando os tons da cidade e tudo mais. Até que, de-repente entram oficiais americanos e se torna um trilher mais ou menos comum e meio previsivel. Estou na metade. Nem devia estar falando do livro até agora. afinal, pode haver uma reviravolta e tal e o livro tornar a ficar interessante, mas Bangoq 8 está quase ficando largado por aí na estante. Eu confesso: sou rabujento. Deve ser a idade. Não tenho paciência com trechos chatos, seja de livros, filmes ou o que for. Livro que ainda não disse a que veio.
  • Voltando aos filmes, ontem vi CAMINHOS PERIGOSOS, do Martin Scorcese. Puta que pariu. Isso é que é filme. Não vou babar na direção ou na interpretação dos atores. Keitel magistral. De Niro em sua melhor fase. Direção perfeita de Scorcese. Não vou falar de nada disso. Vou falar dos diálogos tirados diretos das ruas. Que Tarantino que nada. Scorcese sim sabe como se fala nas ruas. Obra prima e clássico são duas expressões manjadas mas cabem com perfeição aqui. Esqueça o cinema do século 21. Filme de Scorcese = Ótimo.
  • O MELHOR CINEMA É O DOS ANOS 1970! Pode parecer papo de velho, mas assista os filmes dessa época – 1970’s porra – e depois a gente conversa.
  • E então, SOM E FÚRIA, que Fernando Meirelles pariu. Muito legal, muito divertido esse retrato dos bastidores de uma companhia de teatro. Quem diria que é possivel algo de qualidade na tv aberta? Hilário.
  • E vamos falar de HUNG, estrelando Thomas Jane – aquele mesmo de O Justiceiro – como um professor de história e treinador de basquete, que foi largado pela mulher (“Larguei um menino para ficar com um homem.” Ui!), que decide se prostituir ao descobrir seu – único – talento: um pau grande. É da HBO essa série, o que quer dizer: personagens bem desenvolvidos e carismáticos que te prendem na tela. Série do tipo que não se consegue largar.
  • A melhor coisa do fim de semana? DISTRITO 9, naturalmente.district-9

 

à vontade

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ghost box recordings

 

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o grito da BANSHEE

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A Caminho de Assunção, de Rubem Fonseca

Cadaveresparaguaios

Meu dólmã azul-ferrete de alamares brancos estava puído nos punhos e na gola. Minhas botas não tinham saltos, e estavam furadas nas solas. O punho da minha espada partira-se. Os soldados tinham os pés descalços e os uniformes remendados pelas mãos das chinas que seguiam voluntariamente nosso exército ou eram arrebatadas nos povoados que atravessávamos a caminho de Assunção.
O Coronel Procópio, comandante do 2°. Regimento de Cavalaria, recusava-se a nos deixar vestir roupas civis.
Sabemos que o próprio General-Comandante veste sobre o seu uniforme um poncho azul de forro vermelho. E que oficiais e praças gaúchos do 5°. Regimento se vestem de bombachas, ponchos e chapéus de vaqueiro, disse Procópio, na reunião do Estado-Maior.
Procópio era um homem magro, de testa pontuda e queixo fino. Passava as noites lendo na barraca. Diziam que ele não andava bom da cabeça.
Não somos um bando de peões de estância. Somos os Dragões Reais de Minas. Nosso regimento foi criado por Carta Régia.
Quando Procópio gritava, sua voz ficava áspera e rouca. Estávamos em dezembro. Havíamos acabado de atravessar o Chaco e metade do nosso regimento fora dizimado pelo cólera, o beribéri e o tifo. Em meio à marcha rápida para o sul, bivacamos perto das coxilhas de Vileta. O acampamento fervilhava de homens e material de guerra. Íamos atacar Avaí.
Ouvia-se, ao longe, uma paródia obscena do hino da Cavalaria, cantada pelos gaúchos do 5°.
Partimos de madrugada. Raiou um dia de céu azul e nuvens muito brancas. Ao cruzar um desfiladeiro sombrio ouvimos o troar das bocas de fogo inimigas. O alferes Rezende, que crescera comigo em Santo Antônio do Paraibuna, caiu com o pé preso no estribo, a cabeça uma polpa sangrenta, e foi arrastado pelo seu cavalo em disparada até desaparecer num capinzal alto. De entre a macega, os mosquetões inimigos atiravam sem parar. O céu começou a escurecer e logo uma chuva grossa desabou sobre o campo de batalha.
Procópio ordenou uma carga sobre as baterias do flanco esquerdo. Atravessamos um capoeirão, um chão coberto de mata rala. Com as lanças em riste, investimos sobre a artilharia inimiga.
Carreguem, carreguem!, bradava Procópio.
O ruído das patas dos cavalos em galope acelerado e dos nossos gritos era tão forte quanto o estrondo dos canhões. O primeiro que matei estava sem a barretina, os cabelos lisos, de índio, molhados pela chuva.
Muitos dos nossos, os cavalos mortos, combatiam a pé. A lâmina da minha espada brilhava lavada de sangue e chuva. Um artilheiro inimigo, um menino, agarrou meu estribo e me atacou com um facão. Decepei-lhe a mão direita, num golpe seco e hábil.
Aos poucos a luta foi cessando, apenas pequenas escaramuças ocorriam esporadicamente. O exército inimigo havia sido desbaratado. Não se ouvia mais o estrondo dos seus canhões. Dezessete deles haviam sido capturados.
Nas ribanceiras e montes, nas macegas e capoeiras estavam caídos corpos mortos de muitos milhares de homens e animais. Saía do chão um cheiro de terra molhada e sangue e pólvora misturado com a fragrância doce da bosta dos cavalos.
O Coronel Procópio e o Tenente-Coronel Rubião estavam mortos. O Major José Rias assumiu o comando do regimento. Os oficiais e sargentos se reuniram em torno de sua cabeça pelada pelo tifo. A pele do rosto de Rias era pálida como cera de vela de santo e seus olhos, encravados fundo no crânio, brilhavam de febre e loucura. O espírito de Procópio parecia ter entrado no seu corpo. Vamos até Assunção! Viva a Cavalaria!
Um estafeta surgiu para avisar que o General-Comandante estava passando em revista as tropas. José Rias percorreu o acampamento berrando com os homens que estavam deitados, dormindo ou apenas olhando exaustos para o céu.
A cavalo! de pé! Rias dava pontapés no rosto dos que não respondiam às suas ordens, enfiava a espada nas costelas dos recalcitrantes.
Em pouco tempo os homens montaram nos seus cavalos. Aqueles que haviam perdido as montarias perfilavam-se a pé, alguns com os arreios ao lado, a lança na mão direita usada como apoio, para não caírem ao chão de cansaço.
No meio da neblina, do lado norte do campo, surgiu o General-Comandante cavalgando um tordilho, acompanhado de um ajudante-de-ordens. Vestia o poncho azul com forro vermelho, segurava as rédeas na mão esquerda e com a direita mantinha um lenço negro contra o rosto. Um tiro arrebentara seu maxilar e alguns dentes da frente. Havia manchas de sangue no seu poncho. Ele estava enganchado na sela como alguém que tivesse passado a vida inteira naquela posição. Os soldados, obedecendo ao comando de Rias, ficaram em posição de sentido.
O General imobilizou sua montaria e sem soltar as rédeas levantou a mão esquerda pedindo silêncio. Mas ouvia-se apenas o ranger do couro das selas e dos loros, o retinir das esporas e barbelas, o resfolegar dos cavalos contidos pelos freios. O General tirou o lenço do rosto e começou a falar.
Camaradas do 2º. Regimento, Dragões Reais de Minas...
O ferimento da boca não permitia que ele pronunciasse as palavras corretamente. Eu dormitava sobre a minha sela e mal entendia o que ele dizia.
O velho Sargento Andrade, dado como morto, esticado ao lado de uma carreta de munição, as esporas gastas de ferro enfiadas na terra estrangeira, o uniforme roto e sujo de lama, levantou-se, fez uma continência e caiu ao chão. Alguns soldados riram à socapa.
Osório parou de falar. Respondeu a continência olhando o corpo imóvel de Andrade, seu rosto meio escondido pelo lenço negro. Fez um gesto para o ajudante-de-ordens, esporeou o cavalo e partiu num trote curto em direção ao acampamento do 5°.

boneca chinesa mortal!

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o alimento dos deuses

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viki laced up

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os livros de DOC SAVAGE

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Eu adoro trash: RE-ANIMATOR

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ardil-22, um trecho

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- E não me diga que Deus trabalha por caminhos misteriosos - continuou Yossarian, passando por cima das objeções dela. - Não há nada de misterioso. Ele simplesmente não está trabalhando. Está mais é brincando. Ou então esqueceu-se completamente de nós. Esse é o tipo de Deus sobre o qual vocês costumam falar: um caipira, desajeitado, confuso, trapalhão, presunçoso e esquisito. Bom Deus, como é que se pode ter reverência por um ser supremo que acha necessário incluir em seu sistema divino de criação fenômenos como o catarro e a cárie dentária? O que passou pela sua mente deformada, diabólica e escatológica quando roubou aos velhos a capacidade de controlar os movimentos das entranhas? Por que razão tinha que criar a dor?

- A dor - disse a esposa do Tenente Scheisskopf, vitoriosamente, agarrando a oportunidade com unhas e dentes. - A dor é um sintoma da maior utilidade. A dor constitui um aviso dos perigos para o corpo.

- E quem criou esses perigos? - perguntou Yossarian, com uma risadinha cáustica. - Oh, ele estava realmente sendo caridoso conosco quando nos deu a dor! Por que, em vez disso, não poderia ter usado uma campainha de porta para nos avisar? Ou então um dos seus coros celestiais? Ou até mesmo um sistema de tubos de luz neon, vermelha e azul, embutidos no meio da testa de cada pessoa. Qualquer fabricante de vitrolas automáticas poderia fabricar um negócio desses com a maior facilidade. Por que, então, ele não pôde fazê-lo?

- As pessoas certamente pareceriam tolas andando com tubos de luz neon embutidos na testa.

- E por acaso elas parecem bonitas agora, contorcendo-se em agonia ou embrutecidas por uma dose de morfina? Mas que trapalhão colossal e imortal! E quando a gente pensa na oportunidade e no poder que ele tinha de fazer um trabalho e tanto, fica-se ainda mais impressionado com toda essa confusão estúpida e horrível que ele criou. A incompetência dele é impressionante. É evidente que nunca teve que se preocupar com uma folha de pagamento. Nenhum homem de negócios que se preze jamais iria contratá-lo sequer para encarregado da expedição!

JOSEPH HELLER

as noivas de drácula

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No traço de ben templesmith.

john sturges’s

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amigas, amigas

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brian de palma’s

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The Haunted World Of El Superbeasto

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

batman: ashes to ashes

Para maiores…

um clássico sci-fi

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o futuro era assim

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da série “eu adoro marquês de sade”

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viki

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da série “eu adoro filmes policiais antigos”

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coelha na toca

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da série “eu adoro trash”

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Jana & Andrea

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o pau do frankenstein

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The Man Who Walked Around The World

criminal macabre no cinema

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criminal macabre

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A Universal – aquela mesma do Drácula, Lobizomen, Múmia e outros monstros mais e menos notáveis – comprou os direitos da bela história de Steve Niles: um detetive estilo noir acabadão enfrentando monstros de todos os tipos, tendo como ajudante um zumbi invocado. Muita sangreira, drogas e diversão para toda a família. Bem, talvez não para toda a família.

domingo, 19 de julho de 2009

Trechos de Casa de Encontros, de Martin Amis

Cara Vênus,

Se o que dizem for verdade e o meu país estiver morrendo, acho que posso lhes dizer por quê. Veja bem, menina, a consciência é um órgão vital e não um acessório, como as amígdalas e as adenóides.

Enquanto isso, dou meus parabéns. Você agora integra um considerável contingente de jovens - aqueles condenados a procurar interessados nas memórias de um parente mais velho. Porém não precisará ir muito longe: a Gagarin Press na rua Jones. Pergunte pelo sr. Nosrin. Não se preocupe: eu não vou seguir os passos daquele maluco embriagado sobre o qual nós lemos e que mandou maços e maços de seus manuscritos para um estúdio fotográfico que revelava fotos em uma hora. Nosrin já está a par do assunto (e tudo já foi pago). Além disso, ele é meu compatriota, portanto vai entender. Eu gostaria, por favor, de ter uma primeira tiragem de um único exemplar. Ele é seu.

Você vivia me perguntando por que eu não podia "me abrir", por que eu tinha tanta dificuldade em "me soltar" e "descontrair", e toda essa história. Bem, com um passado como o meu, a gente acaba vivendo para os interlúdios em que não fica pensando nisso - e o tempo que se passa falando sobre esse assunto não há de ser, obviamente, um desses interlúdios. Havia uma outra inibição, mais obscura: o temor francamente neurótico de que você não fosse acreditar em mim. Eu via você dar as costas, via você virar a cara e balançar lentamente a sua cabeça abaixada. E isso, por alguma razão, era uma perspectiva que eu não podia suportar. Eu disse que meu temor era neurótico, mas sei que ele é amplamente compartilhado por homens com histórias semelhantes. Neuroses compartilhadas, angústia compartilhada. Emoção em massa: vamos ter de voltar várias vezes ao tema da emoção em massa.

Quando reuni, pela primeira vez, os fatos à minha frente, palavras pretas sobre uma página branca, eu me vi como o protagonista de um pequeno amontoado informe de degradação e de horror. Assim, tentei dar à coisa um pouco de estrutura. Uma vez que consegui localizar alguma similaridade de forma e construção, passei a me sentir menos isolado e pude ter a sensação do auxílio de forças impessoais (de que eu precisava muito). A sugestão de unidade era, talvez, ilusória. A pátria é eternamente pródiga de antiiluminações, de epifanias negativas - mas não de unidade. Não existem unidades em meu país.

Na década de 1930, houve um minerador chamado Aleksei Stakhanov que, diziam alguns, desenterrou mais de cem toneladas de carvão - a cota era sete - num único turno. Daí o culto dos stakhanovitas, ou operários "de choque": enchem desfiladeiros ou arrasam montanhas, dragas e tratores de terraplanagem humanos. Os stakhanovitas muitas vezes eram fraudes óbvias; muitas vezes, também, eram enforcados por seu colegas, que detestavam as normas exageradas... Havia também escritores "de choque". Eram retirados das fábricas, aos milhares, e treinados para escrever propaganda sob o disfarce de prosa de ficção. Meu propósito é diferente, mas é melhor pensar em mim deste jeito - um escritor "de choque", que está contando a verdade.

A verdade será dolorosa para você. De novo eu me perturbei (uma ferida sutil, como um corte provocado por uma folha de papel) ao ver que a minha ação mais desonrosa foi perpetrada não no passado remoto, como quase todas as outras, mas já durante a sua vida, e apenas alguns meses antes de eu conhecer a sua mãe. O meu fantasma já espera a censura. Mas que ela seja pessoal, Vênus; que ela seja a sua censura, e não a do seu grupo ou a da sua ideologia. Sim, você ouviu bem, jovem senhora: a sua ideologia. Ah, é uma ideologia branda, concordo (a brandura é a sua idéia única). Ninguém vai se explodir e fazer o corpo em pedacinhos por causa dela.

A sua assimilação daquilo que fiz - isso será, de um jeito ou de outro, uma árdua tarefa para a sua coragem e generosidade. Mas acho que mesmo um retribucionista inflexível (o que você não é) ficaria razoavelmente feliz com a maneira como as coisas se encaminharam. Poderiam fazer-me a objeção, e eu não ia contestar, de que não mereci a sua mãe; e que não mereci ter você em casa durante quase vinte anos. Tampouco, agora, temo seriamente que você vá me excomungar da sua memória. Não creio que você fará isso. Porque você entende o que é ser um escravo.

Vênus, eu lamento que ainda esteja chateada por eu não ter deixado que você me levasse de carro até o aeroporto O’Hare. "É o que fazemos", disse você: "Levamos uns aos outros ao aeroporto, ou trazemos do aeroporto para casa". Você entende como isso é raro? Ninguém mais faz isso, nem recém-casados. Tudo bem - foi egoísmo da minha parte recusar. Eu disse que era porque eu não queria me despedir de você num lugar público. Mas acho que o que me incomodava de verdade era a assimetria da situação. Você e eu, nós dois levamos um ao outro ao aeroporto, e trazemos um ao outro do aeroporto para casa. E eu não queria que houvesse um levar quando sabia que não haveria depois um trazer.

Você está tão bem preparada quanto qualquer jovem ocidental poderia desejar, munida de uma boa dieta, de um seguro de saúde generoso, dois diplomas de nível superior, viagens ao exterior e domínio de outros idiomas, ortodontia, psicoterapia, propriedades e capital; e a sua pele tem uma cor linda. Olhe para você - olhe como está corada.

PARTE I

    1. O Ienissei, 1º de setembro de 2004

Meu irmão menor veio para o campo em 1948 (eu já estava lá), no auge da guerra entre os brutamontes e as putas...

Bem, não seria uma primeira frase ruim para a narrativa propriamente dita, e eu estou ansioso para escrevê-la. Mas ainda não. "Ainda não, ainda não, minha jóia!" Era o que o poeta Auden dizia aos poemas líricos, às epístolas derramadas que pareciam pressioná-lo a um parto prematuro. É cedo demais, agora, para a guerra entre os brutamontes e as putas. Haverá guerra nestas páginas, inevitavelmente: lutei em quinze batalhas e, na sétima, fui quase castrado por um projétil secundário (uma peça de ferro de um quilo e trezentos gramas) que se alojou na face interna da minha coxa. Quando a gente sofre um ferimento feio como esse, durante a primeira hora nem dá para saber se você é homem ou mulher (ou se é velho ou jovem, ou quem foi o seu pai e como você se chama). Mesmo assim, três ou quatro centímetros mais para cima, como dizem, e não haveria mais nenhuma história para contar - porque esta é uma história de amor. Tudo bem, amor russo. Mas, ainda assim, amor.

A história de amor é triangular, no formato, e o triângulo não é eqüilátero. Eu às vezes gosto de pensar que o triângulo é isósceles: não há dúvida de que ele forma um ângulo bem agudo. Sejamos honestos, no entanto, e vamos admitir que o triângulo permanece rudemente escaleno. Creio, minha cara, que você tenha um dicionário à mão, não é verdade? Você nunca precisou de muito incentivo no seu respeito pelos dicionários. Escaleno, do grego, skalenos: desigual.

É uma história de amor. Então, é claro, devo começar pela Casa de Encontros.

Estou sentado na sala de jantar, em forma de proa de navio, de um vapor de turismo, o Gueórgui Júkov, no rio Ienissei, que corre do pé das montanhas da Mongólia até o oceano Ártico e, portanto, corta a planície da Eurásia do Norte - uma distância de duas mil verstas e meia. Em vista das distâncias na Rússia, e das agruras da vida russa em geral, é de supor que uma versta seja o equivalente a - não sei - umas trinta e nove milhas. Na verdade é pouco mais de um quilômetro. Mesmo assim é um percurso bastante longo. O livreto descreve o passeio como uma "viagem rumo ao destino de uma vida" - expressão que transmite uma conotação um tanto indesejável. Tenha em mente, por favor, que nasci em 1919.

Diversamente de quase tudo o mais, lá, o Gueórgui Júkov não é nem uma coisa nem outra: nem futuristicamente plutocrático, nem futuristicamente austero. É um retrato do antigo e prático Komfortismus tsarista. Abaixo da linha-d’água, onde a tripulação e os auxiliares cochilam e enchem a cara, o navio, está claro, é uma ruína fétida - mas veja a sala de jantar, com suas toalhas douradas cor de mel, seus veludos vermelhos de bordel. E nosso fardo é leve. Tenho uma cabine com quatro beliches inteira só para mim. O passeio para o Gulag, explica-me o comissário, nunca fez muito sucesso... Moscou é impressionante - soturnamente fantástica, em sua riqueza roubada. E Petersburgo também, sem dúvida, depois do seu aniversário de um bilhão de dólares: um tricentenário para a cidade construída por escravos, "roubada ao mar". Fica em toda parte que não esteja abaixo do nível da água.

Minha visão periférica é rodeada por garçons meio agachados, a postos para dar o bote. Há duas razões para isso. Primeiro, chegamos ao penúltimo dia da viagem e agora está solidamente estabelecido, a bordo do Gueórgui Júkov, que sou um velho de má índole e boca suja - enorme e desgrenhado, meu cabelo não é do tipo branco e fofo dos caducos que não reclamam de nada, mas sim pontudo e de um cinzento amargo. Eles também sabem, a esta altura, que sou um psicótico exagerado nas gorjetas. Não sei por quê, mas desde o início, suponho, eu dava vinte por cento em vez de dez, e o valor tem subido sem cessar desde então; mas isso é ridículo. Sempre tive dinheiro de sobra, mesmo na União Soviética. Mas agora sou rico. Para constar nos registros (e isto é o meu registro), só uma patente, porém com vastas aplicações: um mecanismo que aprimora, de maneira importante, a elasticidade das próteses das extremidades corporais... Assim todos os garçons sabem que, se sobreviverem aos meus frenesis cloacais, uma recompensa os aguarda ao fim de cada refeição. Erguido à minha frente, um livro de poemas. Não Mikhail Liérmontov, nem Marina Tsvetáieva. Samuel Coleridge. O marcador de páginas que uso é um envelope meio grosso que contém uma carta comprida. Está em meu poder faz vinte e dois anos. Um velho russo, a caminho de casa, tem de ter suas recordações significativas - o seu deus ex machina. Não li a carta ainda, mas vou ler. Vou ler, nem que seja a última coisa que eu faça.

Sim, sim, eu sei - um velho não deve dizer coisas grosseiras. Você e sua mãe tinham muita razão de arregalar os olhos. É de fato um espetáculo de dar pena, e sem nenhum charme, ver a boca de um velho praguejar palavrões, os dentes postiços ou ausentes, os lábios secos até sobrar só a metade. Dá pena porque é um protesto muito evidente contra a decadência das forças: dizer foda-se é a única coisa suja que ainda se pode fazer. Mas eu gostaria de enfatizar as propriedades terapêuticas dessa palavra de poucas letras. Todos aqueles que sofreram de verdade sabem o alívio que traz, afinal, afundar a cabeça e, por horas e horas, chorar e dizer palavrões... Meu Deus, olhe só as minhas mãos. Do tamanho de uma tábua de queijos, não, queijos, queijos inteiros, com suas manchas e pregas, sua viscosidade, seu azinhavre. Machuquei muitos homens e mulheres com estas mãos.

No dia 29 de agosto, atravessamos o Círculo Ártico e houve uma comemoração muito compreensível a bordo do Gueórgui Júkov. Um acordeão, um violino, um violão muito enfeitado, garotas com blusas de piranhas, um bêbado em calças de montaria que tentou imitar a dança dos cossacos e não parava de cair da cadeira. Eu agora estou numa ressaca que, já faz dois dias, continua a piorar. Na minha idade, nos meus "oitenta e muitos", como dizem agora (em lugar de "no fim dos oitenta", pois a palavra fim tem conotações impertinentes), simplesmente não há lugar para uma ressaca. Ai, ai, ai... Ai, ai, ai... Não imaginava que eu ainda fosse capaz de me poluir de modo tão completo. Pior, eu sucumbi. Você sabe muito bem o que quero dizer. Participei de todos os brindes (providenciaram uma caçamba de lixo em miniatura para espatifarmos nossas taças lá dentro) e cantei todas as músicas; chorei pela Rússia e enxuguei minhas lágrimas na bandeira. Falei um bocado sobre o campo - sobre Norlag, sobre Predposilov. No raiar do dia, comecei a impedir fisicamente que certas pessoas saíssem do bar. Mais tarde, causei um bocado de estragos à minha cabine e tive de ser transferido no dia seguinte, no meio de um vendaval de palavrões e de notas de vinte dólares.

Gueórgui Júkov, o general Júkov, marechal Júkov: servi num de seus exércitos (ele comandou um front inteiro) em 1944 e 1945. Também teve papel no salvamento da minha vida - oito anos depois, no verão de 1953. Gueórgui Júkov foi o homem que venceu a Segunda Guerra Mundial.

Nosso navio geme, como se carregasse nas costas ainda mais fardos e mais preocupações. Gosto desse som. Mas quando as portas da cozinha se abrem com um rangido, ouço a música da aparelhagem de som (quatro batidas por compasso, com alguém de dezessete anos se esgoelando sobre a autodescoberta), e ela chega aos meus ouvidos em forma de dor. Naturalmente, a um simples piscar de minha pálpebra, os garçons tomam a cozinha de assalto. Quando a gente é velho, o barulho causa dor. O frio causa dor. Quando eu subir ao tombadilho esta noite, o que farei, sei que a neve úmida vai me causar dor. Não era assim quando eu era jovem. Acordar: isso doía, e continuou a doer cada vez mais. Porém o frio não doía. Aliás, tente só chorar e praguejar diante do Círculo Ártico no inverno. Todas as suas lágrimas vão congelar na hora e até as suas obscenidades vão virar gotinhas de gelo e cair tilintantes a seus pés. Isso nos enfraquecia, minava profundamente nossas forças, mas não nos causava dor. Respondia alguma coisa. Era como um holofote girando acima do universo do nosso ódio.

Agora a aparelhagem de som foi suplantada por um rádio. Estendo a mão. Isso é permitido. Hoje vi o começo do sítio da Escola Número Um na Ossétia do Norte. Calhou de algumas crianças estarem olhando quando os atiradores e as atiradoras vieram pelos trilhos da ferrovia com suas balaclavas pretas - e riram e apontaram, achando que era uma brincadeira ou um treinamento. Depois a van estacionou e dali saiu ele, o matador, com a enorme barba laranja: "Russos, russos, não tenham medo. Vamos, vamos...". As autoridades falam em trezentos ou quatrocentos, mas na verdade há muito mais de mil reféns - crianças, pais, professores. E por que já estamos nos preparando para um desfecho próximo do pior possível? Por que já estamos nos preparando para o fenômeno compreendido por todo o mundo - a mão pesada russa? Por que razão nossas mãos são tão pesadas? O que a faz pesar?

Mais uma xícara de café, mais um cigarro, e vou subir para o tombadilho. A vastidão siberiana, a imensidão verde-oliva - você sentiria medo, eu acho; mas faz os russos sentirem-se importantes. A massa de terra, do país, o tamanho e o peso no planeta: é isso o que nos persegue e é isso o que arruína a saúde do Estado... Estamos atravessando o norte, mas seguindo rio abaixo. O que dá uma sensação anômala. No tombadilho, é como se o navio estivesse imóvel e os barrancos dos dois lados estivessem em movimento. Estamos parados; os barrancos das margens balançam e ondulam. Somos levados para a frente por uma força que viaja em sentido contrário. Temos também a sensação de que estamos espiando por cima do ombro do mundo e avançando rumo a uma cachoeira infinita. Aqui há monstros.

Meus olhos, no sentido conradiano, pararam de ser ocidentais e passaram a ser orientais. Estou de volta ao seio de uma vasta família residente num cortiço. Agora ela tem de se defender sozinha. Todo o dinheiro foi dividido entre os criminosos e o Estado.

É curioso. Datilografar a palavra "Kansas" ainda parece confortavelmente banal. E datilografar a palavra "Krasnoiarsk" ainda parece totalmente grotesco. Eu poderia, é claro, datilografar "K...", como um escritor de outros tempos. "Ele viajou para M..., capital de R..." Mas agora você é uma moça crescida. "Moscou", "Rússia": nada que você não tenha visto antes. Minha língua materna - descubro que quero usá-la o menos possível. Se a Rússia está indo embora, então o russo já se foi. Estávamos muito atrasados, entenda, para desenvolver uma língua de emoções; o processo foi barrado depois de menos de um século e agora todas as associações e conotações subentendidas se perderam. Devo apenas dizer que parece coerentemente eufemístico - contar minha história em inglês, e num inglês de feição antiga, o que mais se pode querer? Minha história ficaria ainda pior em russo. Pois é de fato uma história de sibilantes guturais e chiantes.

O resto de mim, todavia, está se tornando oriental - se rerrussifica de todo, mais uma vez. Então fique atenta, daqui para a frente, para outros traços nacionais: a liberdade de toda responsabilidade e escrúpulo, o vigoroso campeonato de opiniões e crenças que são não apenas irreconciliáveis como também mutuamente excludentes, o fraco por um humor de baixeza e cinismo, a tendência de falar da maneira mais passional nas horas de menos sinceridade e a sede de argumentos abstratos (abstratos ao ponto da pretensão) em momentos inesperados - digamos, no meio de uma fuga em massa da prisão, no auge de um motim causado por uma epidemia de cólera, ou na fase mais fúnebre de uma onda de fome.

Ah, vamos tirar isso do caminho. Não é da União Soviética que eu não gosto. Não gosto é da planície da Eurásia do Norte. Não gosto da "democracia dirigida", não gosto do poder soviético, não gosto dos senhores feudais mongóis e não gosto das dinastias teocráticas da antiga Moscou e da antiga Kíev. Não gosto do império multiétnico, do território de doze fusos horários. Não gosto da planície da Eurásia do Norte.

Por favor, perdoe a pequena excentricidade no meu modo de apresentar o diálogo. Não estou sendo russo. Estou sendo "inglês". Sinto que é uma falha formal citar a si mesmo. Veja a coisa desse modo.

Sim, no que diz respeito ao indivíduo, Vênus, pode muito bem ser verdade que caráter é destino. E o contrário também. Mas, na escala mais ampla, caráter não significa nada. Na escala mais ampla, destino é demografia; e a demografia é um monstro. Quando a examinamos de perto, quando examinamos de perto o caso russo, sentimos os estímulos de uma força imensa, uma força não só cega, mas também totalmente insensível, como um terremoto ou uma enchente. Nada assim jamais aconteceu antes.

Lá está, na minha frente, na tela do meu computador, o gráfico de duas linhas onduladas em interseção, uma cor-de-rosa e a outra azul. O índice de nascimentos, o índice de mortes. Chamam de cruz russa.

Eu estava lá quando meu país começou a morrer: a noite de 31 de julho de 1956, na Casa de Encontros, pouco acima do paralelo 69.

Nea

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O VALENTINO DE KEN RUSSEL

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Ken Russell's Gothic

Mary Shelley, Lord Byron, a noite mais densa, horror, luxúria e KEN RUSSEL!

BRONSON

BRONSON É LOUCO! É ENGRAÇADO! É PSICÓTICO! É UMA PORRADA! CHEIO DE ESTILO! COM ECOS DE STANLEY KUBRICK! COM NUANCES E CAMADAS PARA MENTES PENSANTES!

domingo, 28 de junho de 2009

Trecho de NÓ NA GARGANTA, de Patrick McCabe

Olhe dona Nugent, eu disse, e fiquei de quatro no chão. Fiz com quen22928 parte de mim ficasse do lado de dentro do vestíbulo para ela não tentar fechar a porta na minha cara e depois estiquei a cabeça para a frente e franzi o focinho quer dizer o nariz e diminuí meus olhos o quanto pude depois dei um grunhido enorme. Achei que isso a alegraria. Olhei para ela de novo. Oinc. Depois caí na risada. O que acha dona Nooge? Foi muito engraçado. Quanto mais eu fazia oinc, mais eu ria achei que era de fato a melhor risada que já tive especialmente quando Philip apareceu com sua cara de o que está acontecendo aqui. Detetive Inspetor Philip Nooge da Yard chegou!
Primeiro Philip não sabia o que fazer não é todo dia que se sai da cozinha e se vê um porco vestido de paletó e calças se arrastando na sua porta da frente. Ficou parado com seu lápis atrás da orelha. Sabia de uma piada mas não contei. Você ouviu aquela do professor com prisão de ventre? Ele desentupiu com o lápis. Estava muito ocupado olhando para Philip tentando imaginar um plano de mestre. Oinc! E depois olhava para Philip. Olhei direto nos seus olhos. Um jogo de futebol. Você e eu contra o resto Philip o que me diz? Depois dei um outro oinc e o coitado do Philip não sabia se ia ou vinha. Oinc. E comecei a rir de novo. Então o que ele faz agora não é que tenta me empurrar para fora do vestíbulo? Epa, Philip, eu disse, está enfiando seus dedos nos meus olhos. Podia ouvir seu coração batendo de onde eu estava. Empurrou-me no ombro com sua bota. Epa eu disse tire suas botas enormes de cima de mim, isso dói Philip! Depois ha ha de novo. Você é muito grosseiro não vou mais brincar com você! Estou só brincando. Dona Nugent ficava dizendo Philip Philip não sei se ela sabia o que queria dizer. Quem você acha que é melhor Philip, eu perguntei. Denis Law ou Tommy Taylor (3)? Philip estava de cócoras tentando me empurrar para fora da porta com os ombros e estava vermelho como tomate e resfolegando sem parar. Seu lápis caiu no chão. Foi um empurra-empurra danado. Philip empurrava de um lado eu empurrava do outro. E aí começava tudo de novo. Dona Nugent não fez nada, tudo o que fez foi ficar parada remexendo nos prendedores dentro do bolso e eu podia ver que Philip estava a ponto de dizer mamãe dá pra me ajudar pelo amor de Deus? mas era tão educado que não pediu e não é que ele se virou de um jeito que derrubou a foto do casamento que estava pendurada na parede e esta estilhaçou no chão e os cacos de vidro se espalharam pelo vestíbulo. Agora olhe o que você fez, ela disse, culpando Philip pelo que fosse que ele tivesse feito. Com certeza não era culpa dele que eu estivesse fuçando por todo canto. Depois ele não sabia o que fazer e começou a apanhar os pedaços e ela gritou a plenos pulmões cuidado com o vidro cuidado com o vidro vai se cortar não, não vou ele diz vai sim ela diz e Philip começa a ficar nervoso parado com uma mão cheia de cacos de vidro. Eu dei um oinc. Que queria dizer na língua de porco tome cuidado com o vidro Philip. A testa de Philip estava molhada de suor e seus olhos estavam mais tristes do que assustados agora. Acho que foram seus olhos me encarando com tanta tristeza o que me fez levantar e dizer que estava muito divertido mas que precisava ir embora para o chiqueiro o que acha dona Nugent? Mas ela não disse nada só ficou parada remexendo nos prendedores de roupa e dizendo por favor pare com isso por favor! Certo por agora dona Nooge eu disse e saltitei pela rua, vou deixar para outro dia eu disse e deixei.
E a razão por que fiz aquilo foi que comecei a pensar já de volta à casa por que estou me preocupando com os olhos tristes de Philip Nugent? Talvez eu tenha até imaginado, talvez ele estivesse até fingindo. Quanto mais pensava sobre aquilo mais eu dizia sim está certo ele estava só fingindo. Philip Nugent, eu disse para mim mesmo, você é um diabinho danado, como dizem nos quadrinhos. Aquele astuto Philip Nugent! Por isso uns dois dias depois voltei, só que dessa vez me certifiquei de que ninguém estava em casa. Esperei até ver o carro descer o beco sabia que iam visitar Buttsy nas montanhas.
Entrei pela janela dos fundos oi Francie bem-vindo aos Nugent!
Oi para ninguém eu respondi.
Tã tã tã! Bem-vindo aos Nugent seu Francie Brady! Muito obrigado agradeci, muitíssimo obrigado. É com imenso prazer que estou aqui parado neste piso de cerâmica preto e branco da copa, dona Nugent. De nada Francie o prazer é todo nosso de recebê-lo. Agora vamos apresentá-lo a todos. Este é meu marido e este é meu filho Philip mas claro que ele você já conhece. Claro que não havia razão nenhuma para dona Nugent dizer aquilo porque em vez disso ela pegaria o telefone na hora para chamar o sargento, mas é claro que não ia fazer isso porque estava nas montanhas bebendo suas xícaras de chá com o irmão Buttsy de cabelos cor de abóbora numa casinha que fedia a feno queimado e bosta de cavalo. Mas a dos Nugent não cheirava assim. Não senhor. Tinha um aroma fresco de pão assado, era assim que cheirava. Pão acabado de sair do forno naquele minuto. Fui procurar o pão mas não o achava em lugar nenhum. Acho que era apenas o cheiro de pão assado em outros tempos que ficou no ar e ela não tinha assado pão coisa nenhuma. Não importa. Sniff sniff. Cera também. Em todo lugar. Dona Nugent encerava tudo até espelhar. A mesa da cozinha, o chão. Qualquer lugar que você olhasse lá estava sua cara espelhada. Tinha-se de tirar o chapéu para dona Nugent quando o negócio era encerar. Moscas? Não, não na casa de dona Nugent! E se houvesse bolos, estes estavam trancados a chave e cadeado onde o seu Mosca e seus comparsas não botavam a asa. Dava para vê-los dentro da cristaleira embaixo de cúpulas de plástico e havia um pedestal de três pratos com bolos rosados e metade de um bolo de aniversário. As moscas devem ter ficado malucas -olhando para os bolos lindos e sem poder chegar perto. Eu mesmo sabia como elas devem ter se sentido. Poderia abrir a tampa mas não queria estragar a aparência deles. Estavam tão bonitos lá dentro. Aposto que foi ela mesma quem assou. Havia uma foto na parede de dona Nugent deitada na grama num parque em algum lugar. O que me veio à cabeça era que nunca pensei que dona Nugent tivesse sido jovem um dia tão jovem quanto eu. Por muito tempo pensei que ela tinha nascido da mesma idade que era agora mas é claro que isso era idiotice. Naquela foto ela tinha uns cinco anos de idade. Estava deitada com um vão enorme entre os dentes e sardas no rosto como Buttsy. Hi hi ela dizia para a lente da câmera. A boazinha dona Bebê Nooge eu pensei. Há quantos anos foi isso eu me perguntei. Podia ser uns cem anos pelo que eu sabia. A pasta do seu Nugent estava encostada num canto e seu casado de tweed pendurado atrás da porta. Peguei umas fatias de pão com geléia e me sentei em frente à televisão. Estava passando Viagem ao fundo do Mar, o almirante Nelson e seu pessoal do submarino lutando contra um polvo gigante escondido dentro de uma caverna onde o submarino não podia entrar. Ele era um filho da puta esperto mandando os seus tentáculos enrolados com os sugadores nas pontas empurrando o submarino para as rochas de cabeça para baixo e tudo. Tudo o que se via eram os dois olhos gigantes brilhando na escuridão da caverna como se dissesse Agora vocês não escapam seus homens da marinha espertos, vamos ver se vocês conseguem sair dessa. Mergulhe! Mergulhe! gritava o almirante no microfone mas ele não mergulhava. A música estava enlouquecendo. Mate o filho da mãe! eu gritei, estava ficando excitado também, mande um arpão isso o fará se calar! mas o almirante não era tão babaca como o polvo pensou que fosse. Acelerar todos os sistemas! e o que acontece depois é que um monte de coisas começa a atingir o polvo bem no meio dos olhos bum e os guinchos do danado! Pop pop os dois olhos pulam como luzes de holofote e os tentáculos se balançando como elástico mole e o submarino sobe para a superfície com todos a bordo gritando viva e o almirante limpando o suor do rosto e sorrindo OK todo mundo já chega agora de volta ao trabalho. E bip bip lá vai o eco da sonda e lá vão eles felizes da vida e de volta ao normal. Viva o almirante, eu disse, deu um jeito no danado do polvo. E deu mesmo, o polvo ficou estatelado no chão da caverna como uma almofada estourada e levaria muito tempo pra que ele viesse a mostrar seus tentáculos de novo. Fiz chá e enchi uma caneca e peguei mais uma fatia de pão com geléia para celebrar. Era difícil achar coisa melhor do que ficar sentado ali comendo e me divertindo. Estava um dia lindo lá fora. Havia algumas nuvens pequenas espalhadas pelo céu que não ligavam se não fossem a lugar nenhum. Os pássaros, a maioria gralhas, pendurados no parapeito da janela dos Nugent para ver o que podiam espiar. Bem bem olhe quem está ali Francie Brady. Não devia estar ali. Ei gralhas eu disse vão se foder e isso as mandou embora. Isso é que é vida eu disse Será que temos um pouco de queijo ou picles. Mas é claro -lá estava o pote marrom na geladeira! E que delícia que era! Perfeito! Pode ficar certo de que vou me hospedar no Hotel Nugent na minha próxima parada nesta cidade.

Dona Nugent estava em pé na minha frente. Sim, Philip, ela respondeu. Sei disso. Já sei disso há muito tempo.
Depois devagar ela desabotoou sua blusa e tirou um peito para fora.
E disse: Aqui pra você Francis.
Pôs sua mão firmemente na minha nuca e pressionou minha cara para a frente. Philip ainda estava no pé da cama sorrindo. Eu gritei: "Mamãe! Não é verdade!" Dona Nugent sacudiu a cabeça e disse: "Desculpe Francis, mas é muito tarde para tudo isso agora. Devia ter pensado nisso quando decidiu vir morar conosco!"
Pensei que ia ser estrangulado pela carne gorda e morna.
"Não!"
Afastei-me e tentei atingir Nugent num lado de seu rosto.
Subi na penteadeira e o espelho se partiu em pedaços. Dona Nugent cambaleou para trás com seu seio pendurado para fora. E agora Philip eu disse e ri. Philip mudou de tom e agora era o "por favor Francie" de sempre. Perguntei: Está falando comigo seu Porco?
Como ele não me respondeu eu falei de novo: Não está me ouvindo Philip Porco? Hum?
Ele torcia os dedos e sua mãe também.
Ou talvez não saiba que é um porco. É isso? Bem, então, vou ter de ensinar. E vou fazer com que não esqueça tão rapidamente dessa vez. Você também dona Nugent! Venham aqui! Venham venham e nada de desculpas. Isso foi divertido, eu disse era como o professor na escola. Certo hoje vamos aprender a virar porcos. Quero que todos vocês estiquem a cara para a frente franzindo os narizes como porquinhos. Muito bom Philip. Achei um batom numa das gavetas e escrevi em letras grandes no papel de parede "Philip é um porco". Agora, eu disse, que tal isso? Muito bom Francie, disse Philip. E agora a senhora dona Nugent. Acho que a senhora não está se esforçando o suficiente. De quatro agora e não relaxe. Assim dona Nugent ficou de quatro e parecia a melhor porca no chiqueiro inteiro com sua bunda rosada esticada para o ar. Dona Nugent, eu disse, maravilhado, isso é fantástico! Obrigada Francie, disse dona Nugent. Então esta era a escola para porcos. Avisei-os que não queria mais vê-los caminhando retos e se os pegassem iam se ver comigo. Está compreendendo Philip? Estou, ele respondeu. E você também dona Nugent. É sua responsabilidade de porca fazer com que Philip se comporte como um bom porco. Estou deixando nas suas mãos. Ela concordou. Assim fizemos o exercício uma vez mais e os fiz repetir depois de mim. Sou um pouco, disse Philip. Sou uma porca, disse dona Nooge. Vamos recapitular então, eu disse. O que os porcos comem? Comem nozes emporcalhadas, disse Philip. Sim, muito bem, eu disse, mas o que mais fazem? Correm pelo chiqueiro, Philip falou. Sim, claro que fazem isso, mas o que mais? Fiquei jogando o batom para cima na palma da minha mão. Alguém atrás sabe? Sim dona Nugent? Eles nos dão bacon! Sim isso é verdade, mas não é a resposta que eu quero. Esperei um bom tempo, mas parecia que a resposta não ia aparecer. Não, eu disse, a resposta que estou procurando é _"eles cagam! Sim, porcos estão sempre cagando pelo chiqueiro inteiro, partem o coração do dono do sítio. Querem convencer-nos de que os porcos são os animais mais limpos que existem. Não acreditem numa palavra do que dizem. Perguntem a qualquer criador de porco! Sim, porcos são animais que cagam, desculpe dizer, mas eles simplesmente enchem o lugar de merda, não importa o que você faça. Então, quem vai ser o melhor porco da escola dos porcos e demonstrar o que estamos falando, hum? Vamos, vamos, algum voluntário? Ah, não, com certeza podem fazer melhor do que isso!
Que decepção, ninguém! Bom, então, infelizmente vou ter de escolher o voluntário eu mesmo. Vamos, Philip, venha aqui e mostre para a classe. Isso é que é aluno. Muito bem Philip. Agora observem com atenção todo mundo. Philip ficou vermelho como tomate e enrugou a cara quando começou a se esforçar. Agora, classe! Como se chama alguém que faz uma coisa dessas? Não é um menino de jeito nenhum -é porco! Repitam comigo! Vamos! Porco! Porco! Porco!
Muito bom. Vamos Philip, você pode fazer um pouco mais de força!
O que acha dona Nugent? Philip não é um exemplo?
No começo, dona Nugent ficou acanhada com o que ele estava fazendo, mas quando viu o esforço dele ela disse que tinha orgulho. E era para ter mesmo, eu disse. Vamos Philip, força, força!
E ele usou toda a sua força e lá estava orgulhoso, ereto no meio do carpete do quarto, o melhor cagalhão já visto.
Era um daqueles grandes, em forma de submarino, espetado nas pontas, assim, quando o cu não fecha de repente, cheio de passas com um ponto de interrogação de vapor subindo no ar.
Muito bem, Philip, eu gritei, você fez! Dei um tapinha nas suas costas e ficamos ao redor admirando o resultado. Era como um foguete que tinha acabado de chegar do espaço e estávamos esperando que os pequenos astronautas marrons abrissem a porta do lado e saíssem acenando. Philip, eu disse, meus parabéns! Estava feliz da vida com o desempenho de Philip. Não acreditei que ele ia conseguir. Philip estava cheio de orgulho também. Virei-me para a classe. Meninos, eu perguntei, quem é o melhor porco na escola inteira? Podem me dizer? Philip, eles gritaram todos sem um momento de hesitação. Viva, Viva! As palmas da classe quase levantaram o telhado. Vamos com calma, eu disse. Agora é a vez de dona Nugent nos mostrar como é o seu desempenho. Será que consegue produzir uma merda tão boa quanto Philip? Logo vamos descobrir! Está pronta dona Nugent? Estava esperando que ela dissesse: sim, Francis, é claro que estou, e depois levantasse a sua camisola e se acocorasse enrugando a cara ficando roxa tentando fazer melhor do que Philip, mas sinto muito, não foi assim que aconteceu, de jeito nenhum.
Dona Nugent estava ali sim, mas não de camisola. Estava de vestido e carregando uma sacola cheia de coisas que trouxe de Buttsy.
Sua boca se arregalou e estava chorando de novo, apontando para o espelho quebrado e as letras na lousa, quer dizer, na parede. Olhei para Philip. Ele estava branco como um fantasma. Também, o que estava errado com ele agora? não recebeu o prêmio de melhor cocô de porco? o que mais queria? Mas seu Nugent disse que agora a coisa era com ele. "Vou dar um jeito nele!", ele disse, como no comercial para tabaco. Philip e dona Nugent desceram e ficamos só eu e ele. Ele era bonitão, seu Nugent, isso você tinha de admitir. Seus cabelos penteados para trás, sua testa alta era protuberante e ele tinha retalhos de couro no cotovelo da jaqueta. Usava um button da ordem de pioneiro também _era um emblema de metal do Sagrado Coração e queria dizer: "Nunca bebi uma gota na minha vida e jamais vou beber!" Ele me encarou olhos nos olhos e não piscou uma vez. Nem mesmo levantou a voz. Ele disse: Dessa vez você não escapará sem punição! Dessa vez vou fazer com que seja mandado para onde merece. E vai limpar "isso" antes de ir embora daqui com a polícia, e as paredes também, porque minha mulher não vai limpá-las. Você já lhe deu bastante aflição. Bem, está certo seu Nugent, eu pensei. Como é que eu podia tomar conta direito da escola de porcos com aquele tipo de interrupção? Hum? Isso é o que quero saber, eu disse. Mas não para seu Nooge, foi para mim mesmo. O que eu disse foi: Diga-me, seu Nugent, como vai Buttsy? Ele não respondeu; por isso continuei a falar sobre todo tipo de coisa. Estava parado com as costas para a porta para o caso de eu tentar fugir. Mas não estava com vontade de correr para lugar nenhum. O vale tinha esfriado e a nuvem de vapor tinha desaparecido. Estava pensando nos pequenos astronautas aparecendo na porta saudando com um sorriso no rosto, se apresentando para o trabalho "comandante" quando um golpe me atingiu no lado da minha cara e lá estava o sargento, de pé, esfregando seus dedos e dizendo: "Não faça, não faça! Ou vai se arrepender. Não faça, não faça o que ele estava falando, não faça? Vai limpar tudo, ele resmungou, pode ter certeza. Claro que vou limpar tudo, se era o que queria não sei por que estava ficando todo esquentado e nervoso. Levei o cagalhão para o quintal num pedaço de jornal e espalhei-o com um graveto atrás das urtigas. Assoviava. Se houvesse um astronauta lá dentro, ele já era. Dona Nugent ainda estava chorando quando fui embora, mas seu Nooge a abraçou e a levou para dentro. Quando os filmes mudos terminam, às vezes aparece uma mão, não sei de onde e segura uma placa escrita Fim. Assim foi quando o carro partiu. A casa dos Nooge na frente e a não pendurada com a placa na maçaneta enquanto vrumm vrumm, nós íamos embora.
Assim foi o fim dos Nugent, por hora, pelo menos.
O sargento não parava de falar sobre mamãe no banco da frente do carro e como ele a tinha cortejado anos atrás, quando ela era uma das moças mais bonitas da cidade e se não fosse pelo tipo com quem foi se envolver. Graças a Deus ela não está mais nesse mundo para ver isso, ele disse.
Não, eu disse, ela está no fundo do lago, e fui eu que a joguei lá.
Por Deus, se você fosse meu filho eu quebraria cada osso de seu corpo, ele disse. Depois limpou a boca e resmungou: Não que você pudesse ser diferente.
Passamos pelo convento. Havia alguns meninos da escola chutando a bola contra a parede. Acenei para eles através da janela e eles acenaram de volta por um minuto até notarem quem era. Então o que fizeram: seguraram a bola como seu eu fosse roubá-la. Acenei de novo, mas fingiram que não me viram. Não estavam tão empolgados comigo...